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MENTALIDADE CONSCIENTE: Os passos para controlar a mente conforme os ensinamentos de Jesus

Na coluna desta semana, refletimos que muitas pessoas pedem paz em suas orações, mas passam horas consumindo conflitos, tragédias e discussões. Pedem direção, mas alimentam o coração com medo. Desejam prosperidade, enquanto permitem que a inveja, a comparação e a reclamação ocupem os melhores espaços do pensamento.

Imagem ilustrando a passagem bíblica de Jesus curando o homem acamado
Imagem gerada por IA

A Coluna de hoje está mais para um pequeno ensaio, do que para um artigo. Como estou elaborando um livro que vai se chamar “Pedagogia da Consciência – A transição da Sociedade do Conhecimento para a Sociedade da Consciência”; e como sou candidato a deputado estadual, ficarei o período da campanha ausente. Se não fosse por isso, eu desdobraria esse conteúdo em três textos, mas na próxima semana será publicado o último artigo da Coluna, encerrando um ciclo com 40 artigos. Gratidão à compreensão dos leitores.

Precisamos aprender a usar o poder da mente conforme os ensinamentos de Jesus

Toda transformação começa por um gesto de humildade: reconhecer que muitos dos caminhos que escolhemos nos trouxeram até o caos em que, por vezes, nos encontramos. Não escrevo estas linhas como alguém que já chegou ao destino. Continuo atravessando a minha própria Noite Escura da Alma, embora já consiga enxergar o crepúsculo anunciando um novo amanhecer. Por isso, não falo como mestre, mas como aprendiz. Sou apenas um mensageiro que também necessita colocar em prática aquilo que escreve.

As religiões prometem a salvação da alma humana, mas não explicam que isso só será possível se houver a libertação da mente que exige maturidade, discernimento e sabedoria. Não há liberdade com uma mente prisioneira do EGO, do medo, do ressentimento, da ignorância, da intolerância e dos condicionamentos mentais. Todas as tradições espirituais reconhecem que a verdadeira transformação exige uma profunda mudança interior.     

Quantas vezes já oramos pedindo mudança? Quantas promessas fizemos a Deus, decididos a recomeçar? Ainda assim, sem perceber, acabamos sendo arrastados para os mesmos ciclos de medo, ansiedade e sofrimento.

Talvez o problema nunca tenha sido a falta de fé. Talvez tenhamos tentado transformar apenas o lado de fora, esquecendo do maior presente que Deus concedeu ao ser humano: a mente.

Muito antes de a psicologia e a neurociência compreenderem o poder dos pensamentos sobre o comportamento humano, Jesus já ensinava esse princípio por meio de parábolas simples, mas de profundidade extraordinária. Uma delas é a do semeador, narrada em Mateus 13.

Durante muito tempo acreditamos que essa parábola falava apenas sobre religião. Entretanto, ela revela algo ainda mais profundo: o funcionamento da própria mente humana.

A mente é um solo fértil

Jesus descreve quatro tipos de solo que recebem a mesma semente. O que muda não é a qualidade da semente, mas a condição da terra. Assim também acontece conosco. A mente funciona como um solo fértil. Ela não decide o que deve crescer. Apenas desenvolve aquilo que recebe diariamente.

Cada conversa, cada notícia, cada vídeo, cada postagem nas redes sociais, cada palavra que ouvimos ou repetimos são sementes lançadas sobre esse terreno invisível. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja por que estamos ansiosos ou inseguros. A verdadeira pergunta é: O que estamos plantando todos os dias dentro da nossa mente?

Muitas pessoas pedem paz em suas orações, mas passam horas consumindo conflitos, tragédias e discussões. Pedem direção, mas alimentam o coração com medo. Desejam prosperidade, enquanto permitem que a inveja, a comparação e a reclamação ocupem os melhores espaços do pensamento.

É uma contradição silenciosa. Seria como pedir a Deus uma colheita abundante de trigo enquanto passamos o dia inteiro espalhando ervas daninhas pelo campo. A mente não distingue com facilidade aquilo que vivemos daquilo que imaginamos repetidamente. Quando alimentamos pensamentos de ameaça, o cérebro reage como se o perigo estivesse realmente diante de nós. O corpo libera hormônios do estresse, a ansiedade cresce e a esperança perde espaço.

Jesus já havia descrito esse processo ao afirmar que os espinhos sufocam a semente. Os espinhos continuam existindo. Hoje eles recebem outros nomes: excesso de informação, medo constante, comparação, redes sociais, notícias negativas, ressentimentos e preocupações que ocupam cada centímetro disponível do nosso mundo interior. A fé não morre por falta de força. Ela apenas deixa de crescer porque já não encontra espaço.

