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MENTALIDADE CONSCIENTE: Em busca do autoconhecimento

Uma reflexão sobre o autoconhecimento, o papel do ego e o despertar espiritual frente aos ciclos de dor, mudança e renascimeno por Carlos Castro, jornalista.

Atualizado em 06/12/2025 às 18:12, por Carlos Castro.

Imagem de fantasia/arte digital com uma águia majestosa voando sobre uma montanha rochosa. No topo, uma pessoa medita em posição de lótus diante de um portal brilhante com a inscrição grega

Imagem gerada por IA

O exercício do autoconhecimento é desafiador. Exige introspecção em meio ao sofrimento e dor, conhecimento espiritual, despertar e reconexão com a centelha divina que há dentro de cada um de nós para suportar o inverno da alma. Nossas feridas não são maldições. São portais que podem se tornar janelas para o sagrado.

É nas condições adversas e com a maturidade adquirida que o espírito busca entender as raízes de seus dissabores. Ao fazer o diagnóstico e o inventário da atual encarnação, percebe os males que provocou, a missão que abandonou e os erros que cometeu. Isso posto, refletido e compreendido, abre-se um horizonte humanista e altruísta em fina sintonia com a inspiração divina para concretizar a missão evolutiva que temos.

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A sincronicidade e a individuação, dois conceitos do psicólogo Carl Jung, entram em ação. Coincidências significativas e relações sem causalidade aparente começam a emergir. É incrível essa verdade. No momento rigoroso de meu inverno da alma, um parceiro de outra cidade me ligou para salvar o meu destino. Quando perguntei a ele por que me procurou, respondeu que sentiu uma inspiração afetiva para me ligar e oferecer uma parceria para trabalharmos juntos. Realmente, a energia divina nos conecta para ajustar o rumo de nossa vida quando nos sentimos perdidos.

A individuação é o movimento para se tornar um ser único e completo, integrando aspectos conscientes e inconscientes da psique. É a busca para constituir a nossa melhor versão, mais humanizada e espiritualizada. Diz a lenda que a águia, ao atingir 40 anos, tem um bico torto e pesado, garras enfraquecidas e penas grossas que dificultam o voo. Para sobreviver, voa ao topo de uma montanha, onde se recolhe e quebra o bico contra as rochas, arranca as garras e remove as penas. Após cerca de 150 dias, ela renasce com um novo bico, garras e penas, pronta para viver mais 30 anos. É um processo doloroso e demorado de renovação.

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Chegando aos 55 anos e fazendo aniversário no dia 23 de dezembro, costumo dizer que estou no último terço de minha vida e me identifico profundamente com essa lenda extraordinária da águia. É uma lenda, mas vale como reflexão para a vida. Todo processo de metamorfose e transformação é doloroso, porém necessário para que haja o despertar da consciência. É um caminho de autodescoberta e desenvolvimento que busca a totalidade, não a perfeição, integrando a sombra, o lado obscuro, e o inconsciente com a personalidade consciente.

Nesse processo de renascimento psicológico, é preciso estabelecer controle sobre o ego e seu equilíbrio com o self, o centro da totalidade psíquica, para que possamos desenvolver em harmonia todo o nosso potencial espiritual em benefício social. Assim, seremos mais intensos, autênticos e compreensivos, melhorando sobremaneira nossos relacionamentos humanos.

 

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Conhece-te a ti mesmo!

Essas palavras estavam inscritas acima da entrada do templo de Apolo em Delfos, lugar do Oráculo Sagrado. Na Grécia antiga, as pessoas visitavam o Oráculo esperando descobrir o que o destino lhes reservava ou o que fazer em determinada situação. É provável que a maioria não compreendesse a sua profunda verdade, e, por mais importante que fosse a revelação ou exatas as informações que recebessem, elas acabariam por se mostrar inúteis. Não as salvariam de infelicidades futuras nem de sofrimentos criados por elas mesmas caso deixassem de encontrar a verdade contida na exortação “Conhece-te a ti mesmo”.

O significado implícito dessas palavras é: antes de qualquer indagação, faça a pergunta fundamental da sua vida: quem sou eu? As pessoas inconscientes, e muitas permanecem nesse estado, presas ao ego ao longo de toda a sua existência, rapidamente nos dirão quem elas são: seu nome, sua ocupação, sua história pessoal, a forma ou a condição do corpo e qualquer outra coisa com a qual se identifiquem.

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Conhecer a si mesmo é muito mais profundo do que a adoção de um conjunto de ideias ou crenças. As ideias e crenças espirituais podem, no máximo, ser indicadores úteis, mas poucas vezes têm o poder de desalojar os conceitos centrais mais firmemente estabelecidos de quem pensamos que somos, os quais fazem parte do condicionamento da mente humana.

