Empresas de Joinville seguem apreensivas com o tarifaço de Trump
Dois dias após o início da vigência das tarifas de exportação, empresas da cidade ainda não falam em medidas mais drásticas, como corte de empregos. .
A entrada em vigor do pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras em 6 de agosto já provoca impactos em diversos setores econômicos do Brasil, incluindo Santa Catarina e Joinville, maior economia do estado.
O Núcleo de Negócios Internacionais (NNI) da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) acompanha a situação com preocupação. A medida afeta a indústria exportadora local, principalmente os setores metalmecânico, autopeças, elétrico, têxtil, plásticos e químico. A vice-presidente do Núcleo, Carolina Botelho, explica que o aumento tarifário encarece o produto brasileiro e o torna menos competitivo, o que pode resultar em redução de pedidos, perda de contratos e impacto no nível de emprego.
Já a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC) se manifestou, dizendo estar acompanhando e interagindo com os poderes constituídos para “mitigar os reflexos negativos” que os setores produtivos estão sentindo.
A FCDL/SC, que representa o Movimento Lojista catarinense, ressaltou a necessidade de “serenidade e disposição genuína” dos governantes para reconhecer erros, corrigir os rumos e restabelecer a normalidade institucional. A entidade alerta que, caso não haja uma ação coordenada, a sustentabilidade de milhares de empresas e milhões de famílias brasileiras pode ser colocada em risco. O presidente da FCDL/SC, Onildo Dalbosco Júnior, afirma que a federação está reivindicando este caminho em prol dos setores produtivos de Santa Catarina.
O tarifaço após dois dias em vigor
O aumento de 50% nas tarifas, anunciado pela administração Trump, atinge principalmente produtos industriais e do agronegócio, com cerca de 77,8% das exportações brasileiras para os EUA sujeitas a alíquotas elevadas, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). As tarifas elevadas reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, que era o segundo maior destino das exportações do Brasil em 2024, respondendo por aproximadamente 12% do total exportado.
Os setores mais afetados incluem siderurgia, veículos, autopeças, vestuário, máquinas, têxteis, alimentos, químicos, couro e calçados, além de commodities como aço, alumínio e cobre. Por outro lado, o governo dos EUA listou algumas exceções, como suco de laranja, celulose e petróleo.
Os efeitos econômicos já observados apontam para uma queda na produção voltada para exportação, o que pode levar à perda de empregos e menor renda, impactando o consumo interno. O excedente desses produtos no mercado interno pode pressionar por uma redução de preços, caso não sejam realocados para outros mercados como China e Europa.
Alguns economistas também têm apontado uma grande lição aprendida com o tarifaço: o Brasil precisa diversificar seu mercado, deixando de depender em grande parte dos Estados Unidos. Neste aspecto o presidente Lula tem acertado ao se aproximar mais fortemente do mercado asiático, como a China e do mercado europeu, como a França.
O Chuville Notícias procurou algumas das grandes empresas situadas em Joinville, como Tupy, Nidec e Whirlpool, afetadas diretamente pelas tarifas de exportação. Por meio de nota, apenas a Tupy disse estar alinhada à sua entidade representativa e ao “princípio do multilateralismo”. No momento ninguém comenta em corte de empregos ou redução de investimentos.

Leandro Schmitz
Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.






