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Professor e dirigente são condenados por estupro de adolescentes em Jaraguá do Sul

Homens ligados à Associação de Surdos receberam penas que, juntas, passam de 54 anos de prisão

criança com a mão no rosto em uma sala escura
Ao analisar o caso, o juiz considerou que os relatos das vítimas eram detalhados e consistentes. Além das penas de prisão, os dois condenados terão de pagar R$ 10 mil para cada vítima (Foto: Site Fundação Abrinq)

Dois homens ligados à Associação de Surdos de Jaraguá do Sul foram condenados por estupro de vulnerável contra dois adolescentes. As penas chegam a 54 anos, seis meses e 20 dias de prisão, em regime fechado. Um dos condenados era professor e o outro ocupava uma função de direção na associação.

Um deles recebeu pena de 29 anos e oito meses de prisão por estupro de vulnerável e exploração sexual de adolescente contra uma das vítimas e por tentativa de exploração sexual de adolescente contra a outra. O segundo foi condenado a 24 anos, 10 meses e 20 dias por estupro de vulnerável contra as duas vítimas.

O diretor, de 44 anos, e o professor, de 42, da associação eram casados. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, o casal vinha praticando os crimes há mais de uma década. A investigação aponta que os criminosos ofereciam dinheiro às vítimas para atos de sexo oral e atos libidinosos. Quando descobertos, chantageavam e ameaçavam as vítimas caso elas resolvessem denunciar os casos.

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Ao menos cinco vítimas foram identificadas durante a investigação, mas os policiais acreditam que o número seja ainda maior.

Relatos das vítimas

Uma das vítimas contou que os abusos começaram quando tinha cerca de 12 anos, quando um dos acusados era seu professor. Segundo ela, somente por volta dos 14 anos começou a entender que aquelas situações eram erradas. Anos depois, decidiu contar o que havia acontecido.

A segunda vítima contou que os episódios ocorreram entre os 10 e 14 anos. Aos 17, segundo o depoimento, um dos acusados ofereceu dinheiro em troca de um ato sexual. Ela recusou. Depois de permanecer em silêncio por anos, contou os fatos à família e procurou a polícia com a ajuda de uma intérprete de Libras.

Familiares, professores e intérpretes de Libras também foram ouvidos durante o processo. Os advogados dos acusados questionaram principalmente a demora para que as denúncias fossem feitas e diferenças entre alguns relatos. Os dois homens negaram as acusações.

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Justiça considerou relatos consistentes

Ao analisar o caso, o juiz considerou que os relatos das vítimas eram detalhados e consistentes. A sentença também aponta que o fato de as vítimas terem demorado para contar o que aconteceu e continuado convivendo com os acusados não é suficiente, por si só, para colocar os depoimentos em dúvida.

Segundo a decisão, também foi considerada a influência que os acusados exerciam dentro da comunidade surda e a dificuldade que adolescentes podem ter para entender situações de abuso e buscar ajuda.

Indenização e prisão

Além das penas de prisão, os dois condenados terão de pagar R$ 10 mil para cada vítima. A Justiça manteve a prisão preventiva dos dois e descontou cinco meses do tempo total das penas, referentes ao período em que já estavam presos, entre 30 de abril e 29 de setembro de 2026.

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O processo tramita em segredo de Justiça.

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