Lula e Flávio disputam eleitorado em SC no mesmo dia
Presidente Lula cobra apoio do agro durante visita a Florianópolis, enquanto Flávio Bolsonaro diz, em Joinville, que Santa Catarina não é um estado fascista.
Os dois principais candidatos à Presidência estiveram neste sábado, 19, no estado de Santa Catarina, em busca de apoio do eleitorado. O presidente Lula (PT) fez um comício no centro de Florianópolis, na praça Tancredo Neves, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) esteve na maior cidade do estado, Joinville, para um evento fechado na Expoville.
O candidato do PL chegou à cidade de Joinville em meio à chuva e entrou com atraso para o comício lotado de apoiadores na Expoville. Estavam ao seu lado o candidato à reeleição ao governo do estado, Jorginho Mello (PL), e o candidato a vice, Adriano Silva (NOVO), ex-prefeito de Joinville.
Ainda fizeram parte os candidatos à disputa no Senado, Carlos Bolsonaro (PL), seu irmão, Carol de Toni (PL), o senador Jorge Seif (PL), a prefeita Rejane Gambin (NOVO) e políticos da cidade que apoiam sua candidatura e que pleiteiam cargos de deputado estadual e federal.
Em Florianópolis, Lula também chegou pela manhã e entrou no palco ao lado dos candidatos ao Senado, Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT), ao governo, Gelson Merisio (PSB), e a primeira-dama, Janja.
Reduto bolsonarista e da direita, Santa Catarina mantém Flávio na frente no estado, com uma margem considerável. Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada em 24 de agosto, o filho 01 de Jair Bolsonaro, como é conhecido Flávio, tem 45% das intenções de voto, enquanto Lula tem 20%.
“Ninguém aguenta mais o Lula”, diz Flávio
O comício de Flávio Bolsonaro foi recheado de frases de efeito, que fizeram seus eleitores vibrarem como se estivessem em uma partida de futebol, orações, falas de apoiadores, como a prefeita de Joinville, Rejane Gambin (NOVO), e xingamentos ao atual presidente Lula e a Alexandre de Moraes.
O candidato do PL falou palavras de ordem contra o STF, disse que Alexandre de Moraes é amigo de Lula e chegou a dizer que, se Lula ganhar, nem mais eleição irá ter em 2030. Segundo Flávio Bolsonaro, Lula dividiu seu mandato com o ministro do STF.
Durante sua fala, Flávio afirmou que ninguém aguenta mais nem a voz de Lula, o chamou de arrogante e disse que, se eleito, seu governo irá apontar para o futuro e a modernidade. Afirmou que vai cortar impostos, criticou o aumento recente do Bolsa Família e disse que seu pai triplicou o valor do benefício quando esteve no poder.
Em determinado momento, elogiou o estado de Santa Catarina, dizendo ser uma terra rica e não um lugar fascista. Em um ato falho, disse que Joinville é o reflexo da boa gestão, pois nunca foi governada por petista. A cidade teve Carlito Merss como prefeito, de 2009 a 2012.
“Vou manter Bolsonaro preso”, diz Lula em Florianópolis
Já na capital do estado, Lula foi ovacionado ao entrar no palco de mãos dadas com seus apoiadores e sua esposa e primeira-dama, Janja da Silva. Disposto, o candidato do PT, munido de seu chapéu, disse que vai mandar o Lulinha comprar mais alguns em Jaraguá do Sul, terra da fabricante Marcatto, marca do acessório do presidente.
O presidente fez um discurso onde reafirmou o compromisso de acabar com as bets, tema que está gerando um intenso debate entre as federações de futebol e clubes, com posições contra a medida, bradou pela soberania do país, em alusão ao que ele considera uma política entreguista de seu rival, e aproveitou para falar que, enquanto Flávio disputa a eleição para soltar Jair Bolsonaro, ele, Lula, vai ganhar para mantê-lo na prisão.
Ainda durante sua fala, Luiz Inácio Lula da Silva deu um recado ao agro catarinense, afirmando que foi o político que mais fez crescer o setor. Lembrou que criou o novo Plano Safra 2026/27, com R$ 620 bilhões, dos quais R$ 525,1 bilhões são destinados à chamada agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões, à agricultura familiar.
Sobre o agro, em seu discurso Lula se questionou sobre o motivo de o setor não gostar de seu governo. “Por que eles não votam em nós? Porque o problema contra nós acho que é uma questão de pele. É porque sou nordestino? Ou porque eu sou pobre? Porque, se dependesse de dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar pra mim”, disse o presidente.
Ambos os candidatos seguiram para novos destinos após a passagem em solo catarinense. Flávio foi para Chapecó e Lula voltou para Brasília.








