Índice de aprendizagem nas escolas municipais em Joinville fica abaixo da meta
Resultado do IDEM de 2025 aponta que o município ficou 4,10% abaixo em relação a 2024. Prefeitura enxerga como uma oscilação pontual, e educadores indicam sobrecarga e falta de professores para o resultado abaixo do esperado.
Prefeitura afirma que a proficiência dos alunos da rede municipal é alta se comparada a outros municípios - Foto: Secom
A cidade de Joinville teve uma ligeira queda de 4,10% no índice de aprendizagem dos alunos do ensino fundamental da rede municipal de ensino. Os números foram apresentados ontem, 31, durante uma reunião com Diego Calegari, secretário de Educação, e profissionais do setor.
Dados apresentados por Calegari mostram que, na etapa 1 (alunos do 2º ano), a rede ficou abaixo da meta de 7,88 ao registrar 7,63. Na etapa 2 (alunos do 5º ano), o índice foi de 7,69, frente à meta de 7,93. Já na etapa 3 (alunos do 9º ano), o desempenho caiu para 6,08, distante dos 6,48 esperados.
A prefeitura confirmou os dados e informa que serão divulgados no Diário Oficial do Município, e aponta que algumas unidades escolares puxaram o índice para baixo, sem divulgar quais, em detrimento de outras, e que, após a divulgação, essas unidades terão um período para recorrer dos resultados.
Apesar de reconhecer a queda, a prefeitura se defende e diz que, comparada a outros municípios, a proficiência dos alunos da rede municipal é alta e vem em crescimento ao longo dos últimos cinco anos de avaliações, segundo comunicado.
A pasta ainda reforça que, ao longo dos últimos anos, tem implementado várias políticas educacionais, como a formação dos profissionais da educação, recomposição das aprendizagens, fortalecimento das equipes gestoras, reestruturação do processo de alfabetização, entre outras, com foco na aprendizagem adequada de todos os alunos e, portanto, no alcance das metas.
Educação prevê gratificação por desempenho a escolas
A Secretaria de Educação utiliza os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Municipal (IDEM) para calcular gratificações a servidores por meio do Programa de Valorização por Resultados na Aprendizagem.
O cálculo considera o desempenho geral da rede, os resultados das unidades escolares e critérios individuais, como frequência, participação em formações, entrega de atividades e tempo de atuação.
Neste ano, 88 escolas devem receber algum valor de gratificação com base no desempenho da unidade, desde que os servidores atendam aos critérios estabelecidos.
Segundo a secretaria, os resultados individuais ainda serão divulgados. O pagamento está previsto para o segundo semestre.
Precarização, sobrecarga e pressão por metas para bonificação são vistas como fatores na queda de aprendizagem
Segundo Jane Becker, professora concursada do município e ex-presidente do Sinsej, a política de valorização atrelada ao desempenho, aliada à falta de professores e à sobrecarga das equipes escolares, é apontada como um fator de pressão sobre os servidores, além de não considerar condições reais de trabalho, como afastamentos por saúde ou falta de estrutura nas unidades.
Para a educadora, a política educacional passou a adotar uma lógica de meritocracia e bonificação por resultados que fragiliza o coletivo escolar.
Em conversa com esta reportagem e de acordo com seu artigo de opinião publicado no Chuville, são citados a demora na reposição de professores afastados por comorbidades ou problemas de saúde mental, o número excessivo de alunos em sala de aula, a falta de auxiliares, o aumento da burocracia, a sobrecarga de trabalho e a redução da autonomia pedagógica das escolas.
A Secretaria de Educação (SED) entende que os métodos utilizados pela gestão de Adriano Silva estão sendo efetivos e que, segundo informado, o crescimento vem sendo rápido, e que, em casos específicos, será necessário “reorganizar um pouco a casa para voltar a fazer os índices evoluírem”, nas palavras de Calegari.
A SED ainda informa que avaliações trimestrais ocorrerão e que correções nos métodos serão aplicadas no decorrer do ano.

Fagner Ramos
Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).