Os primeiros passos para limpar o solo da mente

Se desejamos renovar a mente, a primeira decisão precisa ser prática. É necessário proteger a entrada do nosso coração. Tenho procurado fazer esse exercício diariamente e posso afirmar que ele vem transformando a minha própria caminhada.

Precisamos nos tornar guardiões daquilo que permitimos entrar pelos olhos e pelos ouvidos. Não podemos desejar a mente de Cristo enquanto continuamos alimentando a mente com o lixo produzido pelo mundo. Se uma conversa apenas desperta ressentimento, afaste-se dela com serenidade.

Se determinado conteúdo produz ansiedade, inveja ou comparação constante, deixe de acompanhá-lo. Se o noticiário apenas alimenta desespero e impotência, diminua o tempo de exposição. Limpar o solo da mente não acontece por acaso. É uma escolha consciente, repetida todos os dias.

A transformação raramente acontece de forma instantânea. Assim como um agricultor precisa retirar pedras, espinhos e ervas daninhas antes da colheita, nós também precisamos permitir que Deus limpe, pouco a pouco, o terreno interior.

Somente quando interrompemos o plantio do medo a fé encontra espaço para criar raízes profundas. E quando a fé cria raízes, ela começa a transformar não apenas os nossos pensamentos, mas também a maneira como enxergamos a própria vida

A luz que entra pelos olhos ilumina ou aprisiona a mente

Depois de ensinar sobre a qualidade do solo, Jesus apresenta outro princípio extraordinário para quem deseja vencer a ansiedade e reencontrar a paz interior.

No Sermão da Montanha, ele afirma: "Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será cheio de luz; mas, se forem maus, todo o teu corpo estará em trevas." (Mateus 6)

À primeira vista, parece apenas uma referência à visão física. Mas Jesus falava de algo muito mais profundo. Os olhos representam aquilo sobre o qual decidimos concentrar a nossa atenção. Eles são a lente através da qual interpretamos a realidade.

Hoje, a neurociência chama esse fenômeno de atenção seletiva. A cada segundo, o cérebro recebe milhões de estímulos, mas consegue processar apenas uma pequena parte deles. O restante simplesmente é ignorado. Em outras palavras, enxergamos muito mais aquilo que escolhemos procurar do que aquilo que realmente existe.

É por isso que duas pessoas podem atravessar exatamente a mesma tempestade e sair dela completamente diferentes. Uma encontra apenas motivos para desistir; a outra consegue descobrir oportunidades de crescimento. O mundo continua sendo o mesmo. Quem mudou foi o olhar.

Quando acordamos e imediatamente direcionamos o pensamento para a dívida, para a doença, para a crise ou para os fracassos de ontem, entregamos o volante da mente ao medo. O corpo responde produzindo cortisol, o hormônio do estresse. Antes mesmo de sairmos da cama, já estamos cansados de lutar contra problemas que, muitas vezes, sequer aconteceram.

Jesus nunca ignorou a realidade. Ele apenas se recusava a permitir que a realidade definisse seu foco. Quando olhou para Pedro, não enxergou apenas um pescador impulsivo. Viu uma rocha sobre a qual edificaria uma missão.

Quando encontrou a multidão faminta, não ficou prisioneiro da escassez de cinco pães e dois peixes. Seus olhos estavam voltados para a provisão do Pai. Quando todos viam limitações, Jesus enxergava possibilidades.

Talvez seja justamente essa a mudança que Deus espera de nós. Não perguntar apenas: "Por que isso aconteceu comigo?" Mas aprender a perguntar: "O que Deus deseja construir em mim através desta experiência?"

Mudar o foco não significa negar a dor. Significa impedir que a dor ocupe todo o horizonte. Sempre que perceber que sua mente está sendo arrastada para o medo, interrompa esse fluxo conscientemente. Respire. Ore. E diga para si mesmo: "Hoje eu escolho olhar para a luz."

Esse pequeno gesto repetido diariamente começa a reeducar o cérebro. Aos poucos, aquilo que antes parecia impossível deixa de ocupar todo o espaço da consciência, e a esperança volta a respirar. Porque onde a luz entra, o medo perde território.

A mudança mais profunda acontece quando transformamos a nossa identidade

Existe, porém, uma raiz ainda mais profunda. Podemos cuidar dos pensamentos, vigiar o foco e mesmo assim continuar presos aos mesmos ciclos. Isso acontece quando a nossa identidade permanece acorrentada ao sofrimento.

