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MENTALIDADE CONSCIENTE: O ódio aprisiona, o conhecimento ilumina e o perdão liberta!

Na coluna desta semana, uma reflexão sobre o alcance dos nossos pensamentos, sentimentos e atitudes diante das adversidades da vida. O reflexo disso tudo na nossa saúde física e mental. Venha se inspirar aqui!

Imagem mostra dois braços, sendo uma com algema fechada e outro com algema aberta.
Imagem gerada por IA

A vida nos impõe um acúmulo de camadas psicológicas que precisam ser compreendidas com o diagnóstico dos porquês para que haja harmonia e felicidade. Porém, nesse tempo confuso e complexo em que vivemos, fatos externos e internos impactam sobremaneira que nos tiram do eixo. Somos bombardeados por todos os lados para nos subjugar e com isso, baixar nossa frequência vibratória para nos manter na sintonia do lado sombrio da força.       

Devido à experiência do fim traumático de um casamento de quase 30 anos com quatro filhos, o último um biscoitinho lindo e amoroso que fará cinco anos em maio, tenho ouvido várias experiências sobre separações e divórcios onde o ódio dá as cartas. São tristes testemunhos que desperdiçam a oportunidade de aproveitar a escola da vida nessa encarnação para crescer, evoluir e resgatar nossos Karmas, mantendo assim, um ciclo maldito da Roda de Samsara. A existência cíclica de sofrimento é governada por três venenos da mente: desejo, ódio e ignorância. Somente a iluminação e o perdão verdadeiro permitem a alforria dessa prisão.  

Vou tratar desse assunto, porque talvez a minha experiência, entre erros e acertos, sirva ao propósito de mudança mental para ajudar quem está passando ou passou pelo vale das sombras de vivências traumáticas, por exemplo, de um casamento falido, de amizades que ruíram, de convívios tóxicos. Pretendo com isso dialogar sobre as consequências da bifurcação que leva ao caminho da resposta do ódio e do perdão. 

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A base desse texto vai transitar entre a psicologia de Carl Jung e uma palestra de Haroldo Dutra Dias que está se tornando a maior referência no Brasil da filosofia espírita Kardecista, a qual tenho afinidade desde meus 21 anos. Deixarei o link no final e recomento que os leitores assistam e reflitam. É de uma profundidade admirável, com ensinamentos para mudar a vida e visão de mundo daqueles que pretendem ter uma mentalidade consciente. 

Algemados e aprisionados na eternidade?

Quando alguém nos machuca, uma algema é presa num de nossos pulsos. O nosso nível de maturidade espiritual vai dizer o que será feito com a outra argola da algema. Se for a vingança, fechamos a argola no pulso da outra pessoa. Assim ficaremos algemados até que o ódio nos separe, portanto, NUNCA.

Se entregarmos o caso ao supremo juiz e optarmos pelo perdão, a algema ficará apenas no seu pulso como lembrança sobre o fato até o desencarne. Assim, a espiritualidade vai retirá-la, deixando a responsabilidade da expiação a quem lhe provocou o mal, o trauma. Porém, nos livramos de conviver juntos em novas reencarnações, mesmo que seu algoz se arrependa e queira reparar o mal que lhe fez. Isso não será mais possível. O resgate vai ocorrer de outra forma. 

Perdão é lembrar sem sofrer e isso demanda tempo. Vai ser fácil desligar a mente da dor que sentimos? Não. Talvez leve meses, anos ou a encarnação inteira. Mas se perdoarmos de verdade, chegará o dia em que vamos lembrar sem sentir dor e, nesse momento, o perdão estará consolidado, levando ao esquecimento do mal e da dor, mas não do fato. Este será ressignificado. Por isso o perdão é para os fortes e a vingança é para os fracos.  

O caminho da revolta, da vingança, será uma longa jornada de multiplicação do ódio, da dor e do sofrimento entre a vítima e o algoz, aprisionados a incontáveis reencarnações. Por isso, é preciso a grandeza alquímica para transformar dor em luz, através do amor e da praxis de Jesus. 

O amor, a maturidade e o livre arbítrio!

Na colheita entra em cena o processo educativo divino. A dor desse processo transforma crianças em adultos da alma. Diz o apóstolo Paulo:

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino
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1 Coríntios 13-11


Eis a transição da imaturidade para a maturidade espiritual e emocional.    

Os espíritos dizem no último capítulo do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, que a as fases do desenvolvimento da humanidade podem ser comparadas às fases de desenvolvimento da vida corporal. A humanidade também já passou pela infância e nitidamente estamos saindo agora da adolescência, que ultimamente vai até os 35 anos, onde o modus operandi é a transgressão, a rebeldia e a oposição. Na fase de amadurecimento, a visão se amplia e se transforma para quem se tornou adulto. 

O espírito Emanuel no livro “Roteiro”, diz que a distância que nos separa de um anjo é a mesma que nos separa de um cão. Não precisamos nos tornar anjos, basta sermos bons, mesmo com vícios morais e defeitos, desde que trabalhemos para nos curarmos; e Jesus é o melhor caminho para isso (João 14:6).   

