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Doação de órgãos: como funciona e por que falar com a família

Hospital São José captou 26 rins, 12 fígados e um pâncreas neste ano; Paciente recebeu um novo fígado após sete meses na fila de transplantes.

Médicos e cirurgiões durante o processo de transplante no Hospital São José
Médicos e cirurgiões durante o processo de transplante no Hospital São José (Foto: Secom)

O Setembro Verde chama atenção para a doação de órgãos e para a necessidade de discutir o assunto com a família. Em Joinville, o Hospital Municipal São José realizou neste ano a captação de órgãos de 14 pacientes que tiveram morte encefálica. Foram 26 rins, 12 fígados e um pâncreas, além de 76 córneas.

A doação pode beneficiar pacientes que aguardam por um transplante, mas depende da autorização dos familiares. Por isso, comunicar em vida o desejo de ser doador pode ajudar a família a tomar a decisão após a morte.

No Hospital São José, a Comissão Hospitalar de Transplantes acompanha as famílias durante o processo. A enfermeira Liliani Azevedo, coordenadora da comissão, explica que a decisão ocorre em um momento de luto e exige orientação às pessoas envolvidas.

Paciente recebeu fígado após sete meses na fila

Um dos transplantes realizados no Hospital São José foi o de Débora de Souza Alvin, de 46 anos. A aromaterapeuta recebeu um novo fígado em dezembro de 2025, após permanecer sete meses na fila de transplantes.

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Débora desenvolveu complicações decorrentes da doença policística, uma condição genética hereditária. Entre os sintomas estavam cansaço intenso, perda de apetite, perda de peso e dores constantes.

Morando fora do Brasil, ela retornou a Joinville com o marido depois que o quadro se agravou. Os exames mostraram que o fígado havia aumentado de tamanho e ocupado praticamente todo o abdômen. Ela também apresentava alterações nos rins e acúmulo de líquido na região dos pulmões.

A ligação informando a disponibilidade de um fígado ocorreu na noite de 2 de dezembro de 2025. Depois do transplante, Débora permaneceu em acompanhamento médico e, segundo seu relato, retomou a rotina em maio deste ano.

A paciente também destacou que, ao receber a notícia sobre o órgão disponível, pensou na família do doador.

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“É um sentimento duplo. Mesmo estando feliz, pensava no que a família daquela pessoa estava passando naquele momento”, relatou.

Como é feita a doação de órgãos

A doação pode ocorrer após a confirmação da morte encefálica, diagnosticada por meio de exames que comprovam a ausência de atividade cerebral.

No Brasil, a autorização para a doação após a morte é feita pela família. Podem autorizar os familiares de primeiro grau, como pais, filhos, irmãos e cônjuge.

O Hospital São José realiza transplantes de fígado e córneas e também participa da captação de múltiplos órgãos. A unidade foi responsável pelo primeiro transplante de rim realizado em Joinville, em 1978.

Os transplantes realizados pelo hospital são encaminhados à Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina, responsável pela organização do sistema estadual.

A orientação da Comissão Hospitalar de Transplantes é que as pessoas conversem previamente com os familiares sobre o desejo de doar órgãos. A manifestação em vida, porém, não substitui a autorização da família no momento da morte.

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