Segunda-feira, 17 de agosto de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Início Joinville Caixão para o Billy Esportes Coisarada Seus Pilas Saúde Política
Região Região — tudo São Chico Araquari Barra do Sul Itapoá Garuva
Colunas Colunas — tudo Política - Estamos de Olho! Cultura - Pierre Porto Guia gastronômico Saúde - Mentalidade Consciente
Café com Chuville no rádio! Rede Mais pelo Jornalismo
Publicidade
/apidata/imgcache/ef5a2e95d402d6efa536eb09ca11f9a7.webp?banner=top&when=1787006467&who=6

MENTALIDADE CONSCIENTE: Entre a Memória e a Inspiração – O Ho'oponopono

Na coluna desta semana, uma reflexão sobre estarmos acostumados a procurar as causas do sofrimento sempre fora de nós: nas circunstâncias, nas pessoas, na política, na economia ou no destino. Entretanto, toda tradição de sabedoria aponta para o mesmo lugar. A verdadeira mudança começa dentro.

Duas mulheres sentadas à praia
Imagem gerada por IA

Talvez Deus nunca tenha deixado de falar conosco. Talvez sejamos nós que desaprendemos a escutar.

Coluna Mentalidade Consciente

Vivemos cercados por vozes. As notícias disputam nossa atenção. As redes sociais nos empurram opiniões. Os medos alimentam pensamentos repetitivos. As lembranças do passado projetam sombras sobre o presente. Nossa mente raramente silencia.

Talvez seja por isso que tantas tradições espirituais insistam na mesma direção: antes de transformar o mundo, é preciso pacificar o mundo interior.

Nos últimos meses, em meu mergulho pela espiritualidade, um ensinamento chamou profundamente minha atenção. Trata-se do Ho'oponopono, antiga prática havaiana de reconciliação e cura, difundida mundialmente pelo psicólogo havaiano Dr. Ihaleakala Hew Len e apresentada ao grande público por Joe Vitale, no livro Limite Zero.

O relato que tornou esse método conhecido é impressionante. Segundo essa narrativa, Dr. Hew Len trabalhou durante anos em uma ala psiquiátrica de alta periculosidade no Havaí sem realizar atendimentos clínicos convencionais. Em vez disso, dedicava-se a observar as fichas dos pacientes enquanto realizava um profundo processo de transformação interior. À medida que trabalhava em si mesmo, os pacientes começaram gradualmente a apresentar melhoras, até que muitos receberam alta e a ala acabou sendo desativada.

Independentemente da interpretação que cada leitor faça dessa história, ela nos conduz a uma pergunta muito mais importante do que a própria narrativa: Será que o mundo que experimentamos também reflete aquilo que carregamos dentro de nós? Essa pergunta atravessa praticamente todas as tradições espirituais.

Publicidade
/apidata/imgcache/003a2f7b9557499e3a7d1c73df680496.jpeg?banner=postmiddle&when=1787006467&who=6

O Ho'oponopono propõe que grande parte do sofrimento humano nasce de memórias emocionais que permanecem ativas em nosso inconsciente. Elas moldam nossas reações, nossos medos e até a maneira como percebemos as pessoas. Muitas vezes acreditamos estar escolhendo livremente, quando apenas repetimos antigos programas gravados ao longo da vida.

A psicologia contemporânea também reconhece a força dos condicionamentos inconscientes. Embora utilize outra linguagem, mostra que experiências precoces influenciam profundamente nossa forma de sentir e agir. O que muda é a interpretação espiritual que o Ho'oponopono oferece para esse fenômeno.

Foi justamente essa ideia que mais me provocou. Talvez nossas intenções não sejam tão livres quanto imaginamos. Talvez, antes de cada escolha consciente, exista um impulso silencioso vindo das memórias acumuladas ao longo da existência. Mas, se existe a memória, também existe a inspiração. Essa talvez seja a mais bela contribuição do Ho'oponopono.

Enquanto a memória nos faz repetir o passado, a inspiração nos convida a criar um futuro diferente. Lembrei-me imediatamente de inventores e criadores que descreviam suas grandes descobertas como momentos de súbita clareza. Nikola Tesla dizia que suas invenções surgiam prontas em sua mente. Rhonda Byrne contou que a ideia de O Segredo apareceu quase instantaneamente. Muitos artistas, cientistas e místicos relatam experiências semelhantes.

Talvez a inspiração seja justamente esse espaço onde o novo encontra uma consciência preparada para acolhê-lo. Mas como ouvir aquilo que sussurra, se a mente permanece ocupada reproduzindo antigos ruídos?

Publicidade
/apidata/imgcache/5141ccebb56957c056516a11069813ef.webp?banner=postmiddle&when=1787006467&who=6

É aqui que o Ho'oponopono revela sua simplicidade. Em vez de lutar contra o passado, ele propõe limpá-lo. Em vez de culpar o outro, convida à responsabilidade. Em vez de alimentar ressentimentos, convida ao perdão. Não como submissão. Mas como libertação.

Os antigos havaianos compreendiam que reparar um erro significava restaurar a harmonia perdida. A cura começava quando cada pessoa assumia responsabilidade pela própria transformação interior. Essa talvez seja uma das ideias mais desafiadoras para a mentalidade moderna.

Estamos acostumados a procurar as causas do sofrimento sempre fora de nós: nas circunstâncias, nas pessoas, na política, na economia ou no destino. Entretanto, toda tradição de sabedoria aponta para o mesmo lugar. A verdadeira mudança começa dentro.

Isso não significa ignorar as injustiças do mundo. Significa reconhecer que nossa maneira de responder a elas nasce da qualidade da consciência que cultivamos. Quanto mais acumulamos ressentimentos, medos e culpas, mais difícil se torna perceber a inspiração.

Quanto mais limpamos essas camadas interiores, mais espaço damos para que a vida se manifeste com espontaneidade. Talvez seja esse o verdadeiro "estado zero" descrito pelo Ho'oponopono. Não um vazio. Mas um espaço interior onde a consciência volta a respirar.

Depois de refletir sobre esse ensinamento, compreendi que o maior milagre talvez não seja curar outra pessoa. O maior milagre é deixar de ser governado pelas próprias memórias. É descobrir que nem todo pensamento merece ser acreditado. Nem toda emoção precisa ser alimentada. Nem toda dor precisa definir quem somos.

Publicidade
/apidata/imgcache/cf616873d0ae54938470ff675a480249.webp?banner=postmiddle&when=1787006467&who=6

A consciência desperta aprende, pouco a pouco, a distinguir duas vozes. A voz da memória. E a voz da inspiração. A primeira repete o passado. A segunda aponta para aquilo que ainda podemos nos tornar. Talvez toda a jornada espiritual consista exatamente nisso: Fazer silêncio suficiente para reconhecer a diferença.

Porque Deus, talvez, nunca tenha deixado de falar. Nós é que passamos tempo demais ouvindo apenas o eco de nossas próprias memórias.

Leia também