MENTALIDADE CONSCIENTE: Os traumas que carregamos aprisionam ou libertam?
Na coluna de hoje, vamos falar um pouco sobre o processo doloroso, transformador e fundamental do AUTOCONHECIMENTO. Vou falar sobre traumas, transtornos e seus males psíquicos, baseado no livro, “O Mito do Normal” e no documentário “A Sabedoria do Trauma” do médico húngaro e radicado no Canadá, Gabor Maté.
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Entendo que sem a leitura de bons livros e sem assistir bons vídeos, filmes e documentários, a vida perde a conexão com o aprendizado, procedente do conhecimento e da expressão artística.
Trauma não é o que acontece com você. Trauma é o que acontece dentro de você, como resultado do que acontece com você.
Gabor Maté é referência mundial em tratamento de doenças psíquicas oriundas de traumas e problemas mentais e suas consequências como vícios e suicídio. Basta olharmos a sua face para percebermos a sua melancólica esperança. Nascido na Hungria há 81 anos, teve sua família dizimada pelo Holocausto e se radicou no Canadá.
O documentário “A Sabedoria do Trauma”, catalogado na Prime Video, explica as doenças psíquicas como mecanismos de proteção desenvolvidas diante da dor. No processo de defesa, de negar para se desconectar da dor, há desconexão de nós mesmos, de nossa fagulha divina, de nosso eu saudável. Para a reconexão é necessário chegar na origem do trauma que ocorre na intimidade das famílias. Pequenos gestos ou a falta deles, podem gerar o trauma do abandono, do desamparo, da solidão, da ausência ou perda do amor. Então, muito cuidado para não provocar traumas em seus semelhantes, amigos, filhos e cônjuges.
As famílias e os casais precisam entender que o trauma gerado numa criança, pode marcá-la na sua psique humana para a vida toda. As experiências traumáticas têm impactos profundos na saúde mental e no bem-estar geral da sociedade. O documentário evidencia que inúmeros transtornos, vícios e até doenças físicas tem suas raízes em traumas não resolvidos. O autor destaca que a sociedade moderna, ao focar apenas nos sintomas, negligencia as causas emocionais profundas que geram como consequência a depressão, perda de sentido da vida e suicídio.
Os traumas passados são uma Esfinge a ser decifrada para não devorar a vida de suas vítimas com comportamentos destrutivos que afetam o desenvolvimento emocional. A cura dos traumas pode transformar não apenas a vida individual, mas também a comunitária e social. Pra isso, é fundamental não os vivenciar isoladamente. Sem compartilhar a dor, se aumenta o impacto emocional e dificulta a recuperação.
Como seres sociais que somos, precisamos ter sabedoria sobre a escolha de nossas conexões que podem nos proteger, nos amar ou nos prejudicar. É preciso ter vínculos seguros e acolhedores para uma recuperação emocional com resiliência e saúde mental. A empatia é uma virtude precípua e necessária para se relacionar com seres humanos traumatizados ou não.
Portanto, é de fundamental importância compreendermos que os traumas são forças invisíveis que moldam nossas vidas individualmente e socialmente, ditando a maneira como vivemos, amamos e entendemos o mundo. Essa sombra tem raízes em nossas feridas mais profundas. Por isso, Dr. Gabor Maté se tornou um autor tão profundo e necessário, nos dando a visão sobre como curar a epidemia dos traumas e suas consequências na alma humana.
O despertar espiritual precisa se libertar dos traumas
Quando atingimos a maturidade espiritual, passamos a ver a realidade e o mundo com uma lente altruísta, holística e criativa. No último terço de nossas vidas nesse plano, queremos entender a nossa missão. Ficamos mais intuitivos e buscamos uma liberdade sadia para alçar voos evolutivos. Nosso comportamento passa pela transformação da águia comentada na última edição da coluna MENTALIDADE CONSCIENTE: Em busca do autoconhecimento - Chuville Notícias
O ditado “A verdadeira vida começa aos 40”, ficou popular com o livro de autoajuda de Walter Pitkin, em 1932. Posteriormente, foi associado a Carl Young que sugeria ser aos 40 anos o abandono das pessoas pelas expectativas externas para buscar o caminho do autoconhecimento e autenticidade. Viver de forma mais plena, alinhada com o seu verdadeiro EU, marcando a fase de maior maturidade, sabedoria e foco espiritual é a conclusão do processo do casulo da borboleta.
Porém, alguns persistem em se manter no estágio da lagarta com a sua evolução e versão adaptada, ajustada e moldada pelas expectativas alheias, criada para sobreviver emocionalmente, aprisionada e refém da aprovação exterior.
Essa mudança íntima e comportamental passa a não mais nos encaixar em lugares e com pessoas do nosso convívio devido à desconexão com a nova frequência vibratória. Não há mais sintonia. Isso não é arrogância, superioridade ou iluminação repentina. É algo silencioso, profundo, humano, espiritual. É uma transformação profunda, um renascimento para renovar a plenitude da vida.
Para Gabor Maté, isso não é um salto místico, é um processo de maturação psicológica profunda, possível quando não agimos mais a partir de traumas e passamos por um período de reorganização mental, que leva um certo tempo para florescer. Nesse “taime”, é provável que sejamos atingidos pela sensação de solidão.
A antiga camada que nos protegeu por tantos anos começa a rachar. O novo ainda não está formado e entre esses dois estados em transição, nos sentimos vulneráveis, expostos e sensíveis demais. É o estágio em que me encontro. Estou em transição, buscando sair do casulo. Não quero mais as migalhas do pertencimento. Quero asas e liberdade para voar até alcançar a felicidade.

Carlos Castro
Carlos Castro cursou Jornalismo no Ielusc, tem forte formação sindical e já trabalhou em diversas emissoras de rádio de SC. Liderou movimentos sociais, partidários e hoje é colunista do Chuville Notícias. Sua coluna semanal "Mentalidade Consciente" traz reflexões fundamentadas que servem de inspiração para a sociedade frenética atual. Contato: castrorevival@gmail.com










