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OPINIÃO: Da várzea ao fórum: o retrato do futebol amador de Joinville em 2025

Por Rodrigo Martins, Advogado e treinador de futebol amador.

Atualizado em 18/12/2025 às 10:12, por Redação.

Esta imagem retrata uma cena de futebol amador (ou

Imagem gerada por IA

O ano de 2025 escancara, de forma constrangedora, a crise de credibilidade que atravessa o futebol amador de Joinville. O que deveria ser decidido no campo, pelo mérito esportivo, vem sendo resolvido reiteradamente nos gabinetes do Judiciário. E quando isso se repete, deixa de ser exceção: passa a ser sintoma. 

Um dos finalistas da Segundona foi definido na justiça após denúncia de atleta irregular que atuou em uma semifinal. O campeão da Terceirona também foi decidido fora das quatro linhas, novamente por conta de jogador irregular, desta vez em plena final. Como se não bastasse, o Copão Kurt Meinert (uma das competições mais tradicionais da cidade) foi paralisado por decisão judicial liminar e somente será finalizado em 2026, em razão de denúncia envolvendo atleta irregular de uma equipe que, até então, fazia uma das melhores campanhas da competição. 

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Esse cenário diz muito. Diz, primeiro, sobre o despreparo de quem está à frente de boa parte dos clubes amadores. Falta gestão, falta responsabilidade, falta o mínimo de zelo com regulamento, inscrição de atletas e cumprimento de regras básicas. Futebol amador não é sinônimo de improviso absoluto. A informalidade não pode servir de desculpa para o descaso. 

Mas o problema não está apenas nos clubes. Ele também revela algo ainda mais profundo: os clubes claramente não levam a sério quem está por trás da organização das competições. E isso não acontece por acaso. Quando a imagem transmitida é a de desorganização, permissividade e ausência de consequências, o comportamento natural é a bagunça. Onde não há rigor, floresce a irregularidade. Onde não há autoridade respeitada, ninguém teme a regra. 

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O histórico recente ajuda a entender como chegamos até aqui. Em março deste ano, o time que eu treino (C.A. Botafogo) formalizou denúncia contra uma bandeirinha que atuava em uma partida oficial na cidade. O fato foi grave, público, filmado e presenciado por atletas, comissão técnica e torcedores. O desfecho? A bandeirinha segue atuando normalmente em jogos da região. Eu, autor da denúncia e então membro da comissão disciplinar da Liga Joinvillense de Futebol, fui colocado “na geladeira”. 

Esse tipo de resposta institucional fala por si. Quem aponta o problema é afastado. O problema, por sua vez, é normalizado. O resultado está aí: campeonatos decididos na justiça, competições paralisadas, atletas, dirigentes e torcedores frustrados, e uma modalidade que perde, a cada episódio, um pouco mais de sua credibilidade. 

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O futebol amador sobrevive de paixão, voluntariado e esforço coletivo. Mas ele não se sustenta sem regras claras, fiscalização séria e coragem para tomar decisões impopulares quando necessário. Em 2025, Joinville não enfrenta apenas um problema de jogador irregular. Enfrenta um problema de gestão, de cultura e de autoridade. 

E enquanto isso não for enfrentado de forma honesta e firme, o futebol continuará sendo decidido longe do campo, exatamente onde ele nunca deveria estar. 

Rodrigo Martins 

Advogado (OAB/SC 56.990) e treinador de futebol amador.


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