MENTALIDADE CONSCIENTE: Carl Jung e os sinais do FIM de um Ciclo de Dissolução do Ego!
A coluna desta semana mostra os quatro principais sinais de que o ego está se dissolvendo, quando suas certezas perdem completamente o sentido e tudo que era sólido se desmancha no ar.
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Na busca pelo entendimento sobre as raízes que motivaram a minha vida virar do avesso aos 54 anos, canais extraordinários do Youtube começaram a pulular nas recomendações de vídeos em minha Timeline.
Um destes é o Canal PSICOSMOS que trata sobre individuação, autoconhecimento e controle energético, balizado pela psicologia junguiana, a psicanálise em sintonia com a espiritualidade, mergulhando em arquétipos, inconsciente, integração da sombra e no caminho da individuação.
O foco é guiar seus seguidores a despertar seu EU superior ou espiritual para viver com mais consciência e propósito. Portanto, recomendo a incursão dos leitores da Coluna que estão em busca de respostas. O artigo abaixo será uma mistura de transcrição com minhas impressões e absoluta concordância com o conteúdo de um de seus vídeos.
A implosão das certezas e o silêncio como alternativa!
Existe um tipo de silêncio que não vem de fora. Ele nasce dentro de você, num lugar que antes estava ocupado por convicções, porém, algum advento inesperado, numa manhã qualquer, implode suas certezas. O seu EU desmorona e você fica sem chão, perdido, elucubrando sobre rumos a serem tomados. No horizonte, um deserto emocional e psíquico para atravessar, sem enxergar, num primeiro momento, qualquer oásis. Suas certezas perdem completamente o sentido e tudo que era sólido se desmancha no ar.
Seus valores, ambições, sonhos, seus relacionamentos mais íntimos não lhe pertencem mais. Passados alguns meses, ao olhar para trás, não se reconhece mais e ao olhar para frente, tudo parece estar embaçado sem ter onde se agarrar.
Me encontro neste patamar, ausente, vazio, com minha versão anterior desfalecendo e no processo de construção de um novo EU.
Carl Jung dizia que existe uma morte que acontece em vida, uma morte necessária. E se você está aqui lendo isso, pode ser porque está justamente no limiar de uma transformação, no fim de uma temporada de dissolução do ego. Então, é preciso saber que o que estamos sentindo não é colapso, é reorganização. Isso para mim é um alento.
Para entender essa passagem mutante, vamos mergulhar no conhecimento desse autor extraordinário da psicologia analítica, explorando quatro sinais profundos que encerram esse ciclo brutal e sagrado. Reconhecer o fim da dissolução do EGO é tão importante quanto atravessá-la. É o que separa a confusão da clareza, o caos da integração.
A dissolução do EGO para Carl Jung!
Antes de falarmos dos sinais, precisamos entender o que realmente significa dissolução do ego dentro da psicologia junguiana, porque esse termo foi banalizado, virou jargão espiritual vazio. Ao falar sobre isso, Jung descrevia um dos processos mais dolorosos e transformadores da psique humana. O ego na visão junguiana não é o vilão. Ele é a estrutura que organiza sua consciência. É o EU que você apresenta ao mundo, a identidade construída para navegar na realidade.
O problema surge quando esse ego se torna rígido demais, quando ele confunde a máscara com o rosto, quando você acredita que é apenas aquilo que outros esperavam, que o seu trabalho define, que a sua imagem social projeta. Jung chamava essa máscara de persona e durante anos, décadas, às vezes, você vive através dela, até que algo dentro de você começa a gritar, um chamado vindo das profundezas, o que Jung chamava de SELF, o centro verdadeiro, mais amplo, mais autêntico da sua totalidade psíquica. A dissolução do ego acontece quando o self exige espaço, quando sua psique não aguenta mais a prisão da identificação limitada. E então começa um processo de desconstrução.
As crenças que você nunca questionou começam a rachar. Os papéis que você desempenhava com maestria deixam de fazer sentido. As pessoas que você amava se afastam, o amor que sentia, arrefece, você é abandonado porque a frequência mudou. Isso não é depressão comum. Não é crise existencial passageira, é uma morte psicológica.
Jung dizia que para que o ouro filosófico pudesse emergir, era necessário passar pela Nigredo, a fase de escuridão, putrefação, onde tudo se desfaz. Só assim a transformação alquímica acontece. E para seguir essa Coluna, provavelmente você já atravessou essa fase, sentiu o peso da desidentificação e já chorou sem entender ou entendendo os porquês. Já olhou no espelho e viu um estranho olhando de volta.
