MENTALIDADE CONSCIENTE: Aos 40 conseguimos ser maduros?
Na coluna desta semana, uma reflexão sobre a famosa frase: "A vida começa aos 40". Será que realmente conquistamos a maturidade quando chegamos nesta idade? Venha descobrir se você alcançou sua maturidade!
“A vida começa aos 40”. A frase eternizada pelo psicólogo estadunidense Walter Pitkin ganhou notoriedade após o lançamento de sua obra Life Begins at Forty, em 1932. Entretanto, foi Carl Jung quem aprofundou esse entendimento como conceito psicológico e espiritual para o desenvolvimento da maturidade humana.
Segundo Jung, até os 40 anos estamos apenas pesquisando a vida, acumulando experiências, dores, máscaras e aprendizados. É como se estivéssemos preparando silenciosamente o terreno interno para aquilo que ele chamou de processo de INDIVIDUAÇÃO.
A individuação é a travessia mais importante da existência. É o caminho contínuo de autodesenvolvimento e integração psíquica que conduz o ser humano ao encontro de si mesmo. Um processo em que ego, consciência e inconsciente deixam de travar batalhas para buscar harmonia. É quando começamos, finalmente, a nos tornar inteiros.
Ao acessar os traumas latentes no inconsciente, muitos deles carregados desde a barriga materna, iniciamos o difícil diálogo com nossas SOMBRAS que estão no porão de nossa consciência. Rompemos, então, as correntes invisíveis da NORMOSE, essa patologia coletiva que normaliza o adoecimento emocional, espiritual e social.
Quando a consciência desperta, percebemos o quanto fomos conduzidos pela adolescência mental, pelas vaidades do ego e pelas ilusões do controle. A maturidade verdadeira não nasce da idade cronológica, mas da coragem de olhar para dentro de nossa intimidade psíquica. E é justamente nesse mergulho que começamos a caminhar em direção à TRANSCENDÊNCIA.
Transcender é compreender que somos mais do que matéria. É perceber que existe algo pulsando além dos cinco sentidos. É sentir que a alma anseia reconectar-se com o amor, com as virtudes e com a Fonte Criadora.
Nesse estágio de consciência, nasce uma inquietação profunda pela VERDADE. Já não conseguimos mais alimentar o vazio existencial apenas com distrações, consumo, dogmas ou aparências. A alma começa a ter fome de sentido.
E talvez seja justamente por isso que muitos passam a perceber que a religião institucionalizada, quando desconectada da experiência viva do amor, pode afastar o homem de Deus, do Cosmos, do Todo Universal. Sobre essa reflexão relacionada à religião, pretendo aprofundar futuramente, quando abordar a METANOIA espiritual.
A corrosão espiritual do PODER
Ainda vivemos cercados por enorme imaturidade emocional. Há adultos ocupando espaços de poder com comportamentos de quinta série. Isso se revela também nas relações humanas, nos ambientes familiares, nas estruturas sociais, bem como na representação política.
Em meus 55 anos, percebi que o PODER, muitas vezes, deixa de servir ao coletivo para alimentar círculos herméticos de privilégios, com arrogância e prepotência. Nessa lógica adoecida, quem não pertence ao grupo é utilizado e descartado. Imperfeitos, cobramos perfeição de pessoas tão imperfeitas quanto nós.
Dentro das famílias, o adoecimento coletivo se intensifica diariamente. Somos bombardeados por notícias perturbadoras, conflitos, manipulações emocionais e relações desgastadas. Pais e filhos se ferem. Casais se machucam. Irmãos se afastam. Quanto maior a intimidade, maior também a capacidade de criar mágoas. Essa é a expressão mais cruel da NORMOSE.
Escrevo tudo isso porque minha ruptura com esse estado aconteceu através de um profundo choque familiar. Num primeiro momento, senti raiva. Muita raiva. Mas, ao longo da travessia pelo Vale das Sombras, compreendi que aquela dor era também um instrumento de condução espiritual, reconexão com minha fagulha divina e com o meu propósito revelado. Essa revelação veio do sofrimento. Foi a perda que me obrigou a buscar sentido. Foi o silêncio da alma que me fez ouvir Deus e a dor está me integrando ao amor.
É justamente esse o propósito desta Coluna: compartilhar experiências, reflexões e aprendizados sobre autoconhecimento, espiritualidade e MENTALIDADE CONSCIENTE.
A Praxis e o Perdão
Escrevo não como alguém que chegou ao topo da montanha, mas como quem ainda atravessa a Noite Escura da Alma e, mesmo ferido, decidiu acender uma lanterna para auxiliar o caminho de outros viajantes.
Talvez minha travessia possa ajudar alguém a sofrer menos. Talvez minhas cicatrizes possam servir de ponte para que outras pessoas encontrem mais rapidamente o próprio despertar.
Porque não existe transformação sem PRÁXIS, a unidade entre teoria e prática. Não basta ler livros, acumular frases bonitas ou compartilhar mensagens espirituais nas redes sociais. O conhecimento só ganha vida quando se transforma em atitude, consciência e exemplo.
Recentemente, ouvi de alguém: “Eu até perdoo você, mas não quero aproximação”. Entendi ali que um pequeno passo foi dado. O radar da consciência começa a instigar. Mas é preciso compreender que o PERDÃO verdadeiro exige profundidade.
Perdoar não é apenas pronunciar palavras. É dissolver o veneno da alma. É libertar-se emocionalmente do passado. É olhar nos olhos de quem te fez mal, talvez marejados de lágrimas, e permitir que a dor seja transformada em cura.
O perdão autêntico rompe correntes invisíveis e remove pesos silenciosos carregados durante anos dentro do coração. É a libertação da mente, do corpo e da alma. Talvez por isso Jesus Cristo tenha ensinado que devemos perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete.
Mas antes de perdoar o outro, existe um perdão ainda mais difícil: o AUTOPERDÃO. Somente quem faz as pazes consigo mesmo consegue verdadeiramente reconciliar-se com o próximo. Eu já me perdoei. Por isso, me sinto em paz na relação com meus erros passados. Sigo altivo no trajeto da REDENÇÃO.
No Evangelho de Mateus 5:23-24, Jesus nos ensina: “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta”. Não existe liberdade verdadeira sem perdão. Não existe evolução espiritual sem amor.
Enquanto ainda estamos vivos neste plano, talvez a grande missão seja justamente esta: curar nossos traumas, dissolver o ego, ampliar a consciência, buscar conhecimento, reconciliar-se, amar mais e contribuir para a egrégora da transição planetária através da MENTALIDADE CONSCIENTE.




