/apidata/imgcache/b9f6187f7bf380bb1a5014cd42154bfd.jpeg?banner=top&when=1769461424&who=6

Prefeitura mantém pregão da Saúde sem divulgação no Portal da Transparência

Processo para terceirização das recepções das unidades de saúde segue sem ata de julgamento, apesar de propostas encerradas desde setembro de 2025.

Atualizado em 26/01/2026 às 15:01, por Fagner Ramos.

Imagem mostra a recepção de uma unidade básica de saúde. O ambiente é amplo, iluminado e organizado, com várias cadeiras azuis dispostas em fileiras para espera. Ao fundo, há balcões de atendimento com computadores e cadeiras giratórias. Próximo às portas internas, um pequeno grupo de profissionais conversa, alguns usando jalecos brancos. Nas paredes aparecem identificação do SUS e da Prefeitura de Joinville, além de quadros informativos. Há ar-condicionado, lixeira e dispenser de álcool em gel.

Foto: Arquivo Chuville

A Prefeitura de Joinville mantém sem divulgação no Portal da Transparência informações essenciais de um pregão eletrônico que trata da terceirização das recepções das unidades de saúde do município. 

O Pregão Eletrônico nº 399/2025, aberto em 2025, teve as propostas finalizadas em setembro do ano passado, mas até janeiro de 2026 não apresenta ata de julgamento nem qualquer atualização pública sobre a classificação das empresas participantes.

Fontes ligadas a uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) relatam que a empresa Phenix, atualmente responsável pelas recepções, estaria sendo substituída por outra empresa conhecida no ramo de terceirizações na cidade.

/apidata/imgcache/8c69ec5b96e20a6aa87f5eb4f3636fd1.png?banner=postmiddle&when=1769461424&who=6

A ausência do documento contraria o princípio da publicidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal, e levanta questionamentos sobre o cumprimento da Lei nº 14.133/2021, a chamada Nova Lei de Licitações. 

A legislação estabelece que os atos do processo licitatório devem ser públicos e acessíveis, justamente para garantir transparência e controle social sobre o uso de recursos públicos.

Ao consultar o Portal da Transparência, a reportagem identificou que o pregão permanece com status de “aberto”, sem a inclusão da ata de julgamento, que deveria informar os nomes das empresas participantes, suas colocações e os valores apresentados. Não há, tampouco, novos documentos ou despachos adicionados ao processo desde o encerramento da fase de propostas.

/apidata/imgcache/5b8b731015dd2ab2ac3d5021bbd027b5.png?banner=postmiddle&when=1769461424&who=6

Juristas especializados em direito administrativo ouvidos pela reportagem avaliam que a falta de divulgação compromete a transparência do certame. O advogado Ricardo Bretanha, que já atuou em ações envolvendo processos administrativos da Prefeitura de Joinville, aponta que a não publicação da ata de julgamento fere diretamente a Lei nº 14.133/21. Outro advogado da área, que preferiu não se identificar, compartilha da mesma avaliação.

Procurada, a Secretaria de Administração e Planejamento informou, por meio de nota, que “conforme a legislação vigente, o termo de julgamento é publicado apenas após a confirmação de que a empresa atende a todos os requisitos do edital”. Segundo a pasta, no caso do Pregão nº 399/2025, a Prefeitura está analisando a proposta da terceira empresa arrematante, já que as duas primeiras não atenderam aos critérios do edital.

/apidata/imgcache/6db7471e1554bc6e2d58b1d1a95972bf.jpeg?banner=postmiddle&when=1769461424&who=6

A nota, no entanto, não especificou qual dispositivo legal sustenta a não divulgação da ata durante a fase de análise, nem esclarece por que o histórico do processo permanece indisponível no Portal da Transparência, mesmo após meses do encerramento da etapa de propostas.

Especialistas ressaltam que a publicidade dos atos administrativos não é opcional e constitui um dos pilares da administração pública, ao lado da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. Em processos que envolvem serviços essenciais, como a saúde, a ausência de informações públicas fragiliza a fiscalização por parte da sociedade e dificulta o acompanhamento do andamento do certame.

/apidata/imgcache/d85c9811ff4529c3ccdef940b0358965.jpeg?banner=postmiddle&when=1769461424&who=6

Recepções terceirizadas são alvo constante de polêmicas

Há pelo menos dois anos, a reportagem do Chuville vem noticiando polêmicas envolvendo serviços terceirizados de recepção nas UPAs da cidade. Em 2024, profissionais da UPA Sul, como enfermeiros e servidores administrativos, relataram ser comum o trabalho da recepção ser substituído por alguém da equipe de carreira, devido a faltas e à rotatividade constante de funcionários da empresa contratada.

A empresa gaúcha Phenix Soluções de Mão de Obra Qualificada venceu o certame lançado em 2023 para realizar o serviço de recepção nas unidades de pronto atendimento, com um contrato de cerca de R$ 20 milhões.

Em 2025, a empresa ameaçou paralisar as atividades sob a justificativa de falta de reajuste contratual com a prefeitura. A empresa não deixou claro o que de fato aconteceria, ao mesmo tempo em que a prefeitura informava que o reajuste seguia os parâmetros da inflação apontada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Na época, a conta total do investimento público em serviço terceirizado com a Phenix ultrapassava R$ 25 milhões, cinco a mais do que o estipulado no fechamento do contrato.


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).