ESTAMOS DE OLHO: Justiça em xeque; camisa da copa vale menos que contratos e mais!
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Editorial - A Caixa de Pandora continua aberta
Há notícias que parecem saídas de um romance distópico. A sucessão de escândalos envolvendo violência extrema, corrupção, fanatismo, guerra familiar pelo poder e degradação moral leva muitos brasileiros à sensação de que a Caixa de Pandora permanece escancarada. Toda semana um novo episódio disputa espaço com o anterior, como se a capacidade de indignação da sociedade estivesse sendo permanentemente testada.
Com as notas na Coluna de hoje, tenho dúvidas sobre se a mitologia grega está certa. Segundo ela, depois de todos os males escaparem da caixa, apenas a esperança permaneceu. Daí cabe perguntar, quando teremos contato com a esperança? Será com a vinda dos et's? Porque os demônios não param de sair da caixa. Infelizmente, o absurdo vem tomando conta da paisagem.
Copa do Mundo 1 – Quando a camisa pesa menos que o contrato
O Brasil voltou mais cedo para casa. Não foi apenas uma eliminação; foi o retrato de um futebol que parece ter perdido a alma. A posse de bola de apenas 34% escancara um problema que vai para além da análise. O dinheiro nunca foi inimigo do esporte. O problema é quando o cifrão passa a pesar mais que o escudo no peito. Entre patrocínios, casas de apostas e cifras milionárias, sobra cada vez menos espaço para o velho orgulho de vestir a camisa canarinho.
Quem deu uma aula de futebol foi justamente quem não levantou a taça. Cabo Verde caiu diante da Argentina, mas saiu de cabeça erguida e com o respeito de quem ainda acredita que representar um país vale mais do que representar uma marca de patrocínio. Há derrotas que diminuem campeões e outras que eternizam equipes. Os cabo-verdianos escolheram a segunda opção. Desmascarando, como sempre, fez uma análise perfeita sobre a passagem do Brasil pela Copa.
Copa do Mundo 2 – Quando o VAR atende pelo telefone
A Copa ganhou um roteiro digno de perplexidade. A contestada anulação do cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano reacendeu uma velha suspeita: até onde vai a autonomia da FIFA quando interesses políticos entram em campo? O episódio inevitavelmente lembra 1934, quando Benito Mussolini transformou o Mundial em instrumento de propaganda. A história raramente se repete ao pé da letra, mas costuma fazer discretas rimas.
Mais preocupante do que um lance isolado é a impressão de que as regras podem mudar conforme o peso de quem reclama. Se o regulamento deixa de ser o árbitro do jogo, o futebol vira espetáculo sem credibilidade. E quando a confiança sai de campo, nenhum placar consegue devolver o encanto da partida. A renúncia de Gianni Infantino vem sendo pedida pela diretoria da FIFA. A declaração da UEFA diz tudo: “Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus guardiães, a integridade do jogo está em risco”.
Bolsonarismo – O adversário mais eficiente de si mesmo
Se a intenção era dificultar a vida de Lula, parte da oposição resolveu ir na contramão. Entre disputas internas, declarações infelizes e estratégias que parecem improvisadas, o bolsonarismo vem oferecendo ao adversário um presente atrás do outro. Há campanhas que precisam enfrentar o oponente. Flavio Bolsonaro tropeça nas próprias pernas e produz um roteiro pior que o filme do Exército de Brancaleone. Foi tarifaço, trocar Pix por Zelle, propor transição com o governo Trump, ataques mútuos entre a madrasta e o enteado, e a cereja do bolo veio de Paulo Figueiredo com a asneira misógina de que mulher não sabe votar.
Michelle Bolsonaro ao elogiar a política do governo Lula sobre os surdos, virou alvo de ataques, mas, segundo ela, a defesa da comunidade surda deve estar acima das disputas ideológicas. Na política, fogo amigo costuma queimar mais do que o ataque da oposição. E ninguém vence uma eleição brigando apenas consigo mesmo.
Selic – O Brasil trabalha, o rentismo agradece
O país continua convivendo com uma das maiores taxas reais de juros do planeta (14,25%). Enquanto trabalhadores, empresários e consumidores enfrentam crédito caro e crescimento modesto, o rentismo segue recebendo dividendos generosos. O debate fiscal costuma apontar o dedo para programas sociais, mas raramente mira o custo bilionário da dívida pública alimentada pelos juros elevados.
Curiosamente, boa parte dos editoriais da Imprensa tradicional que defendem cortes em benefícios sociais trata a remuneração do capital como uma espécie de fenômeno da natureza, imune ao debate. Talvez esteja aí um dos maiores paradoxos da economia brasileira: o gasto do pobre vira manchete; o privilégio do dinheiro costuma passar pelas páginas em silêncio.
Em 2025, os bancos e a Faria Lima engordaram suas contas em mais de R$ 1 trilhão com o pagamento do (des)serviço da dívida, tornando as políticas sociais, meras migalhas que cai da mesa farta do baronato.
A (in)Justiça como palco de narrativas
A Justiça vive um de seus momentos mais delicados. Em tempos de polarização, cada decisão é imediatamente lida pelo filtro da ideologia. A recente decisão do ministro André Mendonça que beneficiou Marcelo Crivella, assim como a negativa da Justiça italiana em extraditar Carla Zambelli, alimentam um debate que vai além dos processos: cresce a percepção de que o Direito já não convence mais apenas pela técnica, mas também pela narrativa construída em torno dele.
