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OPINIÃO: Da várzea ao fórum: o retrato do futebol amador de Joinville em 2025

Por Rodrigo Martins, Advogado e treinador de futebol amador.

Esta imagem retrata uma cena de futebol amador (ou "futebol de várzea") em um campo de grama natural durante o que parece ser o pôr do sol, conferindo à cena uma iluminação quente e dourada.
Imagem gerada por IA

O ano de 2025 escancara, de forma constrangedora, a crise de credibilidade que atravessa o futebol amador de Joinville. O que deveria ser decidido no campo, pelo mérito esportivo, vem sendo resolvido reiteradamente nos gabinetes do Judiciário. E quando isso se repete, deixa de ser exceção: passa a ser sintoma. 

Um dos finalistas da Segundona foi definido na justiça após denúncia de atleta irregular que atuou em uma semifinal. O campeão da Terceirona também foi decidido fora das quatro linhas, novamente por conta de jogador irregular, desta vez em plena final. Como se não bastasse, o Copão Kurt Meinert (uma das competições mais tradicionais da cidade) foi paralisado por decisão judicial liminar e somente será finalizado em 2026, em razão de denúncia envolvendo atleta irregular de uma equipe que, até então, fazia uma das melhores campanhas da competição. 

Esse cenário diz muito. Diz, primeiro, sobre o despreparo de quem está à frente de boa parte dos clubes amadores. Falta gestão, falta responsabilidade, falta o mínimo de zelo com regulamento, inscrição de atletas e cumprimento de regras básicas. Futebol amador não é sinônimo de improviso absoluto. A informalidade não pode servir de desculpa para o descaso. 

Mas o problema não está apenas nos clubes. Ele também revela algo ainda mais profundo: os clubes claramente não levam a sério quem está por trás da organização das competições. E isso não acontece por acaso. Quando a imagem transmitida é a de desorganização, permissividade e ausência de consequências, o comportamento natural é a bagunça. Onde não há rigor, floresce a irregularidade. Onde não há autoridade respeitada, ninguém teme a regra. 

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O histórico recente ajuda a entender como chegamos até aqui. Em março deste ano, o time que eu treino (C.A. Botafogo) formalizou denúncia contra uma bandeirinha que atuava em uma partida oficial na cidade. O fato foi grave, público, filmado e presenciado por atletas, comissão técnica e torcedores. O desfecho? A bandeirinha segue atuando normalmente em jogos da região. Eu, autor da denúncia e então membro da comissão disciplinar da Liga Joinvillense de Futebol, fui colocado “na geladeira”. 

Esse tipo de resposta institucional fala por si. Quem aponta o problema é afastado. O problema, por sua vez, é normalizado. O resultado está aí: campeonatos decididos na justiça, competições paralisadas, atletas, dirigentes e torcedores frustrados, e uma modalidade que perde, a cada episódio, um pouco mais de sua credibilidade. 

O futebol amador sobrevive de paixão, voluntariado e esforço coletivo. Mas ele não se sustenta sem regras claras, fiscalização séria e coragem para tomar decisões impopulares quando necessário. Em 2025, Joinville não enfrenta apenas um problema de jogador irregular. Enfrenta um problema de gestão, de cultura e de autoridade. 

E enquanto isso não for enfrentado de forma honesta e firme, o futebol continuará sendo decidido longe do campo, exatamente onde ele nunca deveria estar.

Rodrigo Martins 

Advogado (OAB/SC 56.990) e treinador de futebol amador. 

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