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OPINIÃO: O bolsonarismo virou seita!

Por Carlos Castro, Jornalista

Apoiadores de Bolsonaro
Apoiadores de Bolsonaro - Foto: Redes Sociais

Aceita Pix. Aceita débito no cartão. Aceita dinheiro em espécie, principalmente cardumes de garoupas e matilhas de lobos-guará. Assim, mantém viva a narrativa da fé política cega.

O bolsonarismo deixou de ser um movimento ideológico alienado. Evoluiu, ou involuiu, para algo muito mais parecido com uma seita emocional de massa, onde fatos perderam espaço para narrativas messiânicas e a realidade virou um detalhe inconveniente.

Nesse contexto, há um conceito fundamental da psicologia social: a dissonância cognitiva. Teorizada em 1957 pelo psicólogo social Leon Festinger e posteriormente aprofundada por Elliot Aronson, em O Animal Social, a teoria explica o desconforto mental provocado quando uma pessoa percebe que suas crenças entram em choque com os fatos. É justamente nesse momento que muita gente prefere abandonar a lógica e abraçar o delírio.

Até porque admitir que foi enganado exige humildade, algo que, em tempos de fanatismo político, virou artigo de luxo. Então, a mente cria mecanismos de defesa: nega evidências, relativiza absurdos, inventa conspirações, demoniza instituições, dispara fake news e passa a viver dentro de uma bolha onde qualquer crítica é tratada como perseguição inconveniente contra o “mito”.

Nasce, assim, um universo paralelo. Uma espécie de Matrix tropicalizada, movida a corrente de WhatsApp, vídeo de tiozão patriota e profecias geopolíticas gravadas dentro de caminhonete estacionada em frente a quartel.

O mais curioso, e também trágico, é observar pobres defendendo bilionários como se fossem acionistas emocionais do sistema que os explora. Gente sem plano de saúde defendendo corte social. Trabalhador precarizado defendendo privilégios de elites econômicas. Uma espécie de síndrome de Estocolmo ideológica com tempero de guerra cultural.

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Enquanto isso, surgem os acólitos da seita: os que transformam político em entidade sagrada, confundem crítica com heresia e tratam investigação policial como perseguição bíblica. Não importa o escândalo, a contradição ou a montanha de provas. Inclusive um áudio com a voz de um filho ou um contrato esquisito assinado pelo outro filho do patriarca mitológico, “acima de qualquer suspeita”.

Sempre haverá uma explicação mística, patriótica ou extraterrestre pronta para preservar a fé. A lógica desaparece quando a identidade emocional depende da sobrevivência da mentira. E talvez seja exatamente aí que mora o maior perigo do extremismo político: quando o cidadão deixa de pensar como indivíduo e passa a agir como devoto.

Ideologia nenhuma deveria substituir consciência. Nem direita. Nem esquerda. Nem messianismo de estimação. Democracia exige pensamento crítico, não adoração coletiva.

Obs.: Escrevi esse artigo devido a uma experiência que tive na madrugada de domingo com os amigos e parceiros Silvio Neumann, do Castelo Excalibur, e Roger Souza. Fomos encerrar a noite saboreando um galeto em frente à Sociedade Ouro Verde, no Comasa. Os três, em um profundo diálogo filosófico, chamaram a atenção do público presente no local. Porém, três deles, operários completamente alienados na bolha bolsonarista, se insurgiram contra nós. Ficou claro o diagnóstico da patologia psíquica que esse ser das trevas provocou na mente de boa parte do povo brasileiro.

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