O profundo autoconhecimento não tem nada a ver com nenhuma ideia que esteja flutuando em torno da nossa mente. Conhecer a nós mesmos é estarmos enraizados no ser humano em sintonia com nossa centelha divina conectada com a divindade cósmica e sua energia de amor.

Quem nós somos, consciência, e não quem pensamos que somos, um pequeno eu.

Nós não somos o ego. Portanto, quando nos tornamos conscientes do ego em nós, isso não significa que sabemos quem somos. Significa que sabemos quem não somos. Mas é por meio do conhecimento de quem não somos, o ego, que o maior obstáculo ao verdadeiro conhecimento de nós mesmos é removido.

 

Não cai uma folha da árvore sem a permissão divina. Deus está no controle e cuida de cada detalhe!

Quando nos conhecemos apenas por meio do conteúdo, também pensamos que sabemos o que é bom ou ruim para nós mesmos. Discriminamos os acontecimentos entre os que são bons para nós e aqueles que são maus. Essa é uma percepção fragmentada da unicidade da vida, na qual tudo está interligado, e cada acontecimento tem seu lugar e sua função dentro da totalidade. Contudo, a totalidade é mais do que a aparência superficial das coisas, mais do que a soma das partes, mais do que qualquer coisa que nossa vida e o mundo contêm.

O todo divino em nossa vida é uma sequência encadeada de fatos positivos e negativos. Nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser. O todo está entrelaçado com o sentido e o destino de nossa existência. Portanto, não podemos deixar o ego se queixar dos fatos negativos. Se aconteceu, é porque tínhamos que passar pela experiência, seja como prova ou expiação.

Por trás da sucessão de acontecimentos algumas vezes aparentemente aleatórios ou até mesmo caóticos da nossa vida, assim como do mundo, acontece de maneira oculta o desenrolar de uma ordem e de propósitos superiores.

O tempo, ou seja, o passado e o futuro, é aquilo de que o falso eu fabricado pela mente, o ego, vive. E o tempo está na nossa mente. Ele não é algo que tenha uma existência objetiva ali fora. É uma estrutura mental necessária para a percepção sensorial, indispensável para propósitos práticos, mas também é o maior obstáculo ao autoconhecimento. O tempo é a dimensão horizontal da vida, a camada superficial da realidade. E há ainda a dimensão vertical da profundidade, à qual só temos acesso através do portal do momento presente.

Retirar o tempo da nossa consciência é eliminar o ego. É a única prática espiritual verdadeira. Quando falo da eliminação do tempo, não estou, é claro, me referindo ao tempo do relógio, usado para propósitos práticos, como marcar um encontro ou planejar uma viagem. Seria quase impossível atuar neste mundo sem esse tempo convencional. Falo da eliminação do tempo psicológico, que é a preocupação interminável da mente egóica com o passado e com o futuro e sua resistência a entrar num estado de unicidade com a vida e viver alinhada com a inevitável condição do momento presente de ser o que é.

A humanidade caminha a passos de formiga, como diz a letra de Lulu Santos, mas a dialética da natureza explica que, quando se atinge um volume quantitativo, pode haver um salto de qualidade com mudança abrupta. A metáfora ressalta que o amadurecimento e a cura emocional são demorados e naturais, exigindo tempo para que as feridas sejam fechadas e se consiga dar risada novamente.

A nova terra é um estado de consciência mais elevado, onde se desperta a verdadeira natureza espiritual do ser humano evoluído, que assume a responsabilidade da cocriação da própria realidade. Ele entende que é um com o todo, que há Deus nele. Sai de um estágio instintivo animalesco e se torna um criador da própria realidade, seja em espírito ou utilizando um corpo físico. Portanto, deixemos a energia benfazeja da nova terra envolver a nossa mente, o nosso espírito e o nosso coração no movimento da transição planetária.

Obs: O subtítulo da coluna de hoje, “conhece-te a ti mesmo”, é um apanhado do pensamento de Eckhart Tolle no livro “Um Novo Mundo – O Despertar de uma Nova Consciência”. Recomendo a todos que se identificam com os artigos da Coluna a leitura dessa maravilhosa obra.


Carlos Castro

Carlos Castro cursou Jornalismo no Ielusc, tem forte formação sindical e já trabalhou em diversas emissoras de rádio de SC. Liderou movimentos sociais, partidários e hoje é colunista do Chuville Notícias. Sua coluna semanal "Mentalidade Consciente" traz reflexões fundamentadas que servem de inspiração para a sociedade frenética atual. Contato: castrorevival@gmail.com