Aumento de cargos e salários da Reforma Administrativa da prefeitura na mira do MP
Ministério Público de SC acatou Notícia Fato sobre possíveis irregularidades em um dos projetos da Reforma Administrativa, aprovado em julho deste ano, o qual criou quase 50 novos cargos comissionados, com impacto financeiro de mais de R$ 33 milhões anuais. .
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou um procedimento para apurar a possível inconstitucionalidade da Lei Municipal n.º 9.868/2025 de Joinville, que alterou a estrutura administrativa e criou novos cargos e funções gratificadas, a famosa Reforma Administrativa do governo Adriano Silva (Novo).
O despacho, assinado pela Promotora de Justiça Elaine Rita Auerbach, foi motivado por uma representação (Notícia Fato) do advogado Ricardo Bretanha Schmidt, que questionou a legalidade da norma.
Assim, o MPSC solicitou um estudo de viabilidade ao Centro de Apoio do Controle de Constitucionalidade (CECCON) para analisar os possíveis conflitos da lei com a Constituição do Estado de Santa Catarina e com a Constituição Federal. A análise também vai verificar se os cargos comissionados e funções gratificadas respeitam as exigências constitucionais, incluindo a necessidade de funções de direção, chefia e assessoramento, a relação de confiança e a proporcionalidade com os cargos efetivos (concursados).
A investigação poderá focar em vários pontos, incluindo a fixação de remuneração de Secretários Municipais por iniciativa do Poder Executivo, o que, segundo a representação, seria competência privativa da Câmara Municipal.
O argumento também aponta um possível conflito com os princípios da anterioridade legislativa e da inalterabilidade dos subsídios no curso do mandato atual. A lei, que entrou em vigor em julho deste ano, estabelece novos valores para estes subsídios.
O documento destaca a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reforçando que qualquer reajuste para agentes políticos deve respeitar o princípio da anterioridade, sendo vedado o aumento durante a legislatura vigente.
Reforma Administrativa foi polêmica desde o início
A Lei n.º 9.868/2025 faz parte do pacote da Reforma Administrativa, apresentada pelo governo Adriano Silva (Novo) em maio deste ano.
O projeto de maior impacto desta reforma foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Joinville com 13 votos a favor e 4 contra. A proposta criou um saldo líquido de 49 novos cargos comissionados, com a maioria (42) alocada para a Secretaria de Infraestrutura.
Além disso, a lei aumentou os salários de secretários municipais de R$ 17,1 mil para R$ 23,5 mil, criando novas gratificações. O custo anual dos novos cargos e salários ficou em R$ 33,7 milhões.
A Reforma foi fatiada em 19 Projetos de Lei, que geraram algumas audiências públicas. Durante os debates, houve rejeição do público presente em todos os momentos. Ainda assim, foram aprovados rapidamente.
O Sindicato dos Servidores Públicos (Sinsej) negociou de perto alguns projetos, entre eles o que alterava significativamente o Estatuto dos Servidores e o PL 33/25, que versava sobre o plano de carreira dos Agentes e Assistentes Administrativos, maior categoria de funcionários públicos da atualidade.
Em alguns aspectos a prefeitura recuou, como o benefício assistencial para filho especial e o Estatuto em si.
Segundo o prefeito Adriano, a Reforma Administrativa era necessária, tendo em vista o crescimento populacional da cidade, sobretudo em relação aos cargos e salários, que estariam desalinhados com os valores de mercado.
Já os vereadores de oposição, como Vanessa da Rosa (PT) e os vereadores do PL, criticaram o impacto financeiro e a aprovação, a qual consideraram apressada. Em alguns momentos, antes mesmo das reuniões das comissões técnicas, os projetos já tinham relatoria definida para análise, em uma manobra que arrancou críticas.

Leandro Schmitz
Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.