Mas a boa notícia que Jung nos apresenta é que essa temporada tem um fim. A dissolução não é eterna. Ela é cíclica, processual. E quando você está chegando ao fim dela, sua psique começa a emitir sinais, mensagens sutis de que a reorganização já começou, de que o self está prestes a emergir com mais força, clareza e autenticidade. Vamos aos sinais.
Sinal um da dissolução do EGO!
Você para de lutar contra o vazio. Durante a dissolução, existe uma luta interna constante. Você tenta preencher o vazio com distrações, com explicações racionais, com novas identidades emprestadas. Tenta voltar a ser quem era. Força sorrisos, retoma velhos hábitos na esperança de que eles tragam de volta algum senso de normalidade. Mas quando você está chegando ao fim dessa temporada, algo muda.
Você para de lutar. Não por desistência, mas por aceitação. O vazio deixa de ser um inimigo e se torna um espaço sagrado onde algo novo pode germinar.
Jung falava sobre o conceito de função transcendente, a capacidade da psique de integrar opostos. Durante a dissolução, você estava preso entre quem você era e quem você está se tornando. A tensão era insuportável, mas no fim do processo, você aprende a habitar esse espaço intermediário, a não preencher compulsivamente, a confiar no vazio.
Busquei consertar o que sentia na leitura de livros, assistindo vídeos, pensando, refletindo, porém, numa noite simplesmente sentei com o vazio, sem tentar mudá-lo, sem rotulá-lo e, pela primeira vez em bom tempo, senti algo parecido com paz. Não era felicidade, era presença. O silêncio, indelével, me tocou e me acalmou. Não há mais busca por entretenimento. Há busca por conhecimento, por sabedoria, por amor incondicional. Sinto meu EGO se dissolvendo e me integrando a algo que ainda não consigo explicar.
Quando paramos de lutar contra o vazio, ele revela sua verdadeira natureza, potencialidade. É como terra fértil após a queimada. Nada cresce ainda, mas tudo pode crescer. E você sente isso, uma abertura, uma receptividade ao novo.
Sinal dois da dissolução do EGO!
Antigas estruturas mentais não provocam mais reação emocional. Durante a dissolução, sentimos uma dor aguda ao perceber o quanto vivemos no piloto automático. Cada memória de quando fingíamos, cada momento em que traímos nossa essência por aprovação externa, tudo isso volta como um golpe no peito. Mas quando está chegando ao fim, essas mesmas memórias perdem a carga emocional. Olhamos para trás e não sentimos raiva, nem culpa, nem vergonha. Vimos os padrões com clareza, mas sem identificação. É como assistir a um filme sobre outra pessoa.
Jung chamava isso de desidentificação consciente.
O passado não é reprimido, não é justificado, simplesmente reconhecemos que aquela estrutura mental, aquele jeito de pensar, de reagir, de se proteger, não é mais nosso. Ela foi necessária, foi real, mas agora está obsoleta.
As coisas que antes te causavam gatilho, agora apenas informam. Conseguimos revisitar velhas crenças, velhos relacionamentos, velhos objetivos e apenas notar, isso não é mais meu, sem necessidade de destruir, explicar ou se justificar.
Essa neutralidade emocional não é frieza, é maturidade psíquica. Recuperamos a energia que estava presa no passado e essa energia se torna disponível para construir algo novo, alinhado com quem realmente somos agora.
Sinal três da dissolução do EGO!
Quando o ego se dissolve, se perde o interesse por quase tudo. Hobbies antigos parecem infantis. Conversas superficiais se tornam insuportáveis. Até mesmo relações que valorizávamos começam a parecer encenações. Nos isolamos não por escolha, mas porque genuinamente não encontramos mais ressonância no mundo externo em que vivíamos. Mas quando estamos chegando ao fim dessa temporada, algo novo começa a surgir, uma atração diferente, não baseada em ego, em status, em validação, mas em essência. Sentimos uma curiosidade magnética por coisas que antes nem estavam no seu radar. Surge um novo tipo de atração por pessoas, ideias e lugares.
Após a Nigredo, vem a Albedo, o clareamento, o despertar de uma nova consciência, acompanhada de uma percepção refinada.
