OPINIÃO: Uma análise histórica da direção do Sinsej de 2010 até o momento
Por Jane Becker, professora concursada e ex-presidente do Sinsej.
Foto: Divulgação
A luta de classes é feita de fluxos e refluxos. Para cada um desses momentos, o movimento da classe trabalhadora deve ter estratégias diferentes de ação e reação. Na clássica obra, “A Arte da Guerra”, Sun Tzu dedica enorme atenção ao comportamento dos generais. A liderança é o pilar de expressão e sustentação de seus representados, responsável pelos erros e acertos do movimento. A vitória é fruto da inteligência, planejamento e estratégia.
O famoso general chinês indicava como qualidades ideais de um general ou líder, a sabedoria, a sinceridade, a benevolência, a coragem, a prudência e a disciplina. E afirmava que a imprudência leva à ruína. A covardia leva à capitulação. O temperamento raivoso leva ao erro e à derrota. É preciso justiça e clareza nas ações.
Traduzindo o conhecimento milenar da arte da guerra para o movimento sindical, é necessário que a liderança e a direção tenham uma leitura assertiva sobre os fatos para agir com inteligência e cautela. Querer enfrentar o governo cegamente, apenas com coragem e sectarismo, sem análise crítica do contexto, pode colocar os interesses da categoria em risco e levar à destruição do sindicato.
A gestão do Sinsej sob a liderança de Ulrich Beathalter
Vamos analisar por quê a gestão liderada por Ulrich Beathalter foi poderosa. O ponto de inflexão ocorreu com a eleição de Lula, em 2002, reascendendo o ânimo da classe trabalhadora em todo o Brasil. Em Joinville, tivemos alguns fatos históricos importantes para serem contextualizados. A eleição do vereador Adilson Mariano, em 2000 e sucessivas reeleições (4 ao todo), a ocupação das fábricas Cipla e Interfibra, em outubro de 2002 sob controle operário até maio de 2007 e a eleição de Carlito Merss, em 2008.
Esses foram fatores preponderantes na conquista do Sinsej pelo agrupamento político liderado por Ulrich. Era um momento poderoso de fluxo da luta de classes. A organização mais avançada, na época, tinha destacadas lideranças na cidade, algumas históricas como o saudoso Chico Lessa, além de Serge Goulart, Adilson Mariano, Carlos Castro, Evandro Pinto, Maritania Camargo, Osvaldo de França, o próprio Ulrich, entre outras. Hoje, infelizmente, algumas dessas lideranças estão em campos políticos divergentes.
O governo de Carlito Merss, do PT, foi fundamental para permitir a organização nos locais de trabalho através da formação do conselho de representantes, inclusive com liberação do ponto para participarem das reuniões no sindicato. Esse formato se manteve durante o governo Udo.
A gestão SERVIDOR em LUTA sofreu com o refluxo da luta de classes!
Em 2018, a conjuntura da minha eleição como presidente, expressão do movimento de oposição SERVIDOR em LUTA, foi oriunda do desgaste que Ulrich sofria e já não conseguia mais manter o mesmo animus na categoria. O contexto era terrível e desolador.
A presidenta Dilma Rousseff havia sido cassada num golpe parlamentar. O golpista Michel Temer partiu para a ponte do retrocesso com a Reforma Trabalhista e com o aprofundamento das terceirizações. A pá de cal veio com a eleição de Bolsonaro, em 2018, radicalizando os ataques contra o movimento sindical. Foi nesse contexto que o movimento SERVIDOR em LUTA venceu a eleição e assumiu a direção do SINSEJ, em 2019, para dar um novo ânimo na categoria, que fez inclusive, grandes mobilizações e obteve conquistas extraordinárias em meio ao refluxo da classe.
Como desgraça pouca é bobagem, em 2020, Joinville elegeu o único prefeito no Brasil advindo do recém-criado Partido Novo, que tem como palavra de ordem “PRIVATIZA TUDO”. Adriano Silva veio com tudo para destroçar os serviços e servidores públicos com as terceirizações e uma reforma previdenciária opressiva e absurda.
Com Bolsonaro no governo federal, a Pandemia de Covid-19 e Adriano no governo municipal, se aprofundou o refluxo do movimento de luta da classe trabalhadora e dos servidores públicos, em Joinville. Era uma confusão generalizada com o bolsonarismo fascista ganhando protagonismo e elegendo vereadores e deputados reacionários. Detalhe: em meio à Pandemia, decidimos manter o sindicato aberto e impedimos o prefeito Udo Dohler de demitir as auxiliares de educação.
É preciso retomar a mobilização e a luta pelas reivindicações!
A divisão ocorrida na última gestão permitiu à Organização Comunista Internacionalista (OCI) reassumir o comando do Sinsej. A primeira campanha salarial da nova gestão mostrou a fragilidade da direção. Em torno de 400 servidores compareceram à paralisação e uma sucessão de erros foram cometidos naquela fatídica sexta-feira (27/02).
Ao invés de manter a tropa unida e organizar esses servidores para retornar à base e mobilizar o máximo possível para crescer o movimento de paralisação, resolveram ir para a Câmara de Vereadores sem ter o que fazer lá, chegando no período de almoço. À tarde, o movimento refluiu de 400 para no máximo 100 servidores que participaram da assembleia no sindicato.
Sem capacidade de analisar o contexto, partiram para o pretexto de querer responsabilizar a direção anterior pelo seu fracasso. É sempre fácil culpar os outros pela sua incompetência e incapacidade. Hoje, essa direção que tanto atacou na campanha a gestão SERVIDOR em LUTA, sente na pele a dificuldade do refluxo do movimento. A ausência de liderança dessa gestão não passa confiança à categoria. Somos 14 mil servidores na base.
O movimento SERVIDOR em LUTA vai atuar forte na mobilização da categoria para a assembleia do dia 12 na sede do Sinsej. Estaremos entregando um folder nos locais de trabalho e usando as redes sociais para ampliar a divulgação e a força do movimento.
O nosso compromisso é com os servidores e com o serviço público. É preciso UNIDADE e FRENTE ÚNICA para garantir a pauta econômica da categoria, com aumento real de salário, vale-alimentação decente e melhores condições de trabalho. Deixemos as divergências e ataques para a próxima eleição da direção.



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