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Pessoa em situação de rua passa mal após esperar mais de cinco horas por serviço de abordagem

Com apenas uma van, que estava quebrada, o atendimento não foi realizado na região do Iririú. Foi necessário acionar o Samu para atender a pessoa, que passou mal por causa do calor.

Montagem de fotos com um homem caído no chão e sendo atendido por agentes de saúde posteriormente
Homem chegou ao local pedindo ajuda e passou mal ao esperar por mais de cinco horas o serviço de abordagem - Foto: Chuville

Uma pessoa em situação de rua, que necessitava de atendimento nesta segunda-feira, dia 18, passou mal dentro do terminal do Iririú após esperar o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) por mais de cinco horas.

A pessoa chegou ao posto de atendimento da prefeitura por volta das 9h, informando que havia perdido os documentos e necessitava de ajuda. Foi então acionado, pelos servidores, o protocolo de acionamento do SEAS para esses casos. Porém, até as 14h, ninguém havia sido direcionado ao local para atendimento. Devido ao forte calor, o homem passou mal e teve que ser atendido pelo Samu.

A reportagem do Chuville entrou em contato com o SEAS, por meio do telefone disponibilizado no site da prefeitura, e com a empresa terceirizada Amor Incondicional, a Aminc, responsável pelo serviço, a fim de entender o método de funcionamento quando há acionamentos para abordagem. Durante a conversa com a Aminc, o funcionário Rodrigo informou que a van havia apresentado um problema.

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Atendimento do SEAS não possui sistema informatizado

Ao ligar na central de abordagem da prefeitura, é realizada a descrição da situação, com informações sobre o local e sobre como a pessoa a ser abordada se encontra. Com base nesses dados, é feita uma triagem de criticidade baixa, média ou alta, para que o serviço seja acionado e enviado até o local. Não é informado o tempo de atendimento. Inclusive, o próprio site da prefeitura deixa isso claro.

Durante o contato, não é informado também qualquer tipo de protocolo ou número de chamado para acompanhamento do caso. A prefeitura não dispõe de um sistema que possa registrar e contabilizar os casos, o que seria útil para o acompanhamento da população, da empresa, que poderia traçar melhores planos e estratégias de abordagem, e para a própria prefeitura, uma vez que teria todos os casos devidamente mapeados e disponíveis de forma rápida.

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Um sistema para acompanhamento de atendimentos, muitas vezes chamado de CRM de atendimento, é uma ferramenta digital projetada para registrar, organizar, gerenciar e monitorar todas as interações. O contrato da prefeitura com a Aminc não prevê esse sistema, conforme relatado por um funcionário da terceirizada.

Não está claro quantos atendimentos são realizados por dia pelo SEAS e pela empresa. O mesmo funcionário da Aminc informou que, em média, de 15 a 20 pessoas recebem atendimento diariamente. O site da empresa informa 40.

Segundo as últimas informações da prefeitura, 976 pessoas estavam cadastradas em situação de rua na cidade, sendo 85% do sexo masculino. Cerca de 42% dessa população apresenta transtornos mentais e problemas relacionados ao abuso de álcool ou drogas.

Questionamentos à prefeitura

A reportagem do Chuville entrou em contato com a prefeitura relatando o caso e questionou a mesma sobre como seria realizado esse controle, quais são os números atuais de atendimento, se o sistema informatizado não deveria ser implantado e o motivo de haver apenas uma van para atender todo o município. 

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A resposta dada ao Chuville informou que o controle dos atendimentos realizados pelo Serviço Especializado em Abordagem Social é feito a partir de um relatório mensal de atendimentos, que detalha todas as abordagens realizadas, incluindo o perfil dos usuários.

Posteriormente, em novo retorno, a Secretaria de Assistência Social informou que, entre julho e dezembro de 2025, o Serviço Especializado de Abordagem Social realizou, em média, 590 atendimentos mensais, considerando abordagens diurnas e noturnas, que podem envolver uma mesma pessoa.

Sobre a demora no atendimento, foi informado que houve um problema com a van que presta o serviço, que foi reposta, e que todos os chamados foram regularizados pela equipe. Também foi informado que há uma avaliação sobre a necessidade de ampliação do serviço, sem maiores detalhes. Foi ressaltado ainda que os atendimentos em casos de emergência em saúde continuam sendo realizados pelas equipes dos Bombeiros Voluntários e do Samu, inclusive para pessoas em situação de rua.

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O Chuville não recebeu retorno sobre a informatização do sistema para protocolo e acompanhamento.

Polêmicas com a Aminc e fiscalização da CVJ em Joinville

A Aminc já foi alvo de investigação por suspeita de superfaturamento e desvio de recursos públicos no Restaurante Popular de Florianópolis, o que levou ao afastamento de funcionários e à prisão de um dos diretores da empresa, Marcos Ramos.

Na ocasião, a Prefeitura de Joinville informou que o Instituto Aminc sempre apresentou toda a documentação necessária para atuar na cidade e declarou que não pode suspender serviços ou romper contratos com base apenas em investigações ou acusações ocorridas em outro município.

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Em março de 2025, uma Comissão Especial sobre Pessoas em Situação de Rua foi criada pelos vereadores de Joinville para acompanhar as abordagens realizadas na cidade. Na ocasião, os vereadores acompanharam o serviço de abordagem social noturna, visitaram unidades de assistência social e se reuniram com representantes das secretarias de Assistência Social e Saúde.

Os vereadores identificaram que o veículo utilizado na abordagem não possuía identificação, o que, segundo eles, compromete a segurança dos atendidos. Também apontaram a falta de um roteiro organizado, o que dificultaria a eficácia do serviço.

Os representantes das secretarias de Assistência Social e Saúde foram questionados sobre a abordagem ser realizada por motoristas, o que foi negado pela secretária Fabiane Cardoso. Ela afirmou que a questão seria averiguada junto à Aminc, pois a atividade deve ser realizada por educadores sociais.

Atualmente, a equipe da Aminc conta com 28 profissionais, incluindo 10 educadores sociais e quatro motoristas. A comissão também acompanhou o jantar na Casa de Levi e sugeriu que o local seja aproveitado para encaminhar pessoas para a assistência social.

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