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ESTAMOS DE OLHO: O medo de alguns vereadores da resistência popular em Joinville

Nesta edição especial, mostramos o pavor de um jovem vereador, o estrionismo radical de outro e a valentia travestida de falsa moralidade do Macho Banal Liberal diante das mulheres organizadas da cidade.

homem com uma lupa na mão
Estamos de Olho Especial

A revolucionária alemã Rosa Luxemburgo tem uma frase antológica: “Quem se movimenta, sente as grades que o cerca”. Este colunista teve uma fase importante de sua vida na militância das lutas contra as injustiças sociais e, antes que atirem as groselhas, o papel desta Coluna é analisar os fatos sob o olhar deste jornalista. Então, vamos trazer um fato que está pautando a política joinvilense.

Um movimento de jovens ocupou um imóvel abandonado da União para reivindicar o espaço como estrutura necessária de combate à violência contra a mulher. Os índices de feminicídio são alarmantes e graves. Mas a ação foi suficiente para ativar o gatilho mental do reacionarismo político contra um movimento justo, com uma pauta necessária.

O jovem vereador Lucas Souza (Rep) foi às redes sociais para criticar. Wilian Tonezi (PL) usou a Tribuna da Câmara para detonar o movimento. O mais ousado foi o vereador Mateus Batista (UB) e seus assessores do MBL, que foram in loco provocar a militância feminista.

Coordenadora do Movimento Olga Benário e o CDH defendem a ocupação!

Luiza Wolff, do Movimento Olga Benário, disse à Coluna que o objetivo é organizar o espaço para acolher mulheres que sofrem violência, problema que tem crescido muito em Joinville e em todo o estado. “Neste ano já houve 36 feminicídios e, em Joinville, já foram pedidas mais de 900 medidas protetivas. A Casa Viva Rosa tem apenas 24 vagas e não há uma delegacia especializada que funcione 24 horas por dia ou atue aos finais de semana”, disse. Sobre a ocupação, Luiza entende que “se o imóvel estava abandonado há tantos anos, sendo da União e havendo uma reivindicação de tamanha magnitude para atender as mulheres, decidimos ocupar para que atenda a uma necessidade social da propriedade pública, prevista na Constituição”, afirmou.

O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Joinville, por meio da advogada Cynthia Pinto da Luz, também se posicionou em defesa do movimento. “Quando as políticas públicas falham, como no caso de coibir a violência contra a mulher, a atitude dessas jovens mulheres, inconformadas com o avanço do feminicídio, é um alento. Isso mostra que o movimento social consegue desnudar a crueldade perpetrada pelo Estado, que custa vidas”, disparou. As mulheres não precisam de proselitismo. Precisam de ação concreta. Sobre os vereadores, Cynthia entende que “o político não pode criminalizar o movimento. Ao contrário, deveria cumprir seu papel de intermediário entre as reivindicações e uma saída negociada com o Estado”.

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O Direito à Desobediência Civil e o Direito de Resistência!

Esta Coluna entende que, se há uma necessidade popular não atendida, a história e a filosofia do direito apresentam a desobediência civil como alternativa. Os vereadores deveriam conhecer a história de Gandhi e Martin Luther King. Na jurisprudência brasileira, a desobediência civil pode ser amparada pelo direito de resistência e pelos direitos fundamentais implícitos. E o direito de defesa da vida das mulheres precede todo o mimimi levantado pelos vereadores.

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