Público se mostra contrário à estadualização do São José em audiência pública
Preocupação da comunidade é com a possibilidade de o Hospital São José ser gerido por uma Organização Social e precarizar os serviços em uma eventual estadualização. .
O futuro do Hospital Municipal São José (HMSJ), um pilar da saúde em Joinville e referência para 26 municípios do norte catarinense, foi o tema central de uma audiência pública, proposta pela comissão de Saúde, Assistência e Previdência Social da Câmara de Vereadores na noite desta segunda-feira (17/11). A proposta de estadualização total ou parcial do hospital está no radar da prefeitura de Joinville.
O principal argumento da gestão, reiterado pela maioria dos vereadores e gestores, é o elevado custo de manutenção do HMSJ. Com um orçamento anual que já ultrapassa os R$ 350 milhões (conforme dados mostrados na audiência), o hospital conta com cerca de 1.700 colaboradores e realiza uma média de 18 mil atendimentos por mês, sendo essencialmente um hospital de caráter regional de alta complexidade. Mesmo sendo uma gestão tripartite, ou seja, União, Estado e Município, a conta acaba não fechando, pois a maior parte acaba sendo paga pela prefeitura.
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Sindicatos e comunidade expressam preocupação
Enquanto a estadualização é vista pela administração municipal como uma forma de aliviar a pressão financeira, as entidades representativas dos trabalhadores manifestaram preocupação com a mudança de gestão.
Os representantes do Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (SINSEJ), por exemplo, falaram sobre o perigo de tranformar a estadualização em um caminho aberto para a privatização por meio de Organização Social. Um dos argumentos usados foi do Hospital Infantil Jeser Amarante Faria, que logo após a OS assumir, há quase 20 anos, entregou o setor de tratamento de queimados. Ou seja, a criança e adolescente que precisa de tratamento especializado em queimados, precisa ir a outro município.
Outro argumento usado é o fato de a maioria dos hospitais administrados pelo governo estadual serem geridos por Organizações Sociais, que conforme apurado pelo Chuville Notícias, são em grande parte alvos de investigações por corrupção.
O líder comunitário Reinaldo Pscheidt pediu auditoria no São José: “Estamos há anos ouvindo esse papo de que se gasta muito no São José. E se gasta muito é uma vergonha e por isso tem que fazer uma auditoria, a caixa preta do São José precisa ser aberta!”.
Já a secretária de Saúde, Daniela Aparecida Gregório França Cavalcante, garantiu que numa possível estadualização, nenhum servidor público seria prejudicado, nem o hospital deixaria de atender pelo SUS. “Isso já ocorreu em diversos estados brasileiros. O que aconteceria é o servidor, à medida que for se aposentando ou saindo por sua vontade, a substituição não se daria mais pelo município de Joinville”, disse ela.
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O grupo de trabalho e estudos de viabilidade
A discussão desta noite ocorre em um momento estratégico, pois o governo do estado e a prefeitura de Joinville criaram recentemente um Grupo de Trabalho para estudar a viabilidade e os impactos da estadualização. O governador Jorginho Mello (PL) e o Prefeito Adriano Silva (Novo) têm se manifestado a favor de uma “discussão madura” para encontrar um modelo que garanta o atendimento à população e a viabilidade da estrutura hospitalar.