Em João, capítulo 5, encontramos uma das cenas mais impactantes dos Evangelhos. Às margens do tanque de Betesda havia um homem paralítico que carregava aquela condição havia trinta e oito anos. Imagine o peso desse tempo.

Quase quatro décadas convivendo com a mesma dor, dependendo da ajuda dos outros, acreditando que sua história jamais mudaria. Ao aproximar-se dele, Jesus faz uma pergunta surpreendente: "Você quer ser curado?"

À primeira vista, a pergunta parece absurda. Quem permaneceria doente por escolha? Mas Jesus não estava investigando o estado do corpo. Estava revelando o estado da mente. Depois de tantos anos, aquela enfermidade havia deixado de ser apenas um problema físico. Tornara-se a identidade daquele homem.

Ele já sabia viver daquela maneira. Conhecia suas limitações. Recebia atenção. Possuía justificativas para permanecer imóvel. E, quando Jesus lhe faz a pergunta, sua primeira reação não é responder "sim". Ele apresenta desculpas. Explica por que nunca consegue chegar primeiro. Conta como os outros sempre passam à sua frente.

Sua fala revela que as pernas estavam paralisadas, mas a mente havia adoecido ainda mais profundamente. Esse relato atravessa os séculos para nos confrontar. Quantas vezes também nos definimos pelas nossas dores?

Há pessoas que já não conseguem se apresentar sem mencionar a doença, o fracasso, a separação, a infância difícil ou a injustiça que sofreram. A dor deixa de ser uma experiência. Passa a ser uma identidade. E ninguém consegue construir uma vida nova permanecendo fiel à versão antiga de si mesmo.

É impossível caminhar para o futuro carregando como identidade aquilo que Deus deseja transformar em testemunho. Jesus não alimentou a autopiedade daquele homem. Também não fez um discurso motivacional. Pronunciou apenas uma ordem: "Levante-se, pegue a sua maca e ande."

A maca continuaria existindo. O passado não desapareceria. As cicatrizes permaneceriam. Mas elas já não seriam uma prisão. Transformar-se-iam em memória daquilo que Deus havia feito. Talvez essa seja a decisão mais importante que cada um de nós precisa tomar. Parar de esperar que alguém venha nos carregar. Abandonar as justificativas. Assumir a responsabilidade pela própria caminhada.

A verdadeira renovação da mente começa quando deixamos de perguntar quem nos feriu e passamos a perguntar quem escolhemos nos tornar. Porque Deus pode restaurar uma vida inteira. Mas nunca fará por nós aquilo que depende da nossa decisão de levantar.

A verdadeira batalha acontece dentro da mente

Mesmo depois de limpar o solo da mente, aprender a direcionar o olhar e abandonar a identidade de vítima, ainda enfrentaremos uma batalha diária. Ela acontece no lugar mais silencioso da existência. Dentro dos nossos pensamentos.

Todos nós conhecemos aquelas vozes interiores que surgem sem pedir licença. "Você não vai conseguir." "Já tentou antes e fracassou." "E se tudo der errado?" "E se você perder tudo?" Esses pensamentos chegam de maneira tão sutil que muitas vezes acreditamos que são nossos.

Jesus também enfrentou essa batalha. No deserto, conforme relata Mateus 4, o inimigo não o atacou com armas, nem com violência física. O ataque aconteceu no campo das ideias. Tudo começou com uma sugestão. "Se tu és o Filho de Deus..." O objetivo nunca foi transformar pedras em pão. Era plantar a dúvida. Era fazer Jesus questionar sua identidade e sua confiança no Pai. É exatamente assim que o medo age conosco.

A ansiedade quase nunca entra fazendo barulho. Ela chega como uma simples hipótese. "E se eu perder o emprego?" "E se esse negócio fracassar?" "E se essa dor significar algo grave?" Quando percebemos, um único pensamento já construiu um futuro inteiro de sofrimento que ainda nem existe.

O maior erro é dialogar com esses pensamentos. Tentamos convencê-los. Discutimos com eles. Alimentamos cenários imaginários. E a mente passa a viver uma tragédia que nunca aconteceu.

Jesus escolheu outro caminho. Ele não discutiu com a tentação. Também não tentou provar quem era. Simplesmente substituiu cada mentira por uma verdade. "Está escrito..." Esse talvez seja um dos maiores ensinamentos psicológicos presentes nos Evangelhos.

Não vencemos um pensamento negativo brigando com ele. Vencemos ocupando seu lugar com uma verdade maior. Quando a mente disser: "Você não é capaz." Responda: "Tudo posso naquele que me fortalece." Quando surgir o medo do futuro, lembre-se: "Os planos de Deus são de paz e não de mal."

