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MENTALIDADE CONSCIENTE: A alienação e o cuidado para não sermos vítimas de “verdades” manipuladas

Em tempos de bolhas digitais e falsos profetas, a análise da coluna desta semana convida a separar o joio do trigo através do método de Descartes e da vigilância de Jesus, alertando que a caridade sem leitura crítica da realidade é uma fé incompleta.

No centro, uma figura serena representando Jesus emerge de uma árvore cujas raízes e galhos se misturam a circuitos tecnológicos e luz espiritual. Isso simboliza a conexão entre os ensinamentos milenares e a era da física quântica.

O Intelecto Elevado: Acima da árvore, há um cérebro brilhante com um ponto de interrogação centralizado, ladeado pelas palavras "DÚVIDA" e "CRÍTICA". Isso ilustra a tese de Descartes e Cortella de que o questionamento é o ponto de partida para a verdade.

O Cenário Urbano e Digital: Ao fundo, uma metrópole moderna sob um céu de transição (crepúsculo), representando o "plano do mundo real". Em primeiro plano, pessoas estão sentadas no chão árido, absortas em seus tablets e dispositivos, simbolizando as "bolhas das redes sociais" mencionadas no texto.

As Sombras e os Lobos: Nas laterais, figuras sombrias com olhos vermelhos (os "lobos em pele de cordeiro") carregam placas com palavras como "ÓDIO", "NEGAÇÃO", "MENTIRAS" e "MAMMON". Eles representam as forças da alienação e do retrocesso moral que o texto denuncia.
Imagem gerada por IA.

Tenho observado nos vídeos de entrevistas com alguns gurus espiritualistas um certo nível de alienação sobre as verdades sociais do mundo. É necessário que busquemos as verdades espirituais, o autoconhecimento, uma frequência vibratória adequada para alcançarmos a abundância, a prosperidade, a paz íntima e social. Mas essa busca deve estar conectada a um olhar crítico e justo. Entendo, por exemplo, que não se pode tergiversar contra a injustiça

A caridade como mero instrumento de “consciência tranquila”, “fiz minha parte”, sem a visão de profundidade sobre a exploração, sobre o que motiva e alimenta a pobreza, sobre as injustiças morais e sociais, é manca e alienada. Temos que saber fazer a leitura crítica sobre a raiz da realidade material que vivemos.   

Jesus, como mestre, não foi complacente com a injustiça. Tratou todos com igualdade e profundo amor, dos marginalizados aos líderes do Sinédrio, bem como os centuriões romanos. Falou verdades duras na face dos fariseus e saduceus, os representantes da Igreja da época: “raça de víboras”, “hipócritas”, “sepulcros caiados”. Desceu o chicote nos vendilhões do templo. Porém, não se uniu aos zelotes e não se insurgiu contra o Poder de Roma e da Igreja. 

Jesus tinha uma consciência crítica e completamente desalienada, mas a revolução que propôs não foi social, nem armada, foi íntima. Sua mensagem e energia de amor atravessou séculos e dois milênios. Sentimos hoje, 2026 anos depois, seu toque indelével, quando oramos e meditamos, buscando essa conexão. Acredito que no atual momento da transição planetária, com o despertar da consciência espiritual e do conhecimento da física quântica, estamos preparados para absorver o seu Evangelho e compreender a sua mensagem transformadora, profundamente humanista e espiritual.                   

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Espiritualidade saudável carece da mentalidade consciente também no plano do mundo real, mesmo que conturbado por devaneios ideológicos e dissonâncias cognitivas. É bíblica a fala de Jesus sobre conhecer a árvore pelo fruto, proferida no Sermão da Montanha, o que considero como a quinta-essência do bem viver de sua filosofia. Não há como colher uvas de espinheiras, bem como colher amor de quem prega o ódio, tão em voga ultimamente.   

Há lobos disfarçados em todos os segmentos da sociedade, levando milhares de almas para as trevas pelo descuido e falta da percepção e vigilância, em tempos de separar o joio do trigo. O curioso é que cobramos e exigimos do próximo, dos outros, dos líderes, aquilo que não temos: perfeição. Portanto, no oceano das contradições, temos que enxergar com sabedoria os portos seguros, percebendo quais são os frutos de seu pomar humanista. Não é difícil, basta ficar atento.         

O ato de duvidar levou ao “cogito ergo sun” do filósofo René Descartes   

Tenho escrito sobre a dúvida ser o motor da sabedoria e o método das pessoas inteligentes. O filósofo francês, René Descartes, teve seu momento “eureca” quando concluiu que o ato de duvidar ou pensar, confirma a existência da mente que pensa e se “Penso, logo existo”. Essa conclusão filosófica foi oriunda dele duvidar de tudo e serviu de base para o conhecimento da filosofia moderna. Em 1637, escreveu sua obra prima “O Discurso do Método”. Para o autor, a consciência é o ponto de partida da existência e do conhecimento racional.

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O carismático filósofo, Mário Sergio Cortella, como um bom sábio e provocador de ideias, em entrevista no Programa Sem Censura, na TVE Brasil, debateu sobre o problema das certezas, a ausência de dúvidas, o negacionismo e a alienação. A certeza, segundo ele, é necessária como ponto de chegada, não como ponto de partida. Se ela for ponto de partida, ela conduz ao equívoco. Nesse sentido, a ciência, por exemplo, tem a certeza como ponto de apoio, mas é a dúvida que permite criar, inovar, avançar. Esse avanço só é possível quando se é capaz de colocar a suspeita sobre as coisas.     

Chegar a uma verdade indubitável só é possível se for submetida à dúvida. Não há outro método. A dúvida e a ciência são irmãs siamesas. A busca pela verdade não pode existir sem o constante questionamento. As certezas induzem ao erro. O apreço pela dúvida faz perceber que no mundo atual, as pessoas acreditam nas maiores barbaridades sem duvidar, sem racionalidade alguma. É crença cega, sem fundamento fático. 

O inacreditável é que muitos desses crentes se dizem cristãos e são manipulados por lobos com pele de cordeiro. Ignoram as palavras do mestre em Mateus 7:15 que alertava para o cuidado com os falsos profetas e falsos messias. Basta prestar atenção nos frutos (ações e resultados) desses líderes das trevas. Não se deixe enganar pela cantilena do ódio e da mentira. Pensemos pela nossa cabeça e com consciência, mas para isso, é preciso abandonar as bolhas envolventes das redes sociais com a máscara de pertencimento.       

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Infelizmente as religiões se perderam na sua missão de preparar a humanidade para a evolução espiritual. Hoje Mamom (o dinheiro como deus) e a alienação imperam. A dúvida inexiste. Suas “verdades” são absolutas para manipular e enganar, por isso, “vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). Essa passagem destaca a necessidade de vigilância espiritual e oração constante para evitar quedas morais e espirituais.   

Outro fator problemático da certeza sem fundamento é fechar a porta ao diálogo e se tornar refém do negacionismo. A verdade liberta (João 8:32), desde que haja conhecimento, discernimento e não manipulação. Estamos com a derradeira oportunidade para elevar a nossa vibração e consciência sob a ótica do amor, mas sem fechar os olhos para as injustiças e mentiras. “Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração” (Mateus 13:9).        

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