Pierre Porto: Joinville precisa conversar sobre o setor da Cultura; VEJA OUTROS DESTAQUES
A coluna traz nessa edição uma nota sobre a necessidade de ampliar o debate das mudanças na Lei do SIMDEC; entre outros destaques.
Joinville precisa conversar sobre o setor da Cultura
A nota do Cineclube Outubro publicada nos últimos dias nas suas redes traz a todos nós, das Artes e da Cultura em Joinville, um alerta: precisamos nos mobilizar. (Ver no Instagram
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Só para relembrar, a Lei do SIMDEC – Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura – existe desde 16 de dezembro de 2005 (Lei nº 5.372).
Ela foi criada para incentivar a produção de projetos culturais na cidade e se divide em duas frentes: o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura, com repasse direto de recursos da Prefeitura para execução de projetos, e o Mecenato Municipal, em que empresas usam renúncia fiscal para apoiar projetos.
Podem se inscrever nos editais: Pessoas Físicas – artistas, produtores, artesãos e trabalhadores da cultura maiores de idade com residência em Joinville; e Pessoas Jurídicas – empresas culturais, associações, cooperativas, MEIs ou coletivos com CNPJ ativo e sede em Joinville. Em algumas modalidades, como no Fundo (FMIC), exige-se PJ sem fins lucrativos.Entre os temas em debate hoje está o Projeto de Lei Ordinária nº 196/2025, do Executivo, que reformula o SIMDEC para adequar a legislação local ao novo Marco Regulatório do Fomento à Cultura (Lei Federal nº 14.903/2024).
Entre os pontos mais polêmicos está a divisão de recursos, que hoje é de 50% para o Fundo e 50% para o Mecenato, e que pode passar para 80% para o Mecenato e apenas 20% para o Fundo.
Para ampliar a leitura, resgato trecho do texto do jornalista Leandro Schmitz, no Chuville Notícias, de 18/08, que resume bem o impasse: “A principal insatisfação do setor gira em torno do desequilíbrio na divisão de verbas do fomento.
O PL 196/2025 altera drasticamente essa balança, destinando 80% do montante ao Mecenato e apenas 20% ao Fundo. Para a classe artística, a mudança desfavorece iniciativas periféricas, pequenos coletivos e produtores independentes, que dependem diretamente dos editais públicos do Fundo por não possuírem penetração comercial junto a grandes patrocinadores corporativos.” (https://chuville.com/noticia/setor-cultural-de-joinville-preocupado-com-nova-proposta-do-simdec )
Ao mesmo tempo, é preciso entender que uma lei com mais de 20 anos não garante apenas cultura – ela movimenta a economia de pequenos negócios e gera renda há muito tempo.
Por isso, os assuntos da cultura nessa cadeia produtiva são de interesse de toda a comunidade e precisam ser compreendidos em sua amplitude e levados exaustivamente ao debate.
O presidente do CMPC – Conselho Municipal de Política Cultural, Sandro Silva, disse na segunda-feira (08/09) à coluna que “o Conselho tem hoje uma comissão para discutir internamente as reformulações da lei atual do SIMDEC. O trabalho precisa de total transparência junto à comunidade, também é importante que o movimento do setor faça o debate para a decisão final do rito da Câmara de Vereadores, por se tratar de Lei”.
Conversei esta semana também com outras lideranças da Cultura e já há movimentação para organizar um grande encontro do setor para tratar do tema, especialmente do 80% - 20%.
Entendo que associações artísticas históricas, coletivos e instituições que representam as identidades culturais da cidade devem promover esse debate sobre as novas alterações do SIMDEC, assim como toda a comunidade envolvida no fazer artístico e na Economia Criativa, ouvindo os setoriais do Conselho, e que o Conselho traga o sentimento da base.
Que seja uma oportunidade de avanço para o setor e para a cidade como um todo.
Joinville merece e precisa de uma cena pulsante, que reconheça suas manifestações artísticas, o direito à cultura, uma economia forte nesse setor e um fazer democrático.

Galeria 33 exibe orbra-prima do cinema da Armênia nesta quarta
Vamos ao cinema! E dos bons!
A Sala de Cinema da Galeria 33, em Joinville, recebe nesta quarta-feira (9), "A Cor do Romã" (1969), do cineasta armênio Sergei Paradjanov, um dos filmes mais singulares e revolucionários da história daquele país.
A sessão inicia às 19h30 e tem entrada gratuita.
Muito mais do que uma biografia do poeta e trovador armênio Sayat Nova, o filme transforma sua trajetória em uma experiência visual de rara intensidade.
Em vez da narrativa convencional, Paradjanov constrói uma sucessão de imagens de extraordinária força plástica, organizadas como verdadeiros quadros vivos, onde símbolos, cores, objetos, tecidos, gestos e rituais compõem uma linguagem cinematográfica absolutamente original. O resultado é um cinema que se aproxima da pintura, da poesia e da liturgia, rompendo radicalmente com as convenções narrativas do cinema clássico.
A expressão da cor em Em A Cor do Romã, deixa de ser apenas um elemento estético para tornar-se matéria expressiva. Ela conduz o espectador por um universo onde memória, espiritualidade, história e criação artística se entrelaçam em uma sucessão de imagens de poderosa carga simbólica.
Ao mesmo tempo, Paradjanov preserva a materialidade dos objetos e das texturas, fazendo com que tecidos, instrumentos, manuscritos e utensílios antigos adquiram uma presença quase escultórica diante da câmera.
Reconhecimento
Reconhecido como uma das grandes obras do século 20, o filme permanece uma referência incontornável para cineastas, artistas visuais, fotógrafos e estudiosos da imagem. Sua influência atravessa diferentes linguagens artísticas e continua a desafiar a maneira como pensamos o cinema, demonstrando que a imagem pode comunicar muito além das palavras.
Quando: 9 de setembro
Hora: 19h30
Onde: Galeria 33, Rua Bento Gonçalves, 33, Glória.
Entrada gratuita. Retire seu ingresso via Sympla.

