Mulher autista é agredida por Bombeiro Voluntário à paisana em Joinville
Discussão teria começado quando a vítima estava passeando com sua cachorra e o homem teria suspeitado maus tratos ao animal.
Arquivo pessoal
Um caso de violência foi denunciado ao Chuville Notícias nesta semana, envolvendo uma mulher autista e um bombeiro voluntário à paisana. A vítima, identificada como Crystal Nichol Graham, de 30 anos, foi agredida com um soco no rosto após uma discussão que teria começado por causa de um cachorro.
O agressor, Thiago Reghin, de 41 anos, é membro do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. O incidente, registrado em um Termo Circunstanciado (TC) da Polícia Militar, ocorreu na tarde da última terça-feira (2), na rua Jorge Augusto Emílio Müller, no bairro Iririú. A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência que detalha a dinâmica da agressão.
A dinâmica da agressão
Segundo o relato da vítima à Polícia Militar, ela estava realizando o primeiro passeio com sua cachorra quando o agressor se aproximou. Crystal afirmou que Thiago Reghin começou a filmá-la e a proferir xingamentos como “sua puta, vadia” e a desafiar, dizendo “põe seu pé no chão aí para ver se não queima”. A vítima, que é autista, relatou ter se assustado com a aproximação excessiva do celular em seu rosto e deu um tapa no aparelho. Em resposta, o bombeiro voluntário teria lhe dado um “soco forte em seu rosto, fazendo com que caísse ao chão”.
Duas testemunhas presentes no local confirmaram a versão da vítima. Uma delas, Emanuelle Souza Prado da Silva, relatou ter visto o homem com o celular “bem próximo ao rosto” da mulher, que pedia para ele se afastar. Após a vítima bater no celular, ele “deu uma porrada muito forte na cara dela”. Outra testemunha, Junior Galdino de Lima, acrescentou que o agressor teria chamado a vítima de “Puta e vadia” e a agredido com um soco na boca, conforme foto enviada.
A versão do agressor e a justificativa
Em seu depoimento à PM, Thiago Reghin, o agressor, apresentou uma justificativa para o confronto. Ele alegou ter visto a mulher “tentar arrastar o cachorro pela coleira” e chamou sua atenção por um possível maltrato ao animal. Após a recusa da vítima em aceitar sua ajuda, ele passou a filmar os atos.
O bombeiro voluntário admitiu ter xingado a vítima, chamando-a de “vaca”, e afirmou que ela lhe mostrou o dedo do meio. Ele confirmou a agressão física, alegando que, após a vítima bater em seu celular, ele agiu “por impulso” e lhe desferiu um soco no rosto. Thiago Reghin manifestou arrependimento pelos atos e aceitou comparecer em juízo.
Posicionamento do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville
Esta reportagem entrou em contato com o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville para obter um posicionamento oficial sobre o envolvimento de um de seus membros no caso de violência.
Em nota, a corporação informou que, como o caso aconteceu fora de uma ocorrência e o indivíduo não estava fardado, ele será tratado como um caso entre pessoas físicas. A instituição destacou que, internamente, Thiago Reghin teria concordado que “se excedeu no momento”, mas justificou sua atitude pelo possível maltrato ao animal em questão.
O Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville não detalhou se o bombeiro voluntário será submetido a algum procedimento administrativo interno, mantendo o foco na natureza privada do incidente.
A vítima foi encaminhada para atendimento hospitalar e chegou a fazer exame de corpo de delito. Ela afirmou que vai processar Thiago.

Leandro Schmitz
Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.









