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MENTALIDADE CONSCIENTE: Antes de mudar, tudo precisa desmoronar!

Na coluna desta semana, uma reflexão sobre o que de fato parece uma crise destrutiva e o que isso representa em termos de evolução para algo melhor e maior. As borboletas nem sempre foram bonitas, vamos juntos descobrir!

Imagem mostra o passo a pasos da evolução da borboleta
Imagem gerada por IA

A pior fase da nossa vida provavelmente não esteja tentando nos destruir. Talvez esteja tentando nos despertar para um renascimento. Na Coluna de hoje, compartilho reflexões inspiradas em um vídeo do terapeuta Adilson Costa (anexo no rodapé), cuja abordagem dialoga com temas que já discutimos anteriormente: a mutação da consciência e o caminho da maturidade espiritual após o processo de desmoronamento, oferecendo esperança sem negar a dor. 

Ao longo da vida, vestimos inúmeras máscaras para sermos aceitos socialmente. Criamos diferentes versões de nós mesmos, moldadas pelas expectativas da família, da profissão, da sociedade e do próprio ego. Entretanto, a maturidade exige algo muito mais profundo: a coragem de permitir que sobreviva apenas a versão compatível com nossa verdade, nossa essência e nossa identidade original.

Sem ruptura não existe renascimento. E toda ruptura dói. O nascimento de uma criança acontece entre contrações. Da mesma forma, o nascimento de uma nova consciência também passa inevitavelmente pela dor.

Viemos ao plano terrestre com um propósito, mas, durante muitos anos, permitimos que as distrações do mundo e os desejos do ego ocupassem o centro da nossa existência. Vivemos uma espécie de adolescência mental até que, em algum momento, somos visitados por um vazio interior. Esse vazio não é um defeito. É um chamado. É o anúncio silencioso de que um ciclo terminou e outro deseja nascer.

Quase sempre insistimos em consertar o que já se partiu. Tentamos restaurar o "cristal quebrado", quando, na verdade, a vida não pede reparos, mas transformação. O antigo EU precisa morrer para que a liberdade da Mentalidade Consciente possa emergir.

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A metamorfose da lagarta

A natureza é uma das maiores professoras de nossas vidas. Observemos a metamorfose da lagarta. Quando atinge seu estágio máximo de crescimento, seu organismo compreende que aquela forma de existir chegou ao limite. Alterações hormonais interrompem a fase de crescimento e iniciam um processo completamente novo. 

Dentro da crisálida acontece algo impressionante. A lagarta libera enzimas que dissolvem praticamente todo o seu corpo. Ela literalmente deixa de existir como a conhecemos, transformando-se numa espécie de líquido amorfo. Se abríssemos o casulo nesse momento, não encontraríamos nem uma lagarta, nem uma borboleta. Veríamos apenas destruição. Mas aquela aparente destruição é exatamente o caminho da recriação, do renascimento.

Enquanto tudo se dissolve, células especiais, que permaneceram adormecidas durante toda a vida da lagarta, despertam. Somente quando a antiga estrutura desaparece elas podem cumprir sua missão: construir asas. A lagarta jamais poderia imaginar que nasceu com o propósito de voar.

A metamorfose da mente e do espírito

Se Deus escreveu tamanho milagre na natureza, imagine o que reservou para cada ser humano, criado à sua imagem e semelhança. O Sermão da Montanha oferece uma das mais belas respostas para nossa ansiedade.

Em Mateus 6: 26 a 34, Jesus convida seus discípulos e a multidão que lhe ouvia a observarem os pássaros do céu. Eles não semeiam, não colhem, nem armazenam alimentos, e, ainda assim, a natureza divina garante o seu sustento. Depois aponta para os lírios do campo, que crescem sem esforço, vestidos de uma beleza que nem mesmo Salomão experimentou em toda sua glória.

A mensagem é simples e, ao mesmo tempo, profundamente revolucionária. Se Deus cuida com tanto amor da criação, quanto mais cuidará de nós. Isso não significa viver sem responsabilidades, mas aprender a substituir a ansiedade pela confiança, o controle pela entrega e o medo pela presença. Essa consciência não nasce da teoria. Ela nasce da maturidade.

A noite escura da alma

A transformação chega de inúmeras formas. Algumas vezes através de uma doença. Outras, pela perda de alguém amado. Em muitos casos, por meio do fim de um relacionamento. No meu caso, ela chegou com o encerramento melancólico de um casamento de trinta anos.

Toda a estrutura confortável da vida desmoronou. Aquilo que parecia sólido se desmanchou no ar. Fui obrigado a fazer um profundo inventário da minha própria existência. Revisitei minhas escolhas, minhas sombras, minhas crenças e minhas responsabilidades.

Hoje compreendo muitos dos erros que cometi e também percebo, sob a ótica espiritual, que muitos encontros e desencontros fazem parte de aprendizados kármicos que transcendem esta existência.

Foi então que atravessei aquilo que tantos místicos chamam de Noite Escura da Alma. Um inverno longo. Silencioso. Doloroso. Mas extremamente fecundo. Foi justamente nesse aparente vazio que comecei a encontrar minha verdadeira identidade e entendimento de meu propósito.

Se você está vivendo esse mesmo processo, talvez nada esteja perdido. Talvez tudo esteja apenas sendo reorganizado para que sua alma encontre espaço para florescer.

A dor é a pedra angular da transformação

Não existe verdadeira mudança sem algum tipo de sofrimento. É a dor que dissolve o ego para revelar o EU SOU que sempre esteve escondido sob tantas camadas de condicionamentos.

O autoconhecimento raramente nasce no conforto. Ele costuma nascer no fundo do poço. É no caos que descobrimos quem realmente somos. Lavoisier escreveu que, na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. A espiritualidade amplia essa compreensão.

À luz da Lei Hermética da Polaridade, criação e destruição não são forças opostas. São movimentos complementares. Na Terra, tudo acontece em pares: luz e sombra, frio e calor, inverno e primavera. 

Hoje começo a perceber os primeiros sinais da primavera em minha própria existência. As flores ainda discretas, anunciam uma nova estação. Compreendi que aquele Carlos Castro que existiu durante tantos anos foi necessário para me conduzir até aqui. Mas ele não consegue me levar para onde minha alma agora deseja voar. E está tudo bem. Sinto profunda gratidão por quem fui.

Sem aquelas experiências, sem aquelas crenças e até sem aqueles equívocos, talvez eu jamais despertasse para aquilo que hoje compreendo como Mentalidade Consciente. Porque antes de mudar, tudo precisa desmoronar. E, quando a alma finalmente aceita essa verdade, descobre que aquilo que parecia ser o fim era, na realidade, o primeiro passo para o voo da borboleta

Detalhe: Pare de insistir em salvar a lagarta, caso contrário, não irá descobrir que nasceu para voar. A alma não teme o fim. Apenas o ego acredita que a crisálida é um túmulo, porém, ela sempre foi um berço. 

Veja:

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