Vereador que ofendeu parlamentares mulheres terá denúncia arquivada na Câmara
Mesmo após se exaltar e mandar uma vereadora se calar, o Conselho de Ética não vê respaldo para levar a quebra de decoro parlamentar de Willian Tonezi adiante. .
O Conselho de Ética da Câmara de Vereadores de Joinville aprovou nesta quarta, 10, o parecer para arquivamento da denúncia de quebra de decoro parlamentar contra o vereador Willian Tonezi (PL), após o parlamentar se exaltar contra vereadoras em sessão.
Segundo o relator do processo, Lucas Souza (Republicanos), mesmo diante de questões relevantes sobre a conduta do parlamentar frente à violência política de gênero — que ele próprio chegou a defender na tribuna, ao mencionar que Tonezi havia passado do tom —, agora avalia que não há respaldo suficiente para comprovar a violação do código de ética.
A acusação, realizada pela vereadora Vanessa da Rosa (PT) em março, teve votos de arquivamento do próprio Lucas Souza, acompanhado de Mateus Batista (União Brasil), Pastor Ascendino Batista (PSD), Neto Petters (Novo) e Cleiton Profeta (PL).
Relembre o caso
No dia 24 de fevereiro, três parlamentares (Vanessa da Rosa, do PT; Liliane da Frada, do Podemos; e Henrique Deckmann, do MDB) usaram o tempo de tribuna para celebrar os 93 anos da conquista do voto feminino no Brasil e a participação da mulher na política. Foi o estopim para uma onda de ataques de Tonezi às mulheres do parlamento local.
Na mesma sessão, ele afirmou que, sempre que houver na Câmara algum discurso feminista, ele irá “expor as feministas e o que elas defendem”. A afirmação mostra que as ações não se tratam de ocorrências isoladas ou de um descontrole momentâneo, mas de um comportamento planejado, estratégico e deliberado, com o propósito de deslegitimar as atuações que envolvem pautas feministas e de igualdade de gênero.
O comportamento considerado misógino se repetiu, com ainda mais veemência, no dia seguinte, 25 de fevereiro, quando Tonezi mandou uma colega da Comissão de Urbanismo se calar aos gritos. Primeiro, ele a acusou de fazer uma “palhaçada”, o que provocou uma resposta natural da vereadora. Logo em seguida, começou a gritar e tentar silenciá-la de maneira hostil, repetindo por três vezes: “Eu tô falando, a senhora fique quieta!”, “Eu tô falando, a senhora fique quieta!”, “Eu tô falando, a senhora fique quieta!”.
O parecer será votado em plenário para arquivamento.

Fagner Ramos
Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).










