Câmara de Joinville aprova censo animal após polêmica sobre “famílias diabólicas”
Projeto prevê que agentes de saúde registrem cães e gatos em visitas domiciliares; críticas de vereadores geraram debate sobre religião, saúde pública e bem-estar animal. .
A Câmara de Joinville aprovou nesta segunda-feira (15) o Projeto de Lei 72/2025, que autoriza agentes comunitários de saúde a coletar dados sobre cães e gatos durante visitas domiciliares. A proposta, de autoria da vereadora Liliane da Frada (Podemos), tem como objetivo mapear a população animal, verificar situação vacinal e de castração e subsidiar políticas públicas de saúde única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
O texto estabelece que a participação será voluntária e seguirá a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Experiências em cidades como Blumenau e Jaraguá do Sul já mostraram resultados positivos no controle de zoonoses, como a esporotricose.
O debate, no entanto, foi marcado por falas polêmicas. Os vereadores Cleiton Profeta e Wilian Tonezi (PL) votaram contra a proposta. Tonezi afirmou que a medida desviaria a função dos agentes de saúde, enquanto Profeta classificou o reconhecimento de animais como membros da família como “anti-cristão”. Tonezi chegou a dizer que essa visão seria “diabólica”.
As declarações geraram reação imediata de Liliane, que rebateu as críticas com dados de saúde pública, argumentos sobre a importância econômica do setor pet — que movimentou mais de R$ 75 bilhões no Brasil em 2024, segundo a Abinpet — e até referências bíblicas, citando a Arca de Noé como símbolo de cuidado com os animais.
Aprovado por maioria, o projeto segue para sanção ou veto do prefeito Adriano Silva (Novo). Caso seja sancionado, a Prefeitura terá 90 dias para regulamentar a medida, incluindo a capacitação dos profissionais.

Redação
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