Debate sobre Restaurante Popular no Bucarein expõe impasse entre segurança e alimentação
Vereadores e moradores divergem sobre possível mudanças no serviço; proposta envolve descentralização e criação de unidades separadas.
A Comissão de Proteção Civil debateu, na quarta-feira (24), a metodologia de atendimento e a permanência do Restaurante Popular Herbert José de Souza, no bairro Bucarein, em Joinville. A reunião expôs um impasse entre preocupações com a segurança no entorno do local e o direito à alimentação de trabalhadores e pessoas em situação de rua.
Durante o encontro, o vereador Brandel Junior (Republicanos) afirmou que o modelo atual do restaurante não se encaixa na realidade da região central. Ele defendeu a descentralização do serviço e a criação de unidades separadas, uma voltada a idosos e famílias de baixa renda e outra específica para a população em situação de rua. O parlamentar citou relatos de estudantes do Colégio Celso Ramos sobre possíveis episódios de importunação nas proximidades.
“Não questionamos o trabalho da assistência social, mas o aumento de pessoas em situação de rua virou um problema maior. No Bucarein, há café, almoço e janta todos os dias, enquanto na unidade do Adhemar Garcia não há almoço nos finais de semana”, afirmou.
Já usuários do serviço e moradores defenderam a manutenção do restaurante no Bucarein. A munícipe Larissa Stephanie destacou que o local é usado por trabalhadores da região. “Tirar o Bucarein é tirar o prato da mesa de quem passa fome. O que precisamos é ampliar a rede, não reduzir o atendimento”, disse.
O morador Reinaldo Gonçalves também criticou a proposta de mudança e afirmou que o debate estaria sendo conduzido de forma punitiva. Já o presidente da Associação de Moradores do Bucarein, Nelson de Oliveira, defendeu a descentralização, alegando que muitos trabalhadores enfrentam dificuldades de deslocamento até o Centro.
Representantes do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Pública para a População em Situação de Rua (Ciamp Rua) defenderam uma solução negociada entre poder público e sociedade. A avaliação foi de que o tema exige diálogo entre áreas técnicas e diferentes grupos envolvidos.
O vereador Diego Machado (PSD) afirmou que o acesso à alimentação é um direito, mas disse que o programa precisa ser acompanhado de outras políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Já o vereador Neto Peters (Novo) destacou a preocupação com a segurança no entorno e citou questões estruturais da segurança pública e da legislação penal.
A comissão deve encaminhar a proposta de novas reuniões com o Executivo municipal e entidades de direitos humanos para discutir os impactos de possíveis mudanças no serviço.




