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Carro furtado de casal de Araquari é encontrado e depenado sob custódia da Polícia

Recuperado pela PRF, carro de casal com deficiência auditiva é deixado em via pública, sob a responsabilidade da Polícia Civil de Itajaí, sofre novos furtos e revela abandono do Estado.

Atualizado em 19/01/2026 às 10:01, por Fagner Ramos.

Montagem com duas fotos do mesmo carro prateado: na parte superior, o veículo está intacto dentro de uma loja de pneus; na parte inferior, o carro aparece estacionado na rua, sem as rodas, apoiado nos discos de freio.

Antes e depois do veículo furtado do casal Alexsandro e Joice - Foto: Pablo

Automóvel de um casal de Araquari, furtado em Balneário Barra do Sul nos primeiros dias do ano e encontrado durante uma blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Itajaí, foi deixado em via pública pela Polícia Civil e acabou depenado sob a custódia das autoridades.

Esse foi o relato de Pablo Jablonsky, cunhado do casal, que procurou a reportagem do Chuville para relatar o que considera um descaso dos órgãos competentes e do Estado. Anteriormente, ele já havia feito um vídeo mostrando como teria encontrado o veículo, dois dias depois de o carro ter sido recuperado pela PRF, e, revoltado, publicou o material em um perfil de “notícias” de bairro no Instagram.

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Pablo, que representa as vítimas Alexsandro Ruda e Joice Jablonsky, sua irmã, ambos deficientes auditivos, conta que sua irmã e seu cunhado foram passar as festas de final de ano na casa de outro casal de amigos, também deficientes auditivos, em Balneário Barra do Sul. 

No dia 3 de janeiro, decidiram fazer um passeio de barco e deixaram todos os seus pertences na casa, incluindo o carro e a chave do veículo. Ao retornar, perceberam que o automóvel não estava mais no local e que a residência havia sido invadida. Os bandidos levaram, além do carro, todos os pertences da casa e também de um imóvel vizinho, que estava vazio no momento do furto.

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Dois dias depois, em 5 de janeiro, o carro foi recuperado durante uma ação da PRF na BR-101, que terminou com a apreensão de dois veículos furtados que circulavam com placas clonadas, a recuperação dos objetos levados das residências e a prisão de três homens suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubos a residências. Tanto os suspeitos quanto os bens recuperados foram encaminhados à Central de Polícia de Itajaí para os procedimentos legais e posterior devolução aos proprietários. Esse procedimento, inclusive, foi divulgado por portais de notícias, como o site Jornal Razão.

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Carro encontrado e felicidade momentânea

Foi por meio da busca em portais e sites de notícias que Joice conseguiu saber do paradeiro do veículo, já que, até aquele momento, mesmo com um boletim de ocorrência registrado na Polícia Militar de Balneário Barra do Sul no dia 3, data do furto, nenhum contato havia sido feito.

Pablo relata que, quando tiveram uma ideia de onde o carro poderia estar, passaram mais de um dia em contato com amigos e com um advogado para localizar de fato o automóvel. Foi então que descobriram que o Gol prata estaria, supostamente, sob responsabilidade da Polícia Civil, na Central de Plantão Policial de Barra do Rio, em Itajaí.

“Ficamos felizes, recuperamos o carro, os pertences e achamos que iríamos receber tudo de volta. Fomos até a delegacia junto com o advogado da nossa família, mas não tivemos acesso aos pertences encontrados. No boletim de ocorrência há a descrição de um cartão apreendido, mas nem isso nos foi mostrado. Fomos ver onde estava o carro e nos informaram que ele estava na rua”, relata Pablo.

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A informação de que o veículo estava em via pública foi repassada por agentes da delegacia, que, ao serem questionados, afirmaram que a polícia não possui pátio conveniado. Cientes de que o carro não poderia ser retirado antes do cumprimento dos trâmites burocráticos, que levam de sete a dez dias, eles foram até o local para verificar as condições do automóvel
 

Como era o carro antes do furto - Foto: Pablo
Como o carro ficou sob custódia do estado - Foto: Pablo
Como o carro ficou sob custódia do estado - Foto: Pablo

“Pensamos que o carro estivesse em um lugar seguro. Quando cheguei, encontrei o carro na situação que mostro no vídeo”, conta Pablo.

No dia 7, o veículo estava parado em via pública, com as portas destravadas, sem os bancos, rádio, motor do para-brisa traseiro e estepe. Até aquele dia, o motor e a bateria ainda estavam intactos. No dia seguinte, 8 de janeiro, a tampa do motor estava aberta e a bateria havia sido furtada. Em uma vistoria realizada hoje, dia 19, os pneus não estavam mais no automóvel.

Segundo informações repassadas a Pablo pelo delegado de plantão que atuou no caso, o carro foi encontrado em perfeitas condições e havia registros fotográficos da situação, que até o momento não foram apresentados. Em conversa com moradores e comerciantes da rua onde os veículos são deixados, Pablo relata que o que ocorreu com o carro de seu cunhado é uma prática recorrente e acontece com outros automóveis abandonados pela polícia naquele local.

Descaso já é alvo de ação pública

Uma ação civil pública foi movida para exigir providências e a regularização da situação por parte do Estado. O advogado Leandro Vinicius Hahn, que também atua como assessor do vereador de Itajaí Sandro Serpa, protocolou uma ação popular denunciando o abandono de veículos em vias públicas, apontando riscos à saúde e à segurança dos moradores.

A juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso Terres, da Vara da Fazenda, concedeu liminar determinando que o Estado retire todos os veículos das ruas próximas à Central de Plantão Policial, como a Travessa Júlio Wippel, Rua Davi Adão Schmitt e Rua Paraguai, no prazo máximo de 15 dias. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 500 mil.
 

Local onde os carros são depositados pelas autoridades - Imagem Google

Oito meses antes, Serpa já havia protocolado o Requerimento nº 117/2025 ao governador Jorginho Mello, ao secretário Flávio Graff e ao delegado regional Márcio Colatto, cobrando explicações sobre o acúmulo de sucatas e questionando por que os veículos não estavam sendo removidos para pátios oficiais. O tema, no entanto, só ganhou maior repercussão após a ação civil pública, oito meses depois.

A reportagem do Chuville tentou contato telefônico com a Central de Plantão Policial, onde o carro foi levado, mas o número informado, que consta no boletim de ocorrência entregue a Pablo e Alexsandro, não funciona. Também foram feitas tentativas de contato com a 3ª Delegacia de Polícia, no Centro de Itajaí, sem sucesso. Ambos os telefones constam no site da Polícia Civil de Santa Catarina.

Foram enviados e-mails à delegacia e à assessoria da Polícia Civil em duas ocasiões, sem retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto e o texto será atualizado caso haja manifestação da Polícia Civil.
 


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).

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