Terça-feira, 6 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Início Joinville Caixão para o Billy Esportes Coisarada Seus Pilas Saúde Política
Região Região — tudo São Chico Araquari Barra do Sul Itapoá Garuva
Colunas Colunas — tudo Social - Adri Buch Política - Estamos de Olho! Cultura - Pierre Porto Guia gastronômico Saúde - Mentalidade Consciente
Café com Chuville no rádio! Rede Mais pelo Jornalismo
Publicidade
PublicidadePublicidade

OPINIÃO: Nada justifica a violência contra o direito e a humanidade

Por Carlos Castro - Jornalista da coluna “Estamos de Olho” (Portal Chuville) e candidato a deputado estadual.

Abordagem de policiais militares de Santa Catarina a Fernanda Klitzke (Imagem: reprodução de vídeo publicado em rede social)

Há momentos na história em que os episódios cotidianos deixam de ser meras ocorrências policiais ou políticas para se tornarem espelhos dolorosos de uma sociedade em vertigem. O que assistimos no último final de semana em Jaraguá do Sul não é um fato isolado; é o sintoma purulento de uma barbárie que esgarça o tecido social, ameaçando inviabilizar o próprio ato de conviver.

Quem se debruça sobre a memória da humanidade sabe com clareza solar onde deságuam as correntes da intolerância. Precisaremos, porventura, de novo sangue derramado e das sombras de um novo Holocausto para recordarmos que somos seres dotados de empatia, e não feras alimentadas pelo ódio? Exalta-se a vaidade do poder e o ego cego da imposição da “verdade”, mesmo quando as imagens saltam aos olhos, gritando o oposto.

Na manhã do sábado (12), o centro de Jaraguá do Sul foi palco da primeira centelha: sob o pretexto da provocação política e em busca do aplauso estéril das redes sociais, um candidato do partido Novo agrediu verbalmente militantes que realizavam um ato público. Os ânimos, já inflamados pela polarização, transformaram a praça em arena.

Publicidade
Publicidade

Horas mais tarde, por volta das 20h, o eco dessa intolerância ressoou em um evento familiar. O som de um jingle partidário, que chegava para celebrar um aniversário, motivou a queixa de uma vizinha ao Copom da Polícia Militar, sob a alegação de perturbação ao seu filho autista. Ainda que o estresse coletivo tenha contaminado a abordagem inicial do motorista, as imagens do local comprovam o fato essencial: o som foi desligado e o veículo estacionado. A festa prosseguiu em paz.

Contudo, quase duas horas depois, a viatura policial fez-se presente. Não havia mais música, tampouco desordem. O que se seguiu, e esta é a conclusão límpida de quem analisa a totalidade dos fatos, foi uma intervenção despropositada, movida pelo estigma ideológico contra os presentes. A narrativa oficial apressou-se em divulgar recortes convenientes, silenciando o instante exato em que a truculência se originou.

Publicidade
Publicidade

Quando os policiais deram voz de prisão ao motorista e à sua esposa, emergiu a figura da advogada Fernanda Klitzke. Cumprindo seu dever sagrado e respaldada pela Lei Federal nº 8.906/1994 (Estatuto da OAB), Fernanda interpôs a razão e o direito, pedindo ponderação aos agentes. Em resposta ao exercício legítimo da advocacia, o ódio institucionalizado transbordou. A Dra. Fernanda foi agredida fisicamente, alvejada à queima-roupa por disparos de elastômero (balas de borracha) e violentamente detida. As imagens desse ato desmedido causam profunda repulsa a qualquer espírito civilizado.

Conheço Fernanda Klitzke há cerca de duas décadas. Aprendi a respeitar sua linhagem ética ainda nos tempos de seu pai, o Doutor José Alberto Klitzke, notável Promotor de Justiça em Jaraguá do Sul e Secretário de Estado da Administração em 1986, de quem me aproximei por meio do amigo e advogado Airton Sudbrack.

Publicidade
Publicidade

Fernanda carrega na alma uma fidalguia e uma cortesia ímpares; foi Chefe de Gabinete da Prefeitura na gestão de Dieter Janssen e sempre devotou à comunidade um sorriso generoso. Irônica e dolorosamente, em sua trajetória, chegou a ser homenageada com o título de “Amiga do Batalhão” da Polícia Militar. Nada, absolutamente nada, justifica a brutalidade que sofreu.

Diante do horror, a postura do governador Jorginho Mello revelou-se trágica. Em vez de determinar a rigorosa apuração dos excessos, optou pela retórica rasa do espetáculo digital. Premido pelo receio político de um eventual segundo turno e pela ameaça à sua reeleição, o chefe do Executivo preferiu desqualificar a vítima, uma mulher cujo corpo traz hoje as marcas contundentes de chutes e duas perfurações de munição não letal. Ao apostar na normalização da violência e ao flertar abertamente com o fascismo, o governo estadual atenta contra a verdade e recusa até mesmo o uso de câmeras corporais no fardamento policial, instrumento que protegeria os bons policiais e revelaria a realidade sem retóricas.

Publicidade
Publicidade

É aterrador contemplar a apatia e o sadismo nos comentários daqueles cujas mentes foram capturadas pelo extremismo. A sensibilidade moral do nosso povo parece virada do avesso. Não se pode ignorar que Santa Catarina abriga cerca de 35% de analfabetos funcionais, uma parcela da população vulnerável à manipulação pelo medo e à fabricação de inimigos imaginários, técnica propagandística tristemente aperfeiçoada por Joseph Goebbels nos anos mais sombrios do Nazismo no século XX.

Os democratas e os defensores da dignidade humana não podem se refugiar no silêncio. É imperativo erguer a voz contra esse método de embrutecimento antes que a sanidade seja irreversivelmente banida da vida pública catarinense.

Publicidade
Publicidade

Minha candidatura à Assembleia Legislativa nasce justamente dessa urgência: o dever moral de romper com a polarização cega e resgatar o diálogo. Escrevo estas linhas não apenas como candidato, mas como cidadão e jornalista comprometido com a verdade. Combateremos a truculência com o humanismo e contraporemos a luz da democracia à penumbra do fascismo. A civilização há de prevalecer sobre a barbárie.

Publicidade
Publicidade

Leia também