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OPINIÃO: Cleiton Profeta Cassado. Tchau Querido!

Artigo de opinião por Jane Becker – Professora e ex presidente do SINSEJ

Vereador em discurso, com a placa de saída ao fundo
Cleiton Profeta foi cassado com 13 votos favoráveis - Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)

Como minha nona já dizia: “a língua é o chicote do corpo”. A lei de causa e efeito, ou de ação e reação, costuma cobrar sua fatura. Quem planta espinhos dificilmente colherá flores. 

Confesso que recebi a notícia da cassação do mandato de Cleiton Profeta com um sentimento ambíguo. De um lado, considero que um mandato conquistado nas urnas deveria ser tratado como algo sagrado. A soberania popular merece respeito e somente circunstâncias excepcionais devem justificar a interrupção de uma representação legitimada pelo voto.

Por outro lado, também é verdade que o exercício de um mandato exige responsabilidade, equilíbrio e respeito às diferenças. O problema dos extremismos é justamente a incapacidade de conviver com a pluralidade. Em vez do diálogo, escolhe-se a confrontação permanente. Em vez da construção coletiva, aposta-se na lacração, nos cortes para redes sociais, nos seguidores, nas visualizações e na monetização.

Ao longo de seu mandato, Cleiton Profeta construiu uma trajetória marcada pela constante polêmica. Seja como aliado ou adversário do governo municipal — e vale lembrar que, durante um longo período, esteve entre os mais fiéis defensores da gestão Adriano Silva — sua atuação frequentemente esteve associada ao conflito.

Defendeu terceirizações, mesmo sabendo de incontáveis casos de corrupção das organizações sociais que contaminam a gestão pública país afora, por isso, amplamente questionadas por diferentes setores da sociedade. Também atacou reiteradamente os servidores públicos em momentos decisivos de mobilização. Nas disputas envolvendo a reforma da previdência municipal e a defesa da realização de concursos públicos, seus discursos costumavam mirar o funcionalismo, o sindicato e suas lideranças.

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Na condição de presidente do SINSEJ à época, acompanhei de perto esse processo. Houve ameaças de judicialização contra o movimento sindical e até mesmo a apresentação de um projeto de lei que poderia comprometer financeiramente a atuação da entidade. Em vez da busca por consensos, predominou a lógica do embate permanente.

Talvez por isso a votação que resultou em sua cassação carregue um simbolismo difícil de ignorar. 13 vereadores decidiram encerrar antecipadamente seu mandato. O mesmo número que tantas vezes serviu de alvo para críticas dirigidas ao Partido dos Trabalhadores, às vereadoras Ana Lucia Martins e Vanessa da Rosa e ao governo Lula acabou estampado no placar que selou seu destino político.

Há uma ironia adicional nesse desfecho. Parte importante da articulação que culminou em sua queda teria partido justamente do grupo político que ele ajudou a defender durante boa parte de sua trajetória no mandato anterior. A política, como a vida, costuma ser pródiga em lições sobre conveniência, lealdade e circunstância.

A saída de Cleiton Profeta também pode representar o encerramento de um ciclo de tensão que, por muito tempo, contaminou o ambiente da Câmara de Vereadores. A política cumpre melhor seu papel quando substitui o grito pela conversa, a provocação pela construção e o espetáculo pelo trabalho efetivo. Quanto ao restante, o tempo segue sendo o mais implacável dos juízes.

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