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EXCLUSIVO: Entrevista com Julio Garcia, presidente da ALESC

Durante visita à Câmara de Vereadores de Joinville nesta terça-feira (27), o Chuville Notícias conversou com o presidente da Assembleia Legislativa catarinense sobre visão política e outros temas que interessam à nossa região.

Homem falando ao microfone
Foto: Divulgação

Como autor da coluna Estamos de Olho, entrevistei na tarde de ontem (terça-feira), no gabinete da presidência da Câmara de Vereadores de Joinville, Julio Garcia (PSD), presidente da ALESC. Tratamos sobre o mal da polarização, o gargalo da BR 280 no trecho até São Chico, a polêmica do projeto Viamar e sobre quais projetos vai defender se for aprovado e eleito como candidato a deputado federal.

CARLOS CASTROEm tempos de polarização com bolsonarismo e extremismo de um lado e lulismo e petismo do outro, percebo nas suas falas e de João Rodrigues, pré-candidato ao governo do estado pelo PSD, um discurso mais agregador. Qual a sua exata visão sobre a polarização?

JULIO GARCIA – Acima de tudo, política tem que ser feita com respeito, independentemente do que pensa o seu adversário. A polarização não trouxe nada de bom para o Brasil. Espero que a campanha na televisão e no rádio possam fazer o eleitor perceber quem realmente está preparado para governar o país. É preciso estatura moral e capacidade de diálogo para conversar com o STF, o Congresso Nacional, e com as forças vivas da sociedade para apaziguar as tensões e isso renda mais desenvolvimento, empregos, riqueza. É isso que vai diminuir as desigualdades que ainda são muito grandes no Brasil. 

CCA região norte tem um grande gargalo que é a falta da duplicação da BR 280 no trecho até São Chico. O que falta para viabilizar a duplicação desse trecho?

JC – Está faltando vontade política, união das forças catarinenses para pressionar o governo federal para que pague o que deve a Santa Catarina, que tem muitos gargalos em rodovias federais e estaduais. É preciso um plano de curto, médio e longo prazo e com obras estruturantes. Quanto tempo não se faz uma estrada nova em SC? Quanto tempo não se duplica um único quilômetro de estrada catarinense? A partir de 1º de janeiro, o governador eleito terá que se debruçar sobre os problemas de infraestrutura do estado e cuide para ampliar as estradas catarinenses, não vai demorar para a economia catarinense colapsar por falta de infraestrutura. Nosso modal é completamente rodoviário, portanto, é preciso construir rodovias.

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CCO saudoso Luiz Henrique tentou criar o modal fluvial com o Jetbus e não deu certo. Há algum debate em curso, algum projeto de buscar outras alternativas de modais para impedir um colapso que está claro que vai ocorrer logo ali na frente? 

JC – Qualquer tentativa de criar um modal novo, seja fluvial ou trilhos, são soluções que demoram mais do que ampliar o modal rodoviário. Claro que pode, em paralelo ao modal rodoviário, tentar projetar e construir modais alternativos, mas a solução menos demorada, é ampliar o modal rodoviário. 

CCO governador Jorginho Mello vem anunciando o projeto Viamar que iniciou no governo Moisés, como se já estivesse em execução. João Rodrigues, pré-candidato ao governo no estado pelo seu partido (PSD), diz que não há nada em execução. O que é verdade e o que não é nesse debate? Nós vamos ter essa obra importante para desafogar a BR 101. Se sim, quando isso vai ocorrer? 

JC – Esse tema tem que ser tratado com muita responsabilidade. Não há um estudo definitivo sobre as melhores soluções para o problema do congestionamento da BR 101 Norte. Há um mero estudo do traçado, porém, sem licença ambiental, sem desapropriação, e o trecho em licitação é muito pequeno. É a mesma coisa que construir uma ponte sem as cabeceiras. Não outra alternativa para resolver isso que não seja através de parceria com a iniciativa privada. Não há recursos públicos suficientes para fazer uma estrada dessa magnitude.

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CCComo pré-candidato a deputado federal, já que a Convenção de seu partido ainda não ocorreu, quais são as principais bandeiras que pretende hastear em Brasília na defesa dos interesses dos catarinenses?

JC – Não pretendo votar em nenhuma hipótese em aumento de impostos. Faz alguns anos que a Alesc não vota aumento de imposto. Isso é clausula pétrea. Em Brasília pretendo me unir a quem pensa como eu para debater as reformas que o país precisa, sobre mudar a forma de fazer política. O presidente da República tem que liderar um processo de harmonia e respeito entre os poderes. O binômio independência e harmonia é o tempo todo desrespeitado. O presidente da República não fala com o presidente do Congresso Nacional, as duas maiores autoridades do país. Simplesmente estão de mal. É um absurdo ver Brasília virada de pernas pro ar. É preciso construir um grupo de lideranças que tenham espírito público para mudar esse estado de coisa. O Supremo não respeita o Legislativo e esse não respeita o Executivo, usurpando de todas as verbas possíveis para emendas sem qualquer critério, secretas. O dinheiro é público e as emendas são do orçamento secreto. Isso tem que acabar. Quem deve executar é o Executivo. É preciso pensar o Brasil de forma correta, como tem que ser. 

CCRealmente a maturidade política está ausente. Estamos vendo a adolescência mental tentando lacrar o tempo todo. Esperamos que essa eleição mande a turma da 5ª série para casa. Política é para mentalidade adulta.

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JC – Como você vai cobrar do governo federal se não conversa com o presidente? Como que o presidente da República vai resolver os problemas do Brasil se não conversa com o presidente do Congresso Nacional? O Brasil precisa restabelecer o diálogo, a harmonia e o espírito público para diminuir as desigualdades e diferenças que há no país. É preciso voltar à normalidade para que possamos construir uma sociedade melhor, mais humana, justa e fraterna com inclusão social, igualdade de oportunidades para que haja dignidade. O ser humano não nasceu para viver de esmola. Para ter dignidade é preciso oportunidade, para isso é preciso ter desenvolvimento que só é possível com harmonia entre os poderes.          

   

    

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