Artistas criticam projetos que associam cultura periférica a crime em Joinville
Um dos projetos, popularmente conhecido como Lei Anti-Oruam, vem sendo encabeçado pelo MBL em todo o país e tem, em Joinville, o vereador Mateus Batista como representante. .
Artistas e representantes de movimentos culturais de Joinville criticaram dois projetos de lei discutidos em audiência pública nesta segunda-feira (9) na Câmara de Vereadores. As propostas buscam proibir o uso de recursos públicos para financiar eventos e shows que contenham apologia a crimes, drogas ou sexualização infantil. Para os artistas, as medidas reforçam uma lógica de censura prévia e criminalização da cultura periférica.
A audiência foi promovida pela Comissão de Educação e discutiu os Projetos de Lei Ordinária (PLOs) 7/2025 e 8/2025. Ambos têm objetivos semelhantes, mas abrangências diferentes. O PLO 8/2025, do vereador Mateus Batista (União Brasil), pretende impedir o financiamento público de shows com apologia ao crime organizado ou ao uso de drogas. A proposta vem sendo replicada em outras cidades e é chamada de “lei anti-Oruam”, em referência ao rapper carioca.
Já o PLO 7/2025, apresentado antes por Cleiton Profeta (PL), é mais amplo e inclui proibição de eventos abertos a crianças e adolescentes que contenham “expressão de incentivo à sexualização infantil”.
A reunião contou com a presença de artistas ligados à cultura hip hop, representantes do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) e do movimento negro. O ex-deputado estadual Sandro Silva, presidente da Sociedade Kênia Clube, também participou.
Durante os debates, os artistas e representantes culturais argumentaram que os projetos são redundantes, já que dispositivos legais como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Código Penal e a Lei Antidrogas já tratam da apologia ao crime e à proteção de menores.
A vereadora Vanessa da Rosa (PT), que propôs a audiência, disse que os textos visam à censura prévia e reforçam uma criminalização da cultura preta, periférica e popular. Ela citou que o avanço desses projetos no país é sintoma de uma movimentação política mais ampla. “Essas propostas não estão isoladas em Joinville. Há uma onda nacional de tentativas de silenciar artistas e produções culturais ligadas às periferias”, afirmou.
Artistas presentes reforçaram que medidas como essas afetam principalmente quem produz arte fora dos grandes centros culturais. “É uma tentativa de colocar a cultura periférica sob vigilância. O que se busca não é proteger as crianças, mas delimitar que tipo de arte merece apoio público”, afirmou um representante da cultura hip hop durante a audiência.
Os projetos ainda aguardam parecer dos vereadores Alisson (Novo) e Vanessa da Rosa (PT), membros da Comissão de Educação. Só depois disso devem seguir para votação em plenário.

Fagner Ramos
Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).








