Batalha de Rimas ocupa praça e fortalece a cultura Hip Hop na Zona Sul de Joinville
Movimento independente reúne jovens semanalmente para duelos de freestyle em vários pontos da cidade, sobretudo na zona sul; organizadores destacam o papel do rap como ferramenta de expressão e "válvula de escape" para a periferia.
Imagem retirada de vídeo da batalha na zona sul.
Quando a noite cai na Zona Sul de Joinville, uma praça pública se transforma em arena. Não há estruturas complexas, ingressos ou patrocínios milionários — apenas uma roda de pessoas, caixas de som e microfones abertos. É nesse cenário que acontece a Batalha de Rimas, um movimento de resistência cultural que vem ganhando força na cidade.
A reportagem do Chuville Notícias foi conferir de perto a dinâmica desses encontros, onde MCs duelam com versos improvisados, arrancando aplausos e gritos da plateia a cada resposta afiada.
Cultura na base da raça
Segundo os organizadores, o evento nasce da necessidade de ocupar espaços onde o Estado muitas vezes não chega com opções de lazer. "A gente está aqui promovendo cultura justamente onde não tem investimento. Trazemos isso principalmente para os jovens, mas toda a população pode comparecer", explica um dos participantes.
O evento é realizado de forma totalmente independente. "Não ganhamos nada, é só o nosso esforço mesmo. Não tem ninguém patrocinando, é só pelo amor à cultura", completa, reforçando o caráter voluntário e apaixonado de quem mantém a roda girando.
"Sobrevivência" e voz ativa
Mais do que entretenimento, a batalha assume um papel social fundamental. Nas rimas, surgem temas que refletem a realidade de quem vive nas áreas mais afastadas do centro. Como destaca um dos entrevistados na reportagem, ali as pessoas "falam sobre a sua sobrevivência", transformando as frustrações do dia a dia em arte.
"A gente está aqui para mostrar que a gente existe. Que as zonas marginalizadas, as zonas periféricas, elas pensam, coexistem e conseguem se organizar de forma artística", afirma um MC, reivindicando o direito ao pensamento crítico e ao freestyle como esporte mental que exige técnica e responsabilidade.
O Rap como salvação
Entre um duelo e outro, fica evidente o impacto pessoal que o Hip Hop tem na vida dos participantes. Para muitos, a batalha funciona como uma terapia coletiva. "Às vezes a mente da pessoa não está bem, e ela pode vir na batalha descarregar", relata um frequentador.
Outro MC foi categórico ao definir o movimento em uma palavra: salvação. "O rap me salvou de muita coisa. Foi uma válvula de escape para eu me sentir alguém hoje em dia".
Como participar
A Batalha de Rimas da Zona Sul é democrática: não há pré-requisitos para participar. Basta chegar, ter coragem e pedir a vez. A organização reforça que o espaço é aberto para todos — "criança, cachorro, idoso, pai e mãe" — e convida a comunidade a fortalecer a cena local.
Assista à reportagem completa com os duelos no nosso Canal do Youtube - Inscreva-se!

Leandro Schmitz
Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.








