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MENTALIDADE CONSCIENTE: A alienação e o cuidado para não sermos vítimas de “verdades” manipuladas

Em tempos de bolhas digitais e falsos profetas, a análise da coluna desta semana convida a separar o joio do trigo através do método de Descartes e da vigilância de Jesus, alertando que a caridade sem leitura crítica da realidade é uma fé incompleta.

Atualizado em 13/02/2026 às 12:02, por Carlos Castro.

No centro, uma figura serena representando Jesus emerge de uma árvore cujas raízes e galhos se misturam a circuitos tecnológicos e luz espiritual. Isso simboliza a conexão entre os ensinamentos milenares e a era da física quântica.

O Intelecto Elevado: Acima da árvore, há um cérebro brilhante com um ponto de interrogação centralizado, ladeado pelas palavras

Imagem gerada por IA.

Tenho observado nos vídeos de entrevistas com alguns gurus espiritualistas um certo nível de alienação sobre as verdades sociais do mundo. É necessário que busquemos as verdades espirituais, o autoconhecimento, uma frequência vibratória adequada para alcançarmos a abundância, a prosperidade, a paz íntima e social. Mas essa busca deve estar conectada a um olhar crítico e justo. Entendo, por exemplo, que não se pode tergiversar contra a injustiça

A caridade como mero instrumento de “consciência tranquila”, “fiz minha parte”, sem a visão de profundidade sobre a exploração, sobre o que motiva e alimenta a pobreza, sobre as injustiças morais e sociais, é manca e alienada. Temos que saber fazer a leitura crítica sobre a raiz da realidade material que vivemos.   

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Jesus, como mestre, não foi complacente com a injustiça. Tratou todos com igualdade e profundo amor, dos marginalizados aos líderes do Sinédrio, bem como os centuriões romanos. Falou verdades duras na face dos fariseus e saduceus, os representantes da Igreja da época: “raça de víboras”, “hipócritas”, “sepulcros caiados”. Desceu o chicote nos vendilhões do templo. Porém, não se uniu aos zelotes e não se insurgiu contra o Poder de Roma e da Igreja. 

Jesus tinha uma consciência crítica e completamente desalienada, mas a revolução que propôs não foi social, nem armada, foi íntima. Sua mensagem e energia de amor atravessou séculos e dois milênios. Sentimos hoje, 2026 anos depois, seu toque indelével, quando oramos e meditamos, buscando essa conexão. Acredito que no atual momento da transição planetária, com o despertar da consciência espiritual e do conhecimento da física quântica, estamos preparados para absorver o seu Evangelho e compreender a sua mensagem transformadora, profundamente humanista e espiritual.                   

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Espiritualidade saudável carece da mentalidade consciente também no plano do mundo real, mesmo que conturbado por devaneios ideológicos e dissonâncias cognitivas. É bíblica a fala de Jesus sobre conhecer a árvore pelo fruto, proferida no Sermão da Montanha, o que considero como a quinta-essência do bem viver de sua filosofia. Não há como colher uvas de espinheiras, bem como colher amor de quem prega o ódio, tão em voga ultimamente.   

Há lobos disfarçados em todos os segmentos da sociedade, levando milhares de almas para as trevas pelo descuido e falta da percepção e vigilância, em tempos de separar o joio do trigo. O curioso é que cobramos e exigimos do próximo, dos outros, dos líderes, aquilo que não temos: perfeição. Portanto, no oceano das contradições, temos que enxergar com sabedoria os portos seguros, percebendo quais são os frutos de seu pomar humanista. Não é difícil, basta ficar atento.         

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O ato de duvidar levou ao “cogito ergo sun” do filósofo René Descartes   

Tenho escrito sobre a dúvida ser o motor da sabedoria e o método das pessoas inteligentes. O filósofo francês, René Descartes, teve seu momento “eureca” quando concluiu que o ato de duvidar ou pensar, confirma a existência da mente que pensa e se “Penso, logo existo”. Essa conclusão filosófica foi oriunda dele duvidar de tudo e serviu de base para o conhecimento da filosofia moderna. Em 1637, escreveu sua obra prima “O Discurso do Método”. Para o autor, a consciência é o ponto de partida da existência e do conhecimento racional.

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O carismático filósofo, Mário Sergio Cortella, como um bom sábio e provocador de ideias, em entrevista no Programa Sem Censura, na TVE Brasil, debateu sobre o problema das certezas, a ausência de dúvidas, o negacionismo e a alienação. A certeza, segundo ele, é necessária como ponto de chegada, não como ponto de partida. Se ela for ponto de partida, ela conduz ao equívoco. Nesse sentido, a ciência, por exemplo, tem a certeza como ponto de apoio, mas é a dúvida que permite criar, inovar, avançar. Esse avanço só é possível quando se é capaz de colocar a suspeita sobre as coisas.     

Chegar a uma verdade indubitável só é possível se for submetida à dúvida. Não há outro método. A dúvida e a ciência são irmãs siamesas. A busca pela verdade não pode existir sem o constante questionamento. As certezas induzem ao erro. O apreço pela dúvida faz perceber que no mundo atual, as pessoas acreditam nas maiores barbaridades sem duvidar, sem racionalidade alguma. É crença cega, sem fundamento fático. 

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O inacreditável é que muitos desses crentes se dizem cristãos e são manipulados por lobos com pele de cordeiro. Ignoram as palavras do mestre em Mateus 7:15 que alertava para o cuidado com os falsos profetas e falsos messias. Basta prestar atenção nos frutos (ações e resultados) desses líderes das trevas. Não se deixe enganar pela cantilena do ódio e da mentira. Pensemos pela nossa cabeça e com consciência, mas para isso, é preciso abandonar as bolhas envolventes das redes sociais com a máscara de pertencimento.       

Infelizmente as religiões se perderam na sua missão de preparar a humanidade para a evolução espiritual. Hoje Mamom (o dinheiro como deus) e a alienação imperam. A dúvida inexiste. Suas “verdades” são absolutas para manipular e enganar, por isso, “vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). Essa passagem destaca a necessidade de vigilância espiritual e oração constante para evitar quedas morais e espirituais.   

Outro fator problemático da certeza sem fundamento é fechar a porta ao diálogo e se tornar refém do negacionismo. A verdade liberta (João 8:32), desde que haja conhecimento, discernimento e não manipulação. Estamos com a derradeira oportunidade para elevar a nossa vibração e consciência sob a ótica do amor, mas sem fechar os olhos para as injustiças e mentiras. “Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração” (Mateus 13:9).        


Carlos Castro

Carlos Castro cursou Jornalismo no Ielusc, tem forte formação sindical e já trabalhou em diversas emissoras de rádio de SC. Liderou movimentos sociais, partidários e hoje é colunista do Chuville Notícias. Sua coluna semanal "Mentalidade Consciente" traz reflexões fundamentadas que servem de inspiração para a sociedade frenética atual. Contato: castrorevival@gmail.com