Quando a culpa insistir em definir quem você é, recorde-se de que a graça sempre oferece um novo começo. A mente nunca permanece vazia. Ela sempre será ocupada por alguma voz. A escolha é nossa.

As palavras revelam aquilo que já habita o coração

Existe, porém, um último elo nessa corrente. Jesus o revelou com impressionante precisão ao afirmar: "A boca fala do que o coração está cheio." (Lucas 6).

Na linguagem bíblica, o coração representa o centro da consciência, o lugar onde se formam pensamentos, crenças e decisões. As palavras são apenas a manifestação exterior daquilo que já está acontecendo por dentro.

Por isso, elas funcionam como um espelho da nossa vida interior. Quem vive repetindo: "Nada dá certo para mim." "Eu nasci para sofrer." "Nunca vou conseguir." Talvez não esteja apenas descrevendo sua realidade. Esteja, sem perceber, fortalecendo-a.

A ciência já demonstrou que o cérebro responde continuamente às mensagens que repetimos para nós mesmos. Jesus ensinava esse princípio muito antes de existirem laboratórios ou aparelhos capazes de observar o funcionamento cerebral.

Ele sabia que as palavras podem aprisionar. Mas também podem libertar. Isso não significa negar as dificuldades ou fingir que elas não existem. Significa recusar-se a permitir que elas tenham a última palavra.

Há uma enorme diferença entre dizer: "Sou um fracasso." E reconhecer: "Estou enfrentando uma fase difícil, mas ela não define quem eu sou." Há diferença entre afirmar: "Sou uma pessoa ansiosa." Ou dizer: "Hoje enfrento a ansiedade, mas a paz de Cristo continua sendo maior do que o meu medo."

As palavras não mudam Deus. Elas mudam, antes de tudo, quem as pronuncia. E pouco a pouco começam a transformar também a maneira como enxergamos a vida.

A fé começa antes do milagre

Talvez por isso exista tanta confusão sobre o verdadeiro significado da fé. Muitos imaginam que ter fé seja apenas esperar que Deus intervenha enquanto permanecemos imóveis. Mas os Evangelhos mostram exatamente o contrário.

A mulher que sofria havia doze anos com uma hemorragia não permaneceu esperando que Jesus percebesse sua presença. Primeiro, ela tomou uma decisão dentro de si. "Se eu apenas tocar em suas vestes, serei curada." Antes que suas mãos alcançassem Jesus, sua mente já havia alcançado a esperança.

O milagre começou dentro dela. Quando finalmente a encontrou, Jesus não disse: "O meu poder te curou." Disse: "Filha, a tua fé te salvou." A fé é muito mais do que emoção. É uma decisão interior. É escolher acreditar antes que todas as circunstâncias mudem. É continuar caminhando quando os olhos ainda não conseguem enxergar o destino. É permanecer de pé enquanto a tempestade insiste em dizer que tudo terminou.

A mente de Cristo

Ao longo desta reflexão, talvez tenhamos percebido que Jesus nunca ensinou apenas um caminho espiritual. Ele ensinou também um caminho para transformar a mente. Primeiro, cuidamos do solo, escolhendo com sabedoria aquilo que permitimos entrar em nossa consciência. Depois, aprendemos a direcionar o olhar para a luz, sem permitir que o medo ocupe todo o horizonte. Em seguida, abandonamos a identidade construída sobre a dor e assumimos a responsabilidade pela própria caminhada.

Aprendemos a substituir pensamentos destrutivos por verdades que libertam. E, finalmente, alinhamos nossas palavras com a esperança que desejamos cultivar. Nada disso é pensamento positivo superficial. É um processo de renovação interior.

É a decisão diária de permitir que Deus transforme a maneira como pensamos para, então, transformar a maneira como vivemos. O apóstolo Paulo escreve, em 1 Coríntios, que "nós temos a mente de Cristo." Essa afirmação não é apenas uma promessa para algum dia distante. É um convite para agora.

Deus já nos concedeu o instrumento mais extraordinário de transformação: uma mente capaz de ser renovada pela verdade, iluminada pela esperança e conduzida pelo amor. A pergunta que permanece é simples, mas profundamente transformadora: Continuaremos permitindo que o mundo programe a nossa mente ou teremos coragem de renová-la à luz dos ensinamentos de Jesus?

A resposta para essa pergunta talvez determine não apenas os nossos pensamentos, mas o rumo de toda a nossa vida.

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