Collor é preso em Maceió e ficará em presídio de Alagoas
Prisão foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Magistrados entendem a ação como um recado ao também ex-presidente Bolsonaro, indiciado por tentativa de golpe de Estado. .
O ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello, foi preso nesta madrugada, em Maceió, enquanto se deslocava para Brasília.
Segundo sua defesa, ele estaria indo para a capital cumprir, de forma espontânea, o mandado de prisão expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, na quarta-feira, 23.
Collor foi condenado a 8 anos e 6 meses de prisão, em maio de 2023, pelo próprio STF, por ter sido considerado culpado pelo recebimento de R$ 20 milhões em propinas da UTC Engenharia, em troca de ajuda nos contratos da BR Distribuidora. Sua pena, no entanto, vinha sendo adiada devido aos recursos apresentados pela defesa do ex-senador.
O recurso apresentado, chamado de embargo infringente, é uma ação que pode ser utilizada quando há quatro votos divergentes em uma decisão de condenação. Porém, o ex-presidente contava com apenas dois votos a seu favor — de Nunes Marques e Gilmar Mendes.
Alexandre de Moraes alegou que esses votos tratavam apenas da definição da pena, e não da condenação em si. Ainda segundo o ministro, esse tipo de recurso serviria apenas para atrasar a execução da pena, classificando-o como “meramente protelatório”.
Uma sessão virtual extraordinária foi convocada no STF, às 11h, para referendar a decisão de Moraes, que recebeu os votos favoráveis de Flávio Dino, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. No entanto, a votação foi interrompida por um pedido de destaque de Gilmar Mendes, transferindo o julgamento para o plenário físico.
Até o próximo julgamento, Collor ficará preso em um presídio da capital alagoana, para onde foi transferido durante a tarde desta sexta-feira, 25.
Segundo a jornalista Andréia Sadi, ministros ouvidos por seu blog de política no site G1 avaliam que a prisão de Collor cria um precedente para evitar questionamentos em uma eventual prisão de Bolsonaro.
Esses magistrados ainda reforçam que um eventual recurso de Bolsonaro contra a prisão seria submetido à 1ª Turma do Supremo, composta por cinco ministros, onde o ex-presidente precisaria ter ao menos dois votos pela absolvição. Bolsonaro foi tornado réu por unanimidade por esses mesmos ministros.

Fagner Ramos
Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).










