Vereadora pede explicações sobre possível assédio contra motoristas demitidos
Caso de motoristas de ônibus demitidos por justa causa por se recusarem a trafegar com veículos em más condições de segurança repercutiu, gerando pedido de informação por parte da vereadora Vanessa da Rosa (PT). Gidion e Transtusa ganham mais de R$ 30 milhões anuais de subsídio da prefeitura. .
Desde o início da semana, está repercutindo na cidade o caso de três motoristas da empresa Transtusa que foram demitidos por justa causa. A empresa faz o transporte coletivo de Joinville e os profissionais teriam se recusado a trafegar com veículos em más condições de manutenção e segurança. Nesta quinta-feira (2), a vereadora Vanessa da Rosa (PT) protocolou um pedido de informação à prefeitura, gestora do contrato com as empresas Gidion e Transtusa a respeito.
“É inadmissível que a empresa obrigue os trabalhadores a se colocar em risco e submeter a população a este perigo. Imagina se um diretor da Transtusa sairia de casa com o carro sem freio. Este caso tem que ser apurado com muito rigor e a Câmara de Vereadores tem que exercer o seu papel de fiscalização”, disse a parlamentar.
O pedido de informação conta com dez perguntas. Entre elas, quais medidas concretas estão sendo planejadas ou executadas para garantir a segurança dos usuários e condições de trabalho adequadas aos motoristas do transporte coletivo de Joinville; e como a prefeitura garante que irregularidades apontadas em vistorias ou denúncias sejam corrigidas de forma imediata, evitando que veículos em más condições sigam em circulação.
A vereadora protocolou também uma moção pedindo a reintegração dos três motoristas. Neste caso, como se trata de iniciativa privada, não há garantias de que isso ocorra.
Entidades e sindicatos, como o Sinsej (Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville), publicaram nota de solidariedade aos profissionais.
A primeira licitação do transporte coletivo de Joinville é promessa oficial há pelo menos dois anos e, mesmo após várias audiências públicas a respeito, ainda não aconteceu. As empresas Gidion e Transtusa são permissionárias de uso do sistema há mais de 40 anos e ganham subsídio anual da prefeitura. Só no ano passado, as duas empresas ganharam R$32 milhões para “reequilíbrio do contrato”.
Entenda o que aconteceu
Três motoristas de ônibus foram demitidos após denunciarem publicamente as condições precárias e falhas mecânicas na frota de ônibus da cidade. De acordo com a reportagem veiculada pelo portal NSC, os motoristas relataram terem sido pressionados a continuar dirigindo veículos com problemas mesmo após as falhas serem apresentadas.
Um dos motoristas chegou a se envolver em um acidente com um ônibus lotado devido a uma falha nos freios. Outro foi demitido por justa causa depois de gravar um vídeo que mostrava defeitos na quinta marcha e no freio, e que foi divulgado nas redes sociais. A empresa alegou que o vídeo prejudicava sua imagem. O terceiro motorista foi suspenso e demitido por se recusar a dirigir veículos com falhas.
Em nota, a empresa Transtusa afirmou que realiza manutenções preventivas e corretivas e que não coloca em circulação veículos que apresentem riscos. Já a prefeitura de Joinville informou que realiza vistorias mensais em quase toda a frota e que a população pode usar a Ouvidoria para relatar irregularidades. Se os problemas forem confirmados, sanções podem ser aplicadas e os veículos podem ser retirados de circulação.





