OPINIÃO: Projeto de vida no ensino médio – de documentos oficiais às salas de aula reais
Por Raianni Xavier, Mestranda da UDESC, em parceria com os professores Israel Aparecido Gonçalves e Alex Bellucco. .
A reformulação do Ensino Médio, estabelecida pela aprovação da Lei 13.415/2017, coloca o componente projeto de vida como uma peça central na formação dos jovens estudantes. Inclusive, a BNCC propõe a educação integral como forma de superar a fragmentação do conhecimento – atualmente assentado em disciplinas distintas e isoladas.
A questão é: se a preocupação dos documentos que norteiam a educação está na formação de jovens cidadãos aptos a atuar de forma holística na sociedade e na idealização da própria vida, quem se preocupa com a capacitação daqueles que formam esses jovens?
Uma coisa é certa, o Ministério da Educação tentou formular diretrizes para a elaboração de materiais didáticos para o componente Projeto de Vida com o modelo básico de “Orientação pedagógica para trabalho com Projeto de Vida”; alguns estados como Minas Gerais, Maranhão, ou mesmo, Santa Catarina criaram cadernos específicos para esse componente, dispondo também de proposta de socialização das atividades desenvolvidas pelos professores do Ensino Médio; e algumas universidades e secretarias têm promovido workshops e oficinas nessa direção.
No papel, parece haver um grande esforço. Mas na prática – como é possível observar nos trabalhos acadêmicos publicados nos últimos anos – destacam-se a falta de metodologia específica para esse componente curricular. As formações de curta duração, oficinas superficiais e cadernos prontos também não auxiliam a dar profundidade nas discussões sobre as estratégias metodológicas fundamentadas em teorias educacionais que promovam a formação integral dos estudantes por meio do Projeto de Vida.
O risco decorrente da falta de preparo dos profissionais – que de modo algum devem ser culpabilizados por isso, já que a elaboração de uma nova base norteadora dos currículos foi introduzida sem ao menos pensar na capacitação prévia dos mesmos – é transformar a proposta em mais uma disciplina desconexa e preocupada com escolhas profissionais, sem aprofundamento crítico e contextualizado.
Muitos docentes não tiveram preparo para lidar com temas de autoconhecimento, cidadania e profissionalização. Ademais, pouco se ensina sobre a mediação pedagógica necessária para um componente tão importante e que se coloca como central na formação.
Nesse sentido, fica a cargo dos pesquisadores tentar estabelecer relações entre a prática pedagógica cotidiana e as melhores teorias que ajudam a fundamentar essa ação docente. Para essa questão, uma sugestão necessária, como estabelecida no trabalho “Projeto de Vida e Formação Docente: ‘A Sociedade que Queremos’ como proposta de atividade alicerçada no construtivismo”, é necessária uma formação consistente para que as diretrizes sejam transformadas em ações críticas e contextualizadas; espaços de diálogos e mediação do professor.
* Este artigo também teve autoria do professor doutorando da UFSC, Israel Aparecido Gonçalves e do professor doutor Alex Bellucco.

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