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Joinville irá receber o Método Wolbachia no combate a dengue

Saiba mais sobre essa ação contra o mosquito Aedes aegypti. .

Atualizado em 28/05/2024 às 18:05, por Fagner Ramos.

A cidade de Joinville está prestes a receber uma ajuda importante no combate ao mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, no combate à dengue, uma doença que já vitimou, até o momento, 50 pessoas na cidade. Esta ajuda é o método Wolbachia com o mosquito denominado Wolbito.

Em breve, o Wolbito estará em circulação por Joinville ajudando a combater a dengue. O método Wolbachia foi desenvolvido pelo World Mosquito Program (WMP), na Austrália, e atualmente está presente em mais de 20 cidades de 14 países. Dados de monitoramento revelam que os Wolbitos estão se estabelecendo em níveis muito bons nos territórios. Em Joinville, o método é desenvolvido em parceria com a Fiocruz.

A seguir, conheça mais sobre o método Wolbachia e como o mosquito Wolbito vai ajudar em Joinville.

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O que é Wolbachia?

Wolbachia é uma bactéria existente na natureza e presente em diversas espécies de insetos como moscas das frutas, libélulas, mariposas, abelhas, entre outros. Ela é transmitida geração após geração por meio dos ovos e permanece nos insetos ao longo dos anos. Ela não oferece risco para seres humanos.

Como funciona o método Wolbachia?

Quando um inseto macho que possui a Wolbachia acasala com uma fêmea que não possui, os ovos não vão eclodir. Já se um macho não portador acasala com uma fêmea que possui Wolbachia, ela põe a quantidade normal de ovos, mas sua prole já nasce portando a bactéria. O mesmo acontece quando dois insetos que possuem Wolbachia acasalam.

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Como a Wolbachia atua no mosquito Aedes aegypti?

A Fiocruz realizou uma pesquisa com o objetivo de testar o uso da Wolbachia como forma de impedir a transmissão da dengue. Para tanto, a Wolbachia foi introduzida no Aedes aegypti. Após milhares de tentativas, o teste deu certo. Em seguida, mosquitos que continham Wolbachia foram infectados com dengue. O resultado foi promissor: o vírus não foi capaz de crescer corretamente no mosquito e, consequentemente, também não pode ser transmitido para os seres humanos.

Qual o resultado da aplicação do método Wolbachia?

Ao longo de algumas gerações, o número de insetos portadores de Wolbachia aumenta rapidamente, até que quase todos os insetos de uma população tenham a bactéria.

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O método já foi testado anteriormente?

Sim. Após os testes em laboratórios, foi feita a abordagem em comunidades onde a dengue já era problema há vários anos. Durante um período de 10 a 20 semanas, os mosquitos Aedes aegypti com dengue foram liberados no ambiente, uma vez por semana. Após alguns meses, 100% dos mosquitos possuíam a Wolbachia, característica que se manteve ao longo de anos. O resultado foi a redução drástica dos casos de dengue.

Em quais cidades o método Wolbachia já foi utilizado?

O método foi implantado nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói (RJ), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE). Em Niterói, por exemplo, o método Wolbachia começou a ser implantado em 2015. No ano passado, foi o primeiro município do Brasil a ter 100% do território coberto pela estratégia. De acordo com as informações da Prefeitura de Niterói, houve redução de aproximadamente 70% dos casos de dengue, 60% de chikungunya e 40% de zika.

Além de Joinville, outras cinco cidades estão recebendo o método nesta fase: Londrina e Foz do Iguaçu (PR); Uberlândia (MG); Presidente Prudente (SP) e Natal (RN).

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Em Joinville, como vai acontecer a implantação?

A biofábrica onde serão produzidos os Wolbitos – mosquitos com a bactéria Wolbachia – e que serão soltos no ambiente, irá funcionar no prédio da antiga UBSF Nova Brasília. O local está passando por reformas e adequações para o início das atividades.

A partir de quando os Wolbitos passarão a circular em Joinville?

A partir do início do segundo semestre, a liberação dos Wolbitos vai acontecer em 17 bairros do município. A escolha dos bairros considerou critérios como número de focos e de casos confirmados. Gradativamente, os Wolbitos liberados vão se reproduzir com os Aedes aegypti locais. Aos poucos, eles estabelecerão uma nova população de mosquitos que não transmitem dengue e outras doenças.

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Os Wolbitos são diferentes dos outros Aedes aegypti?

Não. Os mosquitos que possuem a bactéria são iguais aos mosquitos selvagens, que não possuem a Wolbachia. Portanto, não é possível distinguir um do outro.

Com a circulação dos Wolbitos os cuidados com prevenção da dengue podem diminuir?

Não. Mesmo com a circulação dos Wolbitos, toda a população deve manter os cuidados em suas residências, tais como verificação das caixas d’água, calhas, galões, pratos de vasos, piscinas, potes de água e alimento de animais, entre outros cuidados que constam no check list do “10 Minutos Contra a Dengue”, disponível no site da Prefeitura de Joinville.

Assista também à nossa entrevista no Café com Chuville com a gerente da Vigilância em Saúde de Joinville, Aline Berkembrock, onde ela fala sobre o combate à dengue e o método Wolbachia.


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).

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