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Suspeito em Joinville é investigado por envolvimento com grupo supremacista

Operação encontrou materiais associados ao nazismo e a grupos extremistas. .

Atualizado em 21/02/2025 às 18:02, por Fagner Ramos.

A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu, na manhã desta sexta-feira (21), um mandado de busca e apreensão em uma residência em Joinville.

A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Racismo e Delitos de Intolerância (DRRDI/DEIC), faz parte da investigação sobre a exibição da bandeira dos Estados Confederados do Sul dos EUA, símbolo historicamente associado a grupos supremacistas brancos.

A investigação teve início após uma denúncia da Comissão da Igualdade Racial da OAB de Joinville, que encaminhou o caso à DEIC.

Segundo a entidade, a bandeira confederada tem sido utilizada por organizações supremacistas e neonazistas em diversos países, incluindo o Brasil.

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A bandeira dos Estados Confederados da América foi utilizada durante a Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865. O símbolo representava a defesa da escravidão, que foi abolida ao final do conflito.

Na casa do suspeito, também foram encontradas fotos dele fazendo saudações nazistas ao lado de uma bandeira com a suástica.

Segundo dados da Comissão da OAB de Joinville, relatado pelo jornal O Município, entre 2021 e 2022, mais de 320 grupos foram identificados como células neonazistas em Santa Catarina.

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Bandas de Black Metal com letras racistas foram identificadas em Santa Catarina

Recentemente, a organização Stop Hate Brasil divulgou um relatório apontando o crescimento de bandas brasileiras de National Socialist Black Metal (NSBM), um subgênero do rock utilizado para disseminar conteúdos associados ao crime de racismo.

Foram identificadas 125 bandas associadas a essa subcultura extremista e violenta, além do lançamento de 140 álbuns do tipo split (colaborativos) com bandas de 35 países diferentes, demonstrando uma rede global de troca de ideologias e recursos entre grupos neonazistas e supremacistas brancos.

O relatório aponta a existência de pelo menos quatro bandas em Santa Catarina. Também foram identificadas 11 bandas no Paraná, quatro no Rio Grande do Sul e 45 em São Paulo — este último com o maior número entre os estados citados. Ainda foram identificadas bandas no nordeste, centro-oeste e Distrito Federal.

Ao menos 48 bandas não tiveram suas origens identificadas, o que, segundo a organização, evidencia o uso de estratégias deliberadas para ocultar localizações e evitar rastreamento.

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Materiais de algumas bandas encontradas durante a investigação da Stop Hate Brasil – Foto Relatório Stop Hate Brasil

Entre essas táticas, destaca-se a utilização de múltiplos pseudônimos por indivíduos envolvidos, nomes de bandas e títulos de músicas em alemão ou inglês, além de uma presença fragmentada em plataformas digitais que não expõem informações claras sobre os integrantes ou suas regiões de atuação.

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O NSBM é um movimento extremista que se apropria do subgênero musical Black Metal, surgido nos anos 1990, e é conhecido por suas letras e ideologias associadas à apologia ao nazismo, neonazismo, antissemitismo, supremacismo branco, racismo e violência motivada contra judeus, a comunidade LGBTQIA+ e pessoas negras.


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).