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Prefeitura de Joinville e entidade religiosa são condenadas por crime ambiental

Segundo investigações do MPSC, mais de 7 mil toneladas de areia de fundição foram descartadas incorretamente em área no Vila Nova. .

Prefeitura de Joinville e entidade religiosa são condenadas por crime ambiental

A 21ª Promotoria de Justiça de Joinville, vinculada ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), proferiu uma decisão condenando a Prefeitura de Joinville e a Associação Católica Casais Adoradores por crime ambiental no bairro Vila Nova. Conforme apurado pelo jornalista Altamir Andrade, integrante da Oscip ambientalista Instituto Viva Cidade (IVC), a sentença obriga as partes a removerem, de forma imediata, mais de sete mil toneladas de Contaminantes Industriais de Fundições (CIFs) depositadas irregularmente em uma área na Rua Arlindo Corrêa, no bairro Vila Nova.

A determinação, assinada pela Promotora Simone Cristina Schultz em 18 de setembro, estabelece o prazo final de 18 de novembro de 2025 para o cumprimento da medida, sob pena de multa diária de R$ 500. Segundo o despacho, o curto prazo se justifica, pois “as partes estão cientes de suas obrigações, há considerável lapso temporal.”

Ameaça e crescimento de casos de câncer

Os Contaminantes Industriais de Fundições (CIFs), também conhecidos como Areia Descartável de Fundição (ADF), são resíduos industriais cuja composição inclui elementos altamente perigosos, como fenóis e metais pesados, ambos cancerígenos. Tais substâncias, que podem provocar graves doenças em seres humanos e animais, estão no centro de uma preocupação histórica na região.

Dados do DATASUS, citados pelo IVC, apontam um alarmante crescimento de 500% nos casos de câncer na região nos últimos sete anos, evidenciando que o fato não se trata de uma coincidência.

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Em 2013, o assunto era polêmica na cidade, gerando calorosos debates na Câmara de Vereadores e na imprensa.

A história do crime

O processo judicial teve início em 2021, com uma “Denúncia Crime” formalizada pelo Instituto Viva Cidade (IVC) ao Ministério Público. A denúncia levou à abertura de uma investigação, complementada pela Divisão de Crimes Ambientais da Polícia Civil, que culminou em um Laudo Pericial do Instituto Geral de Perícias (IGP).

A perícia confirmou que a área, com mais de seis mil metros quadrados no bairro Vila Nova, funcionava como um “bota-fora” sem qualquer controle ambiental, acumulando um aterro irregular que excedia em oito vezes o volume autorizado pela prefeitura. Em 2022, o jornal “O Vizinho” confirmou que o local recebia descarte de CIFs de grandes empresas joinvilenses, como Nidec Global Appliance Brasil Ltda, Schulz S.A., e Embraco.

Falsidade comprovada e dano ao rio Mutucas

A investigação também revelou que os CIFs estavam expostos ao tempo, sendo arrastados pelas águas da chuva diretamente para o leito do Rio Mutucas, agravando o dano ambiental.

Em um desdobramento grave do caso, o MPSC havia sido oficialmente notificado em 2023 de que a remoção do material havia sido concluída. A decisão recente da Promotoria, no entanto, confirma que essa informação era uma “grave falsidade” por parte dos réus, reforçando a necessidade de uma ação imediata por parte da administração municipal e da associação religiosa para a remediação da área.

Providências já estão sendo tomadas, diz prefeitura

Procurada pelo Chuville Notícias, a Procuradoria-Geral do município, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que já encaminhou a decisão judicial às secretarias envolvidas, como a SAMA (Secretaria de Meio Ambiente) e Seinfra (Secretaria de Infraestrutura) para que “as providências necessárias ao cumprimento da decisão ocorram no prazo estabelecido”.

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Em nota, disse também que um Termo de Referência está sendo produzido para em seguida contratar estudos de impacto ambiental. A medida auxiliaria na gestão da área afetada.

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