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Jorginho Mello contrata sem licitação empresa fundada há menos de um ano em SC

Empresa tem sede no Piauí e apresentou proposta ao governo catarinense três dias após abrir sua filial no estado. .

Atualizado em 06/11/2024 às 18:11, por Leandro Schmitz.

O governo catarinense, sob a gestão de Jorginho Mello (PL), firmou um contrato de telemedicina com a empresa Integra Saúde Medicina, com menos de um ano de fundação no estado e sem a realização de um processo licitatório. O acordo, com duração prevista até 2027, tem um custo superior a R$ 640 milhões para os cofres públicos. A contratação da empresa, que ocorreu apenas três dias após sua inauguração em Santa Catarina, gerou debates sobre a legalidade do processo.

O objetivo do contrato é a implantação de uma plataforma digital especializada, incluindo licença de software, configuração, treinamento e suporte técnico. Porém a modernização dos serviços da Secretaria de Estado da Saúde está sob suspeita, sobretudo entre os deputados, que ensaiam na Assembleia Legislativa a abertura de uma CPI para investigar a situação.

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Registro recente de empresa

A empresa Integra Saúde Medicina abriu seu CNPJ no Piauí em janeiro do ano passado e, no dia 14/11/23 abriu sua filial em Florianópolis, apenas três dias antes de apresentar a proposta comercial à consulta pública aberta pela gestão Jorginho Mello. 

Seu sócio-administrador é João José de Alencar Cruz, que também aparece com a mesma representação junto a outra empresa, a Brasil Tecnologia da Informação LTDA, esta fundada em dezembro de 2014.

Segundo registros fiscais, o capital social declarado da Integra Saúde Medicina é de R$ 5 milhões, já a Brasil Tecnologia da Informação LTDA é de R$ 1 bilhão. 

TCE do Piauí já apontou irregularidades em outros contratos da empresa

A Integra Saúde Medicina é alvo de um relatório com mais de 30 páginas do Tribunal de Contas do Piauí. Irregularidades foram apontadas em um contrato firmado também sem licitação com a Secretaria de Saúde piauiense. O contrato, assinado no ano passado em mais de R$ 180 milhões, está sendo questionado por lá.

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Secretaria de Estado da Saúde afirma que não houve irregularidade

Embora já tenha legislação garantindo que qualquer compra ou serviço devem ser feitos por meio de licitação, a Secretaria afirma que o processo se deu com consulta pública a qualquer empresa que pudesse comprovar ter as condições necessárias apontadas. O Jornal O Globo chegou a questionar a administração Jorginho Mello a respeito de uma portaria emitida pelo próprio governo catarinense, no dia 20 de setembro, que proíbe contratação de serviços sem licitação.

Porém a resposta foi: “Fato é que, sempre que o negócio a ser estruturado não constituir a aquisição pura e simples de bens e serviços, a seleção do parceiro pode se pautar pela lógica da inexigibilidade de licitação”.

Além disso, há a suspeita de sobrepreço ao serviço contratado: cerca de seis vezes mais do que empresas concorrentes que realizam a mesma função, fato negado pela administração.

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O Chuville Notícias chegou a procurar alguém da Integra Saúde Medicina, mas até o fechamento desta matéria, ninguém da empresa foi localizado para responder sobre o assunto.


Leandro Schmitz

Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.