Gestante estoura a bolsa e espera mais de 30 horas por uma cesárea
Caso ocorreu na maternidade Darcy Vargas. Durante a apuração do Chuville, a mãe foi levada para a mesa de cirurgia para realizar o parto.
Uma gestante entrou em trabalho de parto após estourar a bolsa e teve que esperar mais de 30 horas para os médicos optarem pelo procedimento de cesárea na maternidade Darcy Vargas, em Joinville, nesta quarta-feira, dia 18.
O caso foi reportado pela família da gestante, que não terá seu nome mencionado na matéria por sigilo de fonte e dados. A mãe da gestante, que será chamada de J na matéria, preocupada com a situação da filha, que sofria com dores há um longo tempo, procurou a reportagem do Chuville para fazer uma denúncia.
Com medo de que sua filha perdesse a vida, assim como a do bebê, J contou que sua filha deu entrada no hospital na manhã de terça-feira, com fortes dores e apenas seis dedos de dilatação.
Ao questionar os médicos se não seria melhor optarem pela cesárea, foi informada de que o caso não era grave e que teria que esperar na fila, já que havia outras gestantes aguardando pelo parto.
A mãe também nos contou que sua filha estava passando por uma gestação de risco e que essa seria sua terceira tentativa, pois, além de sofrer com sangramentos constantes, havia sofrido abortos espontâneos em gestações anteriores.
O Chuville fez contato com a ouvidoria do hospital para mais informações sobre o caso e recebeu a informação de que, apesar do conhecimento da situação, não poderia repassar qualquer dado da paciente e que levaria o caso à direção.
A reportagem também tentou contato com a Secretaria de Saúde para mais esclarecimentos sobre os procedimentos atuais e, até o momento da veiculação desta matéria, não teve retorno.
Poucos minutos depois, J fez contato novamente com a nossa reportagem, informando que sua filha foi levada para a mesa de cirurgia. Sua neta nasceu com saúde e sua filha passa bem após a cesárea realizada.
Maternidade é alvo de investigação do MPSC
A Maternidade Darcy Vargas, que é um hospital sob responsabilidade do estado, é alvo de uma investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por irregularidades no atendimento, negligência médica, falhas na gestão e na prestação de serviços, que supostamente vieram a levar a óbito bebês de mães que recorreram à maternidade para o parto.
A Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville relata ao menos 10 denúncias em 2025 e cobrou explicações e um relatório da instituição.
Caso levou a uma audiência pública
Relatos de violência obstétrica e negligência em atendimento, motivaram uma audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. O encontro reuniu mães e pais que relataram partos traumáticos e complicações graves envolvendo seus filhos.
Naquela ocasião, mães relataram perda de bebês após a negativa da maternidade em realizar cesárea e sequelas neurológicas permanentes nos filhos devido à demora no diagnóstico de pré-eclâmpsia.
Após vários casos ocorridos, os funcionários da maternidade passaram a ser alvo de intimidações e ameaças na instituição, com pais xingando e, em um caso extremo, entrando com facão na UTI neonatal, colocando em risco a vida de toda a equipe.
A denúncia ao MPSC foi feita pela vereadora de Joinville, Vanessa da Rosa (PT), que acompanha os desdobramentos da investigação, segundo mensagem em suas redes sociais.

Fagner Ramos
Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).











