Prefeitura assina acordo de intenção para estadualizar Hospital São José
Anúncio foi feito durante a renúncia de Adriano Silva para concorrer ao cargo de vice-governador. O acordo de protocolo não cria obrigações nem estipula prazos.
Adriano Silva durante discurso de despedida - Foto: Mauro Schlieck/CVJ
Durante a renúncia do prefeito Adriano Silva, na última quinta-feira antes da Páscoa, o agora ex-mandatário da cidade anunciou um acordo de intenções para a estadualização do Hospital São José. Silva irá concorrer ao cargo de vice-governador na chapa do atual chefe de Estado catarinense, Jorginho Mello (PL).
Um protocolo de intenções geralmente não cria obrigações jurídicas definitivas nem obrigações financeiras imediatas entre as partes. Ele atua como um acordo preliminar de cooperação, formalizando a vontade de colaborar em projetos futuros, sem transferência de recursos, diferenciando-se de convênios e contratos.
Em outubro de 2025, Prefeitura e Governo anunciaram a criação de um grupo de trabalho para análise de números de produção, repasses e custos de manutenção da estrutura. O protocolo é mais um reforço na ideia de tornar viável o processo, mas não obriga nem estipula data para que isso ocorra.
Desejo antigo da Prefeitura
Passar a gestão financeira para o Estado é algo discutido desde o primeiro mandato de Silva, pois hoje o São José onera o município com custos anuais na casa de R$ 412 milhões, grande parte com a folha de pagamento de cerca de 1,8 mil funcionários.
Um dos fatores alegados pela prefeitura para estadualizar o hospital seria o fato de a unidade atender uma série de especialidades e procedimentos de alta complexidade em âmbito regional, o que extrapola a responsabilidade municipal. Muitos municípios vizinhos encaminham pacientes para tratamento no São José.
Desde 2023, o Estado contribui com aproximadamente R$ 1,6 milhão mensais pelo Programa de Valorização Hospitalar, além de R$ 4 milhões por meio de um convênio entre a Secretaria de Estado da Saúde e a Prefeitura de Joinville.
Caso o São José venha a ser gerido pelo Estado, o atendimento continuará a ser mantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), gratuito em todos os atendimentos, e os servidores continuarão vinculados ao município, mas abre uma brecha para o Estado adotar administração via organização social (OS), algo que já foi preterido por Adriano e rechaçado por especialistas e entidades da sociedade civil.

Fagner Ramos
Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).









