PT reúne lideranças nacionais em Joinville e traça estratégias para a eleição em 2026
Foco do encontro foi nos resultados que o governo Lula tem entregado neste terceiro mandato, chamado pelas lideranças de "governo da reconstrução".
Presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o ódio ao migrante é uma das estratégias da extrema-direita. Foto: Leandro Schmitz
Lideranças estaduais e nacionais do Partido dos Trabalhadores se reuniram na manhã deste domingo (30), no anfiteatro da Unisociesc, em Joinville, para o seminário “Eleições 2026 – É a Hora da Virada em SC”. O evento foi marcado por discursos que enfatizaram a importância estratégica de Santa Catarina nas eleições e apresentaram análises sobre o momento político vivido pelo país e pela esquerda mundial. O encontro foi acompanhado também pelo colunista político do Chuville Notícias, Rafael do Nascimento.
Estavam presentes líderes do PSOL catarinense e representantes sindicais, incluindo coordenadores setoriais como LGBTQIA+ e juventude.
Presenças nacionais
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi o convidado especial do encontro e destacou a importância de Santa Catarina na construção da estratégia eleitoral nacional. Entre os palestrantes estava a Deputada Federal Ana Paula Lima, representante catarinense no Congresso Nacional, que enfatizou as realizações do governo Lula em ações federais no estado e a necessidade de ampliar a presença do partido entre movimentos sociais.
Participou também Décio Lima, ex-candidato a governador em 2018 e 2022, atualmente presidente nacional do Sebrae. Décio trouxe análise das condições objetivas que mudaram para melhor desde 2022, destacando dados sobre geração de empregos e inclusão social. Segundo dados apresentados pelo Sebrae, no Brasil foram abertos quase 1,7 milhão de novos empregos formalizados no ano passado, além da formalização de 4,6 milhões de novas micro e pequenas empresas.
Também estavam presentes os vereadores Vanessa da Rosa (Joinville), Jean Volpato (Blumenau), Bete Ecel (Brusque) e Afrânio Boppré (Florianópolis), além de Fabiano da Luz, presidente estadual do PT em Santa Catarina. O ex-prefeito, Carlito Merss e o ex-deputado estadual Francisco de Assis também marcaram presença.
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Contexto de crise global e oportunidades locais
Edinho Silva ofereceu uma análise profunda sobre o contexto internacional desafiador para a esquerda. Situando a crise econômica atual como análoga à recessão de 1929, o presidente nacional alertou sobre o ressurgimento de movimentos xenofóbicos e fascistas em economias desenvolvidas. Destacou que, diferentemente de 2008 quando o Brasil tinha o presidente Lula e conseguiu se proteger da crise internacional, o mundo segue enfrentando uma depressão econômica prolongada que favorece discursos autoritários.
“A concepção de Estado Nacional xenofóbico vem tomando conta das principais economias do planeta”, alertou Silva, mencionando a eleição de Trump nos Estados Unidos, a ascensão de fascistas na Itália e o crescimento de movimentos de extrema direita na Alemanha.
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Condições objetivas favoráveis em Santa Catarina
Apesar do cenário internacional desafiador, os palestrantes acreditam que as condições objetivas em Santa Catarina melhoraram significativamente. Como um exemplo, foi citado que no Brasil, mais de 1 milhão de famílias deixaram de receber o Bolsa Família, mostrando que a renda familiar melhorou.
Décio Lima apontou que Santa Catarina vive situação de pleno emprego e está recebendo investimentos federais que modificam a economia do estado. Ana Paula Lima enfatizou que o governo federal atende prefeitos de todos os partidos sem discriminação, diferentemente do governo anterior, apresentando isso como sinal de um “governo de afeto” que funciona “de realização”.
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Estratégia eleitoral e coalizões
Um tema central do seminário foi a construção de uma chapa majoritária em Santa Catarina. Edinho Silva apresentou o planejamento do PT para conquistar 40% dos votos com o presidente Lula no estado, considerando isso suficiente para garantir “uma vitória segura para o Lula no Brasil”. Ressaltou que o partido está mapeando nomes para as candidaturas a deputados federais e estaduais, buscando entregar “mais deputados” em todas as esferas.
As discussões incluíram a necessidade de decisão coletiva sobre candidaturas ao Senado e governo, com menção específica aos possíveis nomes de Décio Lima e outros parlamentares. Silva enfatizou que “o mais importante do que uma eleição de deputado é a reeleição do presidente Lula”, sinalizando que a escolha de candidatos majoritários priorizaria a campanha presidencial. No entanto, reconheceu que o congresso nacional precisa ser mais equilibrado para uma boa governabilidade, o que não estaria ocorrendo hoje.
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Presença Territorial
Um ponto reiterado por vários palestrantes, especialmente por Edinho Silva, foi a importância de o PT recuperar presença no território. O presidente nacional criticou a falta de engajamento em movimentos sociais e alertou sobre a necessidade de o partido estar presente onde estão os trabalhadores, discutindo “a vida real das pessoas” em vez de se prender a polarizações abstratas. Silva sugeriu que o partido deveria aprender com as igrejas evangélicas neopentecostais nas periferias, que conseguem estar presentes onde a população mais precisa de apoio.
Seria uma espécie de recuperação da história do partido, que nasceu e consolidou-se em movimentos da igreja católica e suas pastorais, ainda na década de 1970.
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Desafios na conjuntura catarinense
Edinho Silva refutou a narrativa de que Santa Catarina seria “a trincheira da direita no Brasil”, lembrando que o estado é o berço do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), principal movimento social da América Latina, e teve experiências de gestão municipal importantes que inspiraram prefeituras em todo país.
Porém, reconheceu que a conjuntura é desafiadora localmente. Mencionou casos de xenofobia contra imigrantes, inclusive em centros de atendimento no estado, e a necessidade de debater essas questões concretas da vida das pessoas para vencer polarizações ideológicas.
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Congresso partidário em abril
Edinho Silva anunciou que o PT realizará seminários estaduais nos próximos meses, incluindo um sobre segurança pública no Rio de Janeiro, como parte de uma jornada que visita estados para consolidar a tática eleitoral. Sugeriu ao diretório estadual que organize seminários em cada município para debater com a militância quais são os desafios do partido e qual modelo se deseja para os próximos anos.
O presidente nacional mencionou que o congresso nacional do PT, marcado para abril de 2026, será fundamental para consolidar as diretrizes do programa do presidente Lula para 2026 e definir os aliados estratégicos para as próximas décadas. Enfatizou também a necessidade de o partido enfrentar debates internos sobre filiação em massa versus formação política da militância.

Leandro Schmitz
Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.