Nos tornamos seletivos de um jeito nunca ocorrido antes, não por elitismo, mas por discernimento, porque sabemos num nível profundo o que alimenta nossa alma e o que apenas drena nossa energia.
Eu comecei a notar isso quando passei a ler filosofia antiga, Sócrates, Platão, Aristóteles, os Estoicos, bem como o Taoismo, autores holísticos como Fritjof Capra e místicos como Helena Blavatsky. Eu ansiava pela alquimia espiritual em minha vida. Isso me obrigou a selecionar com quem conversar diálogos pesados e profundos, nada epidérmicos. Isso criou um patamar diferente de ressonância, alterando a frequência vibratória e criando barreira energética com as pessoas de meu convívio. Não havia mais conexão entre nós. É muito provável que me tornei chato para alguns amigos.
Observei estar sendo guiado por uma bússola interna mais precisa, com certas pessoas, livros, práticas e lugares, aparecendo em minha vida de forma quase sincrônica. Por isso, ao invés de forçar encaixe, simplesmente permito que essa nova configuração se forme naturalmente.
Essa nova atração é o self mostrando o caminho. Não é mais o ego tentando impressionar ou se proteger. É a nossa totalidade psíquica dizendo isso. Sim faz parte de quem estamos nos tornando. E quando seguimos essa atração, aceleramos a integração.
Sinal quatro da dissolução do EGO!
Durante a dissolução, a incerteza é o inferno. O futuro é um buraco negro e você se sente paralisado entre o que foi e o que ainda não é. Mas quando você está chegando ao fim, a incerteza ganha uma bela cor. Ela deixa de ser ameaça e se torna mistério. Você ainda não sabe para onde vai, ainda não tem respostas definitivas, mas existe uma confiança não no destino, não em garantias externas, mas no processo, na sua capacidade de navegá-lo.
Jung falava sobre o conceito de individuação, o processo de se tornar quem você realmente é, integrando consciente e inconsciente. E um dos sinais de que a individuação está acontecendo é justamente a paz diante do não saber. Porque você percebe que não saber não é fraqueza, é abertura. É deixar que a vida te surpreenda ao invés de forçar respostas prematuras.
Repare se você consegue dizer não sei sem angústia, se você consegue viver um dia de cada vez sem sentir que está perdendo controle.
Se a pergunta “quem eu sou”, te inspira uma curiosidade suave, essa calma é o alicerce da nova estrutura psíquica. Você não está mais dependente de certezas externas para se sentir seguro. Sua segurança vem de dentro do self. E é a partir desse lugar que a verdadeira criação começa. Não a partir do medo, mas da confiança no desdobramento natural da sua jornada. Se reconheceu esses sinais, respire fundo, porque isso significa que ao invés de estar perdido, está chegando. O fim da dissolução do ego não é o fim da transformação, é o começo da integração.
Jung dizia que o objetivo da vida não é a perfeição, mas a completude de abraçar todas as partes de você, a luz e a sombra, o conhecido e o desconhecido, o que foi e o que ainda será. A dissolução foi necessária para que pudéssemos nos libertar das versões falsas de nós mesmos.
Agora, o que emerge é mais real, mais íntegro, mais alinhado com a totalidade do nosso ser. Você não volta a ser quem era. Você nunca volta, mas também não fica perdido para sempre. O que vem depois da dissolução é uma reconstrução consciente, uma vida que escolhemos viver não porque é esperada, mas porque é verdadeira.
E se ainda há dias em que sente o vazio, lembre-se, ele não é o fim. Ele é o espaço onde o self respira, onde a alma se reorganiza, onde o seu novo EU já está nascendo, mesmo que ainda não tenha nome e aparência. Você atravessou o deserto, avistou o oásis e agora a terra fértil te espera, não para plantar o que os outros querem ver crescer, mas para cultivar aquilo que só você pode trazer ao mundo. Lembre-se, a dissolução é temporária, mas o nosso SER é eterno. Então simplesmente seja.

Carlos Castro
Carlos Castro cursou Jornalismo no Ielusc, tem forte formação sindical e já trabalhou em diversas emissoras de rádio de SC. Liderou movimentos sociais, partidários e hoje é colunista do Chuville Notícias. Sua coluna semanal "Mentalidade Consciente" traz reflexões fundamentadas que servem de inspiração para a sociedade frenética atual. Contato: castrorevival@gmail.com










