Fato ou Manipulação?
Uma análise sobre a carta assinada por quase 200 entidades empresariais catarinenses (incluindo joinvilenses), de que o Brasil está virando Venezuela. .
Um grupo de 183 entidades representativas de empresários catarinenses publicou ontem (22) uma carta alarmante: de que “o Brasil caminha a passos largos rumo à venezualização da população”. Segundo o grupo, formado majoritariamente por Câmaras de Dirigentes Lojistas, o Estado está “inchado”, com alta carga de impostos e consequente travamento da economia/desenvolvimento.
Diz um trecho da carta: “É absolutamente inaceitável que em um cenário econômico já tão adverso o Poder Público opte por onerar ainda mais os cidadãos e as empresas, sem se dar ao trabalho de realizar a tarefa elementar de promover uma urgente reforma estrutural que elimine desperdícios, combata a ineficiência e a corrupção, priorize a gestão responsável dos recursos públicos e recoloque o País no rumo da “Ordem e Progresso” estampada na nossa bandeira”.
O trecho refere-se claramente à recente aprovação do decreto, pelo Governo Federal, da elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida em um primeiro momento não atinge o cidadão comum, sem grandes volumes financeiros. Porém empresários maiores serão atingidos, pois empréstimos a este grupo, por exemplo, ficarão um pouco mais caros.
O aumento da alíquota do IOF, isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o polêmico projeto em discussão no Congresso Nacional, que taxa grandes fortunas, sobretudo as Bet’s, fazem parte do pacote de ajustes financeiros que, segundo o governo Lula, tem trazido desigualdades históricas ao país. O Governo espera arrecadar quase R$ 9 bilhões com o IOF.
Mas até onde o Brasil pode virar Venezuela?
Em um primeiro momento precisamos analisar que a vizinha Venezuela é uma ditadura, onde há anos assola a economia local, obrigando boa parte da população migrar para outros países, incluindo o Brasil. Só em Joinville, segundo dados do IBGE e da Secretaria da Assistência Social, mais de 6 mil venezuelanos vivem aqui.
O Brasil, por outro lado, é uma democracia, que tem se mostrado fortalecida sobretudo nos últimos anos, quando suas instituições foram testadas no combate ao golpe de estado, à corrupção e ao crime organizado. Nossa Constituição, embora desatualizada, é elogiada internacionalmente por suas vantagens aos cidadãos.
Enquanto o grupo de empresários reclama de um país “engessado” e que gasta demais, dados econômicos mostram um avanço: o Brasil gerou, só neste ano, mais de 1 milhão de empregos com carteira assinada, sendo o setor de serviços e o comércio os que mais empregaram. Santa Catarina foi o estado que mais gerou empregos no Brasil, com mais de 73 mil vagas formais só nos primeiros cinco meses de 2025, uma taxa de crescimento de quase 3% em comparação ao ano passado. Os dados são do novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Joinville, por ser a maior cidade e economia catarinense, lidera a geração de empregos, com mais de 5 mil novos postos de trabalho neste ano, seguida por Itajaí (3,3 mil), Blumenau (2,4 mil), Chapecó (2,2 mil) e Brusque (1,5 mil).
A renda do catarinense também se destaca, mantendo-se como o terceiro estado brasileiro que mais paga (média de R$ 2,3 mil iniciais).
Com economia diversificada, Santa Catarina não se abala a qualquer crise econômica. Entre serviços, indústria, comércio, tecnologia, construção civil e até empreendedorismo, o estado tem números que corroboram o fato de ter sido o estado que mais recebeu migrantes de todo o Brasil.
Por outro lado, vemos uma guerra invisível, formada por empresas que não repassam redução de preço ao consumidor, como por exemplo, postos de combustível. O governo federal já reduziu cerca de 17% os custos desde 2023, mas o preço na bomba permanece praticamente o mesmo. Congressistas têm pautado projetos que favorecem grandes empresários e setores como agro (recente projeto aprovado, chamado PEC da Devastação é um exemplo).
É preciso nos atentar que estamos em ano pré-eleitoral, ou seja, ano que vem teremos novas eleições presidenciais e para o Congresso. Novamente o país já dividido viverá mais uma luta estilo “Fla-Flu”, onde no fim das contas, quanto mais embate, menos avanço há para todos.
Não podemos esquecer o movimento internacional de ideologias, liderado pela presunção norte-americana, com suas recentes taxações, atingindo diversos mercados, incluindo o Brasil.
Aliado a tudo isso, vem as redes sociais, que facilitam a proliferação de fake news, deixando a população mais perdida que cego em tiroteio, muitas vezes desacreditada. Vale lembrar que nosso estado tem sido palco constante de polêmicas ruins, como xenofobia, nazismo e toda sorte de preconceito.
É preciso ler, se informar, buscar o contraponto para entendermos o que há por trás de grandes movimentos, como este dado pelos empresários catarinenses.





