Assédio eleitoral no trabalho já soma 583 denúncias em 2026
Pressão para influenciar o voto pode envolver ameaças, constrangimentos, pedidos de apoio a candidatos e até cobrança de informações sobre a votação. Luciano Hang foi condenado a pagar R$ 115 milhões por assédio eleitoral.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) já recebeu 583 denúncias de assédio eleitoral no trabalho em 2026 no Brasil. O número foi atualizado nesta quinta-feira (24) e mostra o crescimento dos casos durante o período que antecede as eleições.
O assédio eleitoral acontece quando um trabalhador sofre pressão, ameaça, constrangimento ou algum tipo de prejuízo no trabalho para votar ou apoiar determinado candidato ou grupo político. A prática pode ocorrer em empresas públicas ou privadas e também de forma virtual.
Entre as situações que podem caracterizar assédio estão ameaças de demissão, promessas de benefícios, exigência do uso de materiais de campanha, cobrança para participar de atos políticos e perseguição por causa da posição política do trabalhador.
Também pode haver assédio quando a empresa tenta descobrir em quem o funcionário votou. O MPT já recebeu relatos de empresas que solicitaram dados eleitorais de trabalhadores e até de familiares. Em um caso no Distrito Federal, houve relatos de ameaça de demissão caso os votos esperados não aparecessem nas urnas.
Conversar sobre política não é proibido
Falar sobre política no trabalho, por si só, não caracteriza assédio eleitoral. O problema aparece quando existe pressão ou ameaça ligada à relação de trabalho.
O trabalhador precisa ter liberdade para concordar, discordar ou simplesmente não participar de uma conversa política sem medo de sofrer consequências profissionais. Segundo o MPT, um único ato pode ser suficiente para caracterizar assédio, dependendo das circunstâncias.
A prática também pode ocorrer em reuniões virtuais, grupos de mensagens e outros canais usados no trabalho.
Dono da Lojas Havan comete reincidência
Em setembro deste ano, o empresário Luciano Hang, conhecido como Véio da Havan e dono das Lojas Havan, voltou a cometer ato de assédio eleitoral em sua empresa. Durante a inauguração de uma das unidades no estado de Goiás, Hang fez críticas à proposta legislativa sobre o fim da escala 6x1, classificando-a como “estelionato eleitoral”. O vídeo viralizou nas redes sociais.
O MPT entendeu que, durante a fala do empresário, foram identificadas associações de que determinados votos nas eleições de outubro poderiam levar a demissões e perdas de renda e que, caso a medida avançasse, os funcionários teriam que procurar subempregos.
O órgão entrou com uma ação e pediu uma multa de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, além de indenizações individuais aos funcionários afetados e da gravação de um vídeo de retratação. Outra decisão proibiu Hang de realizar qualquer manifestação política dentro das lojas da Havan.
Nas eleições de 2018, o Véio da Havan deu declarações que o MPT entendeu como coação aos funcionários para votarem em Jair Bolsonaro, dizendo que, se o adversário vencesse, haveria demissões em massa. Um processo foi movido e, em 2024, Hang e as Lojas Havan foram condenados a pagar R$ 85 milhões.
O empresário recorreu de ambas as decisões e classificou as medidas como descabidas e ideológicas.
O que fazer em caso de pressão
Quem sofrer ou presenciar uma situação de assédio eleitoral pode denunciar ao Ministério Público do Trabalho. É importante reunir provas, como mensagens, áudios, vídeos, fotos, e-mails e nomes de testemunhas. O trabalhador também pode solicitar sigilo de sua identidade.
O MPT mantém canais para receber denúncias e atua na investigação dos casos. Dependendo da situação, a instituição pode recomendar mudanças de conduta, firmar acordos com empresas ou levar o caso à Justiça.
Em 2022, ano das últimas eleições gerais, o MPT recebeu 3.371 denúncias de assédio eleitoral em todo o país. Em 2024, foram 905 registros durante as eleições municipais.








