Gerente do CBEA é pressionada em audiência sobre possíveis eutanásias
Gestora nega eutanásia indiscriminada durante audiência pública, mas critérios adotados pelo Centro de Bem-Estar Animal são colocados em xeque após denúncia investigada pelo MP.
Elisabet de Sousa Mendes, gerente do CBEA durante audiência pública na CVJ - Imagem do Youtube
A prática de eutanásia no Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) voltou ao centro do debate público após o Ministério Público de Santa Catarina aceitar investigar denúncias de irregularidades nos procedimentos adotados pela unidade. O tema foi discutido em audiência pública realizada na noite de segunda, 23, na Câmara de Vereadores de Joinville.
Durante a reunião da Comissão de Urbanismo, a gerente do CBEA, Elisabet de Sousa Mendes, negou que o centro realize eutanásias de forma indiscriminada ou por conveniência administrativa, como a liberação de vagas em baias. Segundo ela, o procedimento é adotado apenas como última alternativa, em casos de sofrimento irreversível ou risco à sociedade.
A audiência foi motivada por uma denúncia feita por uma veterinária e uma estagiária que atuaram no local, apontando a realização de 413 eutanásias. O Ministério Público solicitou esclarecimentos à Prefeitura de Joinville, responsável pela gestão do centro por meio da Secretaria de Meio Ambiente.
A vereadora Liliane da Frada (Podemos), que presidiu a audiência, afirmou que a apuração é necessária diante da gravidade dos números e cobrou maior transparência na atuação do CBEA. Segundo ela, protetores de animais que ajudaram a viabilizar a criação do centro continuam tendo acesso à unidade, mas relatam dificuldade em obter informações detalhadas sobre os critérios adotados. A parlamentar afirmou que, caso sejam constatadas irregularidades, irá cobrar a responsabilização dos envolvidos.
Como exemplo, Elisabet citou o caso de um cão que permaneceu quase quatro anos sob acompanhamento veterinário antes da decisão pela eutanásia, após episódios de agressividade e sinais de sofrimento contínuo. Segundo a gerente, todas as alternativas terapêuticas teriam sido esgotadas antes do procedimento.
Apesar das explicações, ativistas da causa animal questionaram a consistência dos critérios adotados. Representantes de ONGs relataram a análise de prontuários que, na avaliação delas, indicariam possibilidade de recuperação em parte dos animais submetidos à eutanásia.
A gerente do CBEA afirmou que todos os casos possuem registros médicos e que as decisões foram tomadas por profissionais habilitados. Disse ainda que o Ministério Público, que teve acesso aos prontuários, deverá avaliar a legalidade dos procedimentos. A investigação segue em andamento e deve esclarecer se as práticas adotadas pelo centro respeitam os protocolos técnicos e legais exigidos.

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