Advogado da Destaca Engenharia diz que prefeita está sendo enganada e que ponte sem fundação não avança
A Álya, empresa que foi uma das principais envolvidas na Lava Jato, é acusada de tentar dar um golpe na Destaca para não pagar a dívida de R$ 12 milhões referente aos serviços executados na Ponte Joinville
A recente polêmica envolvendo a construção da Ponte Joinville ganhou novos desdobramentos. O advogado da Destaca Engenharia, Jorge Lacerda, acusa a construtora Álya, antiga Queiroz Galvão, de receber o dinheiro da Prefeitura e preparar um golpe para não realizar o pagamento de R$ 12 milhões pelos serviços de fundação da ponte. Ele afirmou que uma ponte sem fundação é uma ponte parada, que não avança. A fala foi feita durante entrevista ao programa Passando a Limpo.
A prefeita Rejane Gambin publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que está sendo criada uma narrativa de obra parada. A administração também emitiu um comunicado afirmando que a obra está em pleno funcionamento, com 50% de conclusão. No entanto, segundo o advogado da empresa, a prefeita está sendo enganada pela Álya.
“A prefeita está sendo enganada, com certeza. Ela tem que sentar e chamar o seu secretário Jorge e explicar, porque está muito mal explicado. Ele assina um aditivo, paga o aditivo e não cobra o atrasado? A obra está parada. Daqui para frente não acontece nada, só para trás, pois não aumenta a movimentação da obra. Então, me desculpe, hoje a obra está parada”, afirmou Lacerda durante a entrevista.
Ainda na entrevista, o advogado acusa a construtora de planejar um golpe ao impedir que os funcionários da Destaca tenham acesso ao canteiro de obras. Segundo ele, a ideia da Álya é levar essa situação até o fim do contrato entre as construtoras, que termina no dia 27 de agosto, e, assim, abrir espaço para a contratação de outra empresa, forçando a Destaca a brigar na Justiça para receber os pagamentos.
Lacerda também ressaltou que a Álya está tentando contratar outra empresa, mas não consegue, pois as consultadas não teriam capacidade de absorver os trabalhos de fundação. Ainda segundo o advogado, apenas para retirar os equipamentos da obra serão necessários pelo menos três meses, devido à complexidade da operação.
“Estão devendo para a Destaca. A Prefeitura está pagando em dia, a Destaca está fazendo o serviço em dia e a Álya está recebendo e não está repassando. Esse é o resumo do problema. E ainda estão preparando um golpe para o dia 27. Mandar embora a Destaca e não pagar”, declarou Jorge Lacerda.

A reportagem do Chuville entrou em contato com a Álya para comentar as declarações do advogado Jorge Lacerda e recebeu o seguinte retorno:
NOTA À IMPRENSA:
A Álya Construtora esclarece que a obra da Ponte Joinville está em curso. Há apenas uma frente de serviço impactada pelo fornecedor Destaca. A Construtora está trabalhando fortemente em alternativas para retomada dessa frente ao longo da próxima semana.
O que é uma “fundação” em obra
A fundação é a estrutura de engenharia responsável por receber toda a carga de uma edificação — como pilares, paredes, lajes e coberturas — e transmiti-la com segurança para o solo profundo ou superficial.
Elemento essencial de qualquer obra, ela funciona como o alicerce que garante a estabilidade, previne rachaduras e impede o afundamento da construção, variando entre modelos rasos (como sapatas e radiers para casas) ou profundos (como estacas para prédios e pontes) a depender do peso do projeto e da resistência do terreno analisado.
Álya é a antiga Queiroz Galvão, investigada na Lava Jato
A Álya Construtora, contratada pela Prefeitura de Joinville para a obra da Ponte Joinville, é a antiga Queiroz Galvão. A mudança de nome ocorreu após a empresa ter seu nome envolvido em grandes escândalos de corrupção, entre eles a Operação Lava Jato.
A empresa foi um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Investigações apontaram que ela era a terceira maior empreiteira em volume de contratos com a Petrobras, movimentando mais de R$ 20 bilhões sob suspeita. O Ministério Público Federal a acusou de integrar o "clube", ou cartel de empreiteiras, que fraudava licitações, pagava propinas a executivos da estatal e abastecia partidos políticos.
A construtora firmou alguns acordos para voltar a atuar no mercado, entre eles o de R$ 125 milhões com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além disso, um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) encerrou 19 processos administrativos que investigavam fraudes em licitações públicas de engenharia.
Outro TCC homologado pelo Cade estipulou o pagamento de multas no valor de R$ 5,6 milhões ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), após a empresa confessar condutas anticompetitivas.
Aumento no orçamento e ampliação da obra
O contrato da ponte passou de R$ 296 milhões para R$ 353 milhões, com um aditivo de R$ 57 milhões para cobrir serviços e adequações que não estavam previstos no projeto inicial. Com os reajustes contratuais aplicados ao longo da execução, o valor total da obra chega a R$ 393 milhões.
De acordo com a Seinfra, as mudanças foram necessárias após a identificação de condições diferentes das previstas nas sondagens realizadas antes da licitação.
O cronograma também foi alterado. O prazo de conclusão, inicialmente previsto em 24 meses, foi ampliado para cerca de 41 meses.
A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura para comentar a afirmação de que a prefeita estaria sendo enganada e informar se a situação poderá afetar novamente o cronograma da obra. Veja, abaixo, a resposta da Prefeitura na íntegra:
Nota da Prefeitura
A Prefeitura de Joinville informa que possui relação contratual é com a Álya, empresa que venceu a licitação e que não participa da contratação de fornecedores ou prestadores de serviço para a Álya. Os pagamentos à empresa estão em dia e recentemente, a obra atingiu 50% de execução.
Na manhã de quinta-feira (6/8), a Álya informou a Prefeitura que assim que tomou conhecimento da decisão de interromper os serviços no local por parte da prestadora de serviço, iniciou o trâmite para contratação de um fornecedor substituto. O motivo do rompimento seria um desacordo comercial entre as empresas.
As obras na Ponte Joinville continuam sendo realizadas, uma vez que este prestador de serviço executa apenas uma parte da fundação. No momento, dos 420 trabalhadores da obra, apenas 30 são da prestadora de serviço que anunciou a intenção de interromper os serviços.
As equipes trabalham na execução da aduela de arranque, que dará suporte ao principal vão da Ponte Joinville. A aduela é um elemento estrutural utilizado na construção de pontes pelo método do balanço sucessivo, nos quais os segmentos de concreto avançam de um apoio central para os lados, em equilíbrio.
A drenagem e estruturação das vias de acesso à ponte no bairro Boa Vista também continuam. E estão sendo finalizadas as vigas de concreto pré-moldado que vão formar a estrutura da ponte. Das 127 vigas necessárias, 108 estão concluídas.
A obra está seguindo o cronograma previstos, sem a necessidade de atualização neste momento.