Teatro Playback, da Dionisos, no México, no ano que vem.
A Dionisos Teatro está em cartaz com o Teatro Playback no nesse segundo semestre com uma série de apresentações com o intuito de arrecadar fundos para participar da próxima Conferência Internacional de Teatro Playback, que acontecerá na cidade de Cholula, no México em 2027.
Ajude na campanha, vamos ao Playback
As apresentações serão sempre às 20h no Galpão de Teatro da AJOTE nas seguintes datas: (já formam apesentadas em agosto e setembro) 18/10 (domingo), 14/11 (sábado) e 19/12 (sábado).
Os ingressos serão vendidos no valor de R$ 30,00
DIONISOS TEATRO PLAYBACK
A partir do projeto de mestrado da atriz Clarice Steil Siewert, a Dionisos Teatro começou a praticar o Teatro Playback em 2008 com levando-o para os mais diversos espaços.
Com atores e músicos experientes, a Dionisos Teatro oferece um trabalho que, seguindo sua trajetória de 29 anos, prima pela qualidade artística e pelo encontro com o público.
O QUE É O TEATRO PLAYBACK
O Teatro Playback (ou Playback Theatre, como é conhecido mundialmente) é uma forma teatral em que os atores, com a mediação de um condutor, encenam / improvisam histórias contadas por pessoas da plateia. Este formato foi idealizado e desenvolvido por Jonathan Fox e Jo Salas, em 1975, nos Estados Unidos. Atualmente, o teatro playback é praticado em mais de 60 países.
Numa apresentação de Teatro Playback, as pessoas são convidadas a contribuir mais ativamente com a experiência teatral, contando suas histórias, escolhendo os atores para representar os personagens e assistindo essa história ser recontada de forma artística. É criado então um espaço íntimo, onde as pessoas podem rir e chorar, compartilhando suas histórias, criando um diálogo através da arte.
O Teatro Playback se constitui numa prática que pode abranger experiências artísticas, de socialização e de pertencimento, porque carrega em seu bojo a ideia de arte como necessidade humana de encontro e comunhão.
FICHA TÉCNICA
Integrantes: De Deco Malena, Clarice Steil Siewert, Silvestre Ferreira e Vinícius José
Figurino: Daniel Olivetto
Cenário: O grupo
Canções: De Deco Malena e Vinícius José
Arte Gráfica: Ismael Ramos
Fotografia: Fabrício Porto

Kênia Clube é Patrimônio Cultural
A Sociedade Kênia Clube comemorou em sua tradicional sede da rua Botafogo, em Joinville, seus 66 anos e o Título (Outorga) de Patrimônio Cultural Imaterial de SC.
A Sociedade Kênia Clube destaca-se como um dos mais importantes pontos de encontro e valorização da cultura negra em Santa Catarina, indo além de rodas de samba e ensaios carnavalescos, mantendo viva a força, a alegria e a história da comunidade.
Trajetória
O reconhecimento estadual consolida a trajetória da entidade, que já possui o registro de Patrimônio Imaterial do Município de Joinville e, agora, passa a ter seu valor cultural, social e histórico chancelado em âmbito estadual.
A honraria celebra a contribuição fundamental da Sociedade Kênia Clube para a preservação da memória, da identidade e da salvaguarda das tradições negras catarinenses.
A solenidade contou também com a presença de Maria Teresinha Debatin, presidente da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Reconhecimento e homenagens
Além da titulação oficial como Patrimônio Imaterial do Estado, a cerimônia de aniversário foi marcada pela criação e entrega de duas honrarias inéditas destinadas a homenagear personalidades que fortalecem o legado do clube e a luta antirracista na região:
- Honraria Luiz Gama
- Honraria Antonieta de Barros
Sobre a Sociedade Kênia Clube
A Sociedade Kênia Clube fundada em 6 de setembro de 1960 por um grupo de amigos negros diante da inexistência de opções de lazer e da forte exclusão étnica da época, a Sociedade Kênia Clube consolidou-se na Zona Sul de Joinville, região historicamente marcada pela ocupação da população negra.
Após anos operando em espaços alugados, a dedicação de seus sócios e diretores garantiu a aquisição da sede definitiva na Rua Botafogo, no bairro Floresta, transformando a instituição em um importante símbolo de sociabilidade, preservação cultural e afirmação da identidade na sociedade joinvilens
https://www.instagram.com/keniaclube/
Saudações culturais!
Obrigado pela leitura!










