Maternidade Darcy Vargas é alvo de audiência após relatos de violência obstétrica
Famílias relatam negligência e partos traumáticos; direção anuncia investigação de óbitos neonatais e revisão de protocolos. .
A Maternidade Darcy Vargas, em Joinville, foi alvo nesta segunda-feira (29) de uma audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, após relatos de violência obstétrica e negligência em atendimentos. O encontro reuniu mães e pais que relataram partos traumáticos e complicações graves envolvendo seus filhos.
Entre os casos apresentados, Fabiane Rosa contou que perdeu o bebê após a negativa da maternidade em realizar cesárea, enquanto Alex Kuehlkamp Schmoeller relatou sequelas neurológicas permanentes no filho devido à demora no diagnóstico de pré-eclâmpsia.
Diene Lopes contou, chorando, que após 23 horas em trabalho de parto, um médico insinuou que não havia motivo para sua internação. A cesárea dela teria sido realizada embaixo de uma goteira e, mesmo após o procedimento, o médico realizou um toque indevido. Ao final, o médico teria dito ao marido dela que, se o parto tivesse demorado mais um dia, o bebê teria morrido.
Outros relatos incluíram cesáreas realizadas em condições precárias, toques indevidos e atrasos na identificação de sofrimento fetal.
Em resposta, o diretor da unidade, Fábio André Correia Magrini, anunciou a abertura de seis linhas de investigação sobre óbitos neonatais e a revisão dos protocolos de atendimento. Ele se comprometeu a implantar canais de denúncia de violência obstétrica e reforçou que a impunidade não será tolerada diante de falhas comprovadas.
Representantes do Estado destacaram que a maternidade, referência em partos de risco, segue protocolos de investigação obrigatória em casos de óbitos maternos e infantis, com recomendações para melhorar a segurança assistencial. Durante a audiência, vereadores defenderam maior transparência, direito da gestante de escolher a via de parto e criação de políticas públicas de acolhimento a mães enlutadas.
Dados apresentados indicam que a taxa de mortalidade infantil em Joinville passou de 6,54 por mil nascidos vivos em 2022 para 8,5 em 2024, acima do índice estadual (9,1) e nacional (10,6). O episódio reforça a necessidade de revisão de práticas obstétricas e acompanhamento mais rigoroso das unidades de saúde da cidade.