O problema não é a divergência entre magistrados — ela faz parte da democracia. O risco surge quando decisões semelhantes recebem tratamentos distintos conforme o personagem da vez. A confiança na Justiça não depende de unanimidade; depende da sensação de que a mesma régua mede todos os lados. Quando essa impressão desaparece, as sentenças continuam sendo publicadas, mas deixam de produzir consenso.
Pastor ou lobo mau? Nem todo púlpito conduz ao céu
A prisão do pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com organizações criminosas, reacende uma discussão que as igrejas sérias não podem mais adiar. A fé continua sendo um dos maiores patrimônios da sociedade brasileira. Justamente por isso, não pode servir de escudo para quem transforma púlpitos em balcões de negócios ou, pior, em esconderijos para atividades criminosas.
O Evangelho sempre alertou sobre os falsos profetas. Talvez o desafio contemporâneo seja identificá-los antes que ocupem o altar. A religião não perde credibilidade por causa dos que a praticam com honestidade; perde quando silencia diante dos que fazem da fé um instrumento de poder e lucro.
Estamos atingindo 130 envolvimentos de pastores evangélicos em escândalos criminosos. Como veículo de comunicação, não dá para deixar de ver tantos absurdos acontecendo em nome de Deus. Quando Jesus falou que os falsos profetas iriam se manifestar no final dos tempos, não imaginava que fosse com tamanho volume e estamos somente na metade do ano.
Quando a barbárie perde a vergonha
A Operação Contra Barbariem, da Polícia Federal, revelou um dos capítulos mais perturbadores dos últimos tempos: uma rede investigada por produzir e comercializar vídeos de extrema violência contra crianças, bebês e animais. Crimes dessa natureza desafiam qualquer explicação racional e escancaram até onde pode chegar a degradação humana quando a tecnologia passa a servir ao mercado da crueldade.
As investigações também alcançaram um pastor Tiago Ximendes, suplente de vereador do PL de Bagé (RS) e ex-chefe de gabinete do prefeito Divaldo Lara (PRD). O combate ao crime não escolhe profissão, partido ou religião. Em casos como esse, a sociedade espera menos discursos e mais Justiça. Há crimes que não apenas violam a lei; ferem a própria ideia de humanidade.
Os ET's estão entre nós?
A Ufologia está em polvorosa. Segundo os especialistas, o filme de Steven Spielberg, Dia D, prepara o público para a grande revelação. Até o Pentágono entrou na roda para convencer pastores e o Vaticano a prepararem seus rebanhos sobre o CONTATO. Há quem diga que os aliens estão em nosso meio. Depois daquele gol espírita do Messi em Cabo Verde, eu não duvido de nada. O hermano argentino tem todos os trejeitos de ser um ET.
Brincadeiras à parte, poucas civilizações seriam capazes de explicar o nosso país onde a realidade frequentemente supera a ficção. Diante de certos acontecimentos da semana, até os marcianos podem acabar perguntando se vieram ao planeta certo.
Rápidas
- No melhor debate sobre o fim da escala 6X1 no Senado, Cleitinho (Rep) destroça a narrativa tacanha de Rogério Marinho (PL).
- Estadão publicou em editorial que Flavio Bolsonaro é “O melhor cabo eleitoral de Lula”. Ao pedir ao governo Trump que espere passar as eleições para impor novo tarifaço ao Brasil, Flavio deu de bandeja a Lula o discurso da defesa da pátria. Só os bolsonaristas radicais não enxergam isso.
- Pelo visto, Malu Gaspar defende o retorno do governo do RJ ao CV que, indiscutivelmente, controla a ALERJ. Em sua última coluna, critica o pedido de vistas de Flavio Dino que impede a entrega do estado aos criminosos.
- O surubão de Trancoso promovido pelo “evangélico” da Lagoinha, Daniel Vorcaro, ainda não teve os vídeos expostos com os homens de família se refestelando na orgia. Antony Garotinho diz que assistiu um deles como a festa das astronautas.
- É inacreditável como a família Bolsonaro é envolvida em todo tipo de falcatrua financeira sem explicação lógica. Agora foi a vez do coordenador da pré-campanha de Flavio Bolsonaro que comprou mansão de R$ 14 milhões sendo um zé ninguém antes da eleição de Jair.
- Para não perder o jeito sobre decisões estapafúrdias, o presidente do TSE, Nunes Marques, nomeia a esposa do advogado de Claudio Castro, governador cassado do RJ. Para os homens de toga, não serve o provérbio “à mulher de Cesar não basta ser honesta, deve parecer honesta”.
- Ronaldo Caiado já tem seu vice na chapa à presidência. Gilberto Kassab aceitou o desafio, o que vai permitir ao goiano fazer mais de 1,5%. Será que o bolsonarismo extremista vai migrar para Caiado, vai para Renan do Missão ou vai de nulo?
- Como flamenguista nunca ouvir falar sobre Nando, irmão de Zico. O deputado federal, Paulo Teixeira (PT), publicou um vídeo em suas redes sociais, revelando uma história oculta que precisava vir à tona para ter o reconhecimento público.