A humanidade está passando por uma transformação radical e as máscaras do mal estão TODAS expostas, andando à luz do dia e transmitida o tempo todo pelos meios de comunicação e redes sociais. Mas é preciso percepção e olhos para ver a partir dos frutos que produzem. Que frutos são esses? Atitude, palavras, ações e seus efeitos. As atitudes são generosas, bondosas, virtuosas? As palavras trazem conforto, edificam, consolam ou traumatizam, humilham e excluem? Quais ações temos quando ninguém está vendo? Os frutos mostram o raio-x do ser humano.     

Ao nos sentirmos magoados e com raiva de alguém, passamos mal, com problemas estomacais, não dormimos bem, sentimos tristeza, a boca seca, perde-se a fome e a comida fica sem sabor, porque não fomos criados para odiar. Quando ocorre o contrário, ao estarmos felizes, ao ajudarmos alguém, sentimos um bem estar porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Nós somos uma centelha divina. Fomos criados para amar, perdoar, ajudar, enfim, sermos seres bons num processo de evolução. 

Ao sairmos do molde divino, nos desconectamos de Deus e a vida vira do avesso. Por culpa de Deus? Não, por nossas escolhas, nosso LIVRE ARBÍTRIO. Os desvios das leis divinas, a nossa natureza limitada e cheia de instintos, se não houver um ponto de reconexão com o divino, não há como sobrepujar a fragilidade humana. Nós somos mais frágeis do que perversos.

Disse Jesus, “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”, (Lucas 23:34). A ausência da mentalidade consciente é um sintoma de fragilidade mental e espiritual, o que gera ações inconsequentes e toda ação terá uma reação na mesma medida, proporção e intensidade. A nossa evolução seria mais fácil se compreendêssemos isso.

No batismo de Jesus por João Batista, diz a Bíblia que a voz ouvida foi de que “esse é o meu filho amado”, dando a entender que ele é o modelo e guia para a nossa conexão com Deus. Mas não é para adorar com joelhos dobrados na igreja e no dia a dia, cometer ilícitos, sacanagens e injustiças ao próximo. É preciso ações, pensamentos, sentimentos e conduta coerente com o amor emanado por Jesus.

Certa vez Mahatma Gandhi, que era hinduísta, disse que se todos os livros da humanidade se perdessem e sobrasse apenas o Sermão da Montanha (Mateus 5 a 7), nada teria se perdido e a salvação da humanidade estaria garantida. Para Gandhi, a expressão de puro amor desse Sermão vai muito além da religião e ele o transformou num código prático de ação política e social para sua praxis de não violência e de resistência pacífica que libertou a Índia do jugo inglês. 

A dor nos iguala!

Outro fator importante nesse processo de reflexão e evolução é compreender o sentido da caridade. Qual o verdadeiro sentido da caridade tal qual entendia Jesus? Benevolência e bondade para com todos, indulgência para com os defeitos e imperfeições dos outros e perdão. Portanto, a caridade vai muito além das esmolas. Eu diria que o motor é a tolerância e o amor. Até porque, como já escrevi em outra Coluna, você sou eu do seu jeito e eu sou você do meu jeito. Quando entendermos isso, daremos um salto evolutivo, porque o mal que eu fizer a você, se voltará como efeito contra mim. 

A dor nos iguala. Hoje eu estou em dificuldade, mas amanhã poderá ser você. Portanto, a minha bondade com você hoje, será devolvida amanhã pelo universo. Por isso, fazer o bem sem olhar a quem. Ser autêntico e altruísta para ajudar de forma genuína e incondicional, sem esperar nada em troca, reconhecimento ou distinção de pessoas. É difícil? Claro que sim, mas é o desafio da evolução humana. 

Quanto ao perdão, creio que a metáfora do “Dilema do Porco-Espinho” do filósofo Arthur Schopenhauer, ajuda a iluminar a nossa praxis. As relações humanas são difíceis e a analogia com essa metáfora ajuda a entender que buscamos proximidade (afeto/socialização), mas somos feridos pelos “espinhos” (defeitos/conflitos), como ocorre com esses bichinhos. A solução é encontrar uma distância equilibrada através do perdão, caso contrário, não há como ter convívio humano. Qualquer relação duradoura será machucada, mesmo que não seja intencional. 

Perdoar 70 X 7 vezes!

O ressentimento, a mágoa, a intolerância, a raiva, nos obriga a ter a praxis do perdão para o bom convívio ou o sofrimento vai se impor e isso tira o sentido da vida. Não podemos ser reféns do ego, da vaidade, da intolerância e do ódio. Isso é criação humana apartada do amor de Deus. É preciso derrotar o mal. É preciso perdoar 70X7 vezes (Mateus 18:22), ou seja, de forma incondicional para libertar o próprio coração de mágoas e ressentimentos, refletindo o caráter divino. 

Para além do perdão, a dor emocional pode ser o choque que precisávamos para despertar a nossa mentalidade. Toda criança que nasce, sente dor ao sair do útero, a mãe sente a dor do parto, assim como a borboleta ao romper o casulo. A mentalidade consciente se torna livre para voar e perceber a amplitude do universo e da vida.     

Vídeo da palestra de Haroldo Dutra Dias:

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