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Disque 100 tem serviço reformulado

O serviço é um canal de denúncias para diversas violências, incluindo a de intolerância religiosa que cresceu em 2024 no Brasil. .

Atualizado em 06/08/2024 às 17:08, por Fagner Ramos.

O Governo Federal realiza há 2 anos uma reformulação no canal de denúncias contra a violação dos direitos humanos, conhecido como Disque 100.

Neste último final de semana, foi realizada a atualização visual do canal de denúncias, incluindo cores que valorizam a dignidade e a inclusão.

As cores da marca — roxo, verde, amarelo e vermelho — foram escolhidas para refletir a dignidade e respeito, esperança e renovação, luz e positividade, e paixão pela justiça.

Outra mudança é tornar o atendimento mais humanizado e acolhedor. Além disso, os atendentes poderão ter uma jornada de trabalho em escala 5×2, apoio psicológico individual (pelo menos uma vez por semana, além das sessões coletivas de apoio psicológico), e uma formação continuada em direitos humanos (tanto para os operadores quanto para os gestores).

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O serviço foi criado em 1997 e está vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos. As denúncias realizadas no canal servem para que gestores públicos, sociedade civil e pesquisadores possam monitorar a situação dos direitos humanos no país.

Violência em números

Em uma comparação ao ano de 2022, do governo Bolsonaro, ao de 2023, no Governo Lula e sob o comando do ministro Silvio de Almeida, houve aumento de 45,39% no recebimento de denúncias e de 79,4% nas violações registradas.

Grande parte destas denúncias, 53,14%, são violências contra crianças e adolescentes, 33,46% contra pessoas idosas e 15,47% contra pessoas com deficiência. Os números de pessoas com restrição de liberdade, violência à população LGBTQIA+ e moradores de rua também são grandes.

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Todos os dados estão disponíveis no painel de dados no Ministério dos Direitos Humanos do Governo Federal.

Intolerância religiosa cresce no país

No primeiro semestre de 2024, o Brasil já chegou a 1.940 registros de denúncias no Disque 100 sobre violações à liberdade religiosa. Esses dados representam 91% do total registrado em 2023.

As religiosidades afro-brasileiras são os maiores alvos. De 525 violações, 276 envolvem adeptos de crenças de matriz africana.

O candomblé lidera com 166 violações, seguido da umbanda, com 124. As duas religiões juntas aparecem com 22 registros.

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Os maiores suspeitos de cometerem as violações contra essas religiões afro-brasileiras são de correntes evangélicas, segundo os dados. Os evangélicos seriam os autores de 55 dessas violações, distribuídas em 34 denúncias.

Em uma entrevista recente para o site UOL, Ordep Serra, Antropólogo e Professor Aposentado da UFBA, ressalta: “não é por coincidência ou acaso que são justamente os templos de matriz africana que são vandalizados, atacados. É a ‘demonização’ de tudo que tem a ver com o negro”.

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Campanha contra intolerância religiosa. Site Criola Org

O que e como denunciar

Diversas denúncias podem ser realizadas no canal, como: violência contra crianças, adolescentes e idosos, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, população LGBTQIA+, pessoas em situação de rua, tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão, tortura, intolerância religiosa, discriminação em relação à raça e gênero, entre vários outros temas.

Além do Disque 100, o denunciante pode optar pelo canal do WhatsApp (61) 99611-0100, Telegram (digitar “direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo), ou pelo site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Em todas as plataformas, as denúncias são gratuitas, anônimas e recebem um número de protocolo para que o denunciante acompanhe o andamento da denúncia diretamente com o Disque 100.

Saiba mais através do link


